Posts tagged ‘reflexão’

abril 19, 2017

Batalha de Guararapes – Pátria e exército forjados no fogo e no sangue

Edison Farah

19 de abril de 2017

Para avivar a memória dos meus diletos pares, nestes tempos de destruição da nação sonhada, sempre é bom que os atuais operários da coisa pública tenham presente nossa história, o começo do Brasil.
Leiam este texto que lembra os heroicos tempos da luta no braço…
Minha impressão é que teremos que retornar ao começo, e expulsar na marra, pelo sangue, a canalha que se apossou das instituições nesta terra.
Porque, pelo sangue, o crime de cima, e o crime de baixo, aliados, já estão trucidando nosso povo, e desmanchando a pátria.

A nacionalidade brasileira e seu exército foram forjados a ferro, fogo e sangue, em Jaboatão dos Guararapes

Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro

A nacionalidade brasileira foi forjada a ferro, fogo e sangue, em Jaboatão dos Guararapes. Ali, mazombos europeus, quilombolas africanos e nativos silvícolas se autodenominaram “patriotas” e formaram a primeira força militar nativa, com comando próprio, visando se defender de uma força regular invasora europeia.

Em Guararapes ocorreu, por isso mesmo, o nascimento do Exército Brasileiro.

Foram duas batalhas, que puseram fim à vontade política dos holandeses tomarem o Brasil para si, como afirmação de sua soberania contra o domínio espanhol. Mas a batalha que marca do dia do exército, 19 de abril, foi a primeira.

De fato, as Batalhas dos Guararapes foram as principais ações bélicas ocorridas no Nordeste brasileiro contra a presença dos holandeses na região. Deflagradas em abril de 1648 e fevereiro de 1649, as batalhas enfraqueceram as posições holandeses na colônia portuguesa, o que culminou com a saída dos flamengos em 1654.

Não foram batalhas regulares, as forças “patriotas” implementaram uma ação militar com táticas de guerrilha.

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abril 16, 2017

Páscoa e Pessach…

Para todos os meus queridos:
Comungo, adoto e repasso a feliz e oportuna mensagem do nosso dileto Carlinhos Brickmann, nesta Páscoa do ano de 5777, ou 2017, querendo para todos que esta data seja uma possibilidade de profunda reflexão sobre o que leva as pessoas, em seus microuniversos, e os povos, a tanta desídia, destruição e dor, ainda, depois de tantos milênios de existência neste planeta.
Beijos
Edison Farah

…ma mesma época, duas religiões mostram as duas faces do mundo ideal
Páscoa e Pessach, Pessach e Páscoa: a ordem é Convivência, a ordem é Tolerância
Na mesma semana, Páscoa e Pessach
O Pessach judaico marca
A passagem da escravidão à Liberdade
A Páscoa cristã assinala
A vitória da Vida sobre a morte
Pessach e Páscoa
As duas faces do mundo como ele deveria ser.
Feliz Páscoa!
Pessach Chag Sameach!
2013

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Milagre em causa própria

Apetite tributário na Páscoa do brasileiro

abril 14, 2017

O fariseu e o publicano

valenteAntônio Sérgio Valente

Não apenas o apóstolo e evangelista Mateus (que era publicano, coletor de impostos para Roma) relatou o carinho de Jesus pela classe fiscal. Também o evangelista Lucas (que era médico e recontou o que ouvira dos lábios de Pedro, de Paulo e de outros apóstolos, discípulos e testemunhas oculares) narra duas passagens em que este fato é realçado. A primeira foi em forma de parábola e aqui vai. A segunda virá oportunamente, quando entrarmos em Jericó.

Por ora, estamos a caminho de Jerusalém, depois de atravessar a fronteira entre Galileia e Samaria. Jesus vai pregando nas pequenas aldeias situadas ao longo da margem direita do rio Jordão, por uma estrada que dá em Jericó e depois, derivando a oeste, alcança Betânia e a seguir Jerusalém. A parábola é contada numa das aldeias do caminho, o evangelista não informa exatamente em qual. Lucas a narra nestes termos (Lc 18, 9-14):

Disse também a seguinte parábola a respeito de alguns que confiavam muito em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os demais. “Dois homens subiram ao Templo para orar: um fariseu e o outro publicano […] Continue lendo

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março 27, 2016

O sentido da Páscoa

Será que a nossa fé é engajada no processo de transformação social?

Todo ser humano é um agente político. A política é um processo social que existe nas relações humanas em toda parte, no condomínio residencial, nas associações, nos sindicatos, escolas, no trabalho, etc. Os cristãos são chamados para atuar na política e na construção do bem comum da sociedade, para todos os brasileiros.

Onde a nossa fé se mistura com a realidade socialmente dramática para milhões de famintos, sem-teto, analfabetos,  desempregados, migrantes, violentados, doentes e tantos sem eira e sem beira, sem vez e vem voz neste Brasil rico de povo pobre

Nos aproximamos da vontade de Deus, quando as ações políticas realmente são comprometidos com a realização de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Participar, ser sujeito da história da humanidade, que Jesus Cristo libertou para sempre com sua páscoa/passagem, verdadeiramente nova, para uma vida digna de ser vivida, plena de direitos humanos.

TeoFranco

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fevereiro 7, 2016

Decadência da escola pública

João Francisco Neto

“O ensino tinha duas vertentes: uma para as classes populares, e outra, para os mais ricos e abastados”

Em 1889, com o advento da República, o Estado passou a desenvolver um projeto para a educação pública, um assunto que no período da monarquia nunca havia sido objeto de muitas preocupações. Os novos paradigmas republicanos fizeram com que a educação passasse a ser vista como um ideal de progresso para toda a sociedade, de forma igualitária. Logicamente, a ideia de igualdade ficaria só no papel, pois, no início, a escola pública viria para atender apenas a uma parte da população. E assim continuou por um longo período, pois não havia vagas para todos e tampouco vontade política para mudar aquela situação.

A partir do início do século 20, o projeto do Estado de São Paulo para o ensino público era grandioso: foram erguidos prédios majestosos para abrigar as escolas, os professores eram muito valorizados – recebiam boa remuneração e tinham grande prestígio social, tanto assim que alguns eram contratados até no exterior. Segundo a perspectiva positivista dos primeiros líderes republicanos, a escola era vista como um valor central da sociedade e, como tal, deveria ocupar construções imponentes e altivas.

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janeiro 24, 2016

Os novos miseráveis

jfrancisconewJoão Francisco Neto

” Para o país que os recebe, são considerados os ‘indesejáveis necessários’ “

Pelo mundo afora, milhões de pessoas já se encantaram com a magnífica obra do escritor francês Victor Hugo, “Os Miseráveis”, que foi tema para inúmeros filmes e musicais. O enredo monumental, entre tantas coisas, mostra como era terrível o mundo dos pobres naqueles tempos. Falando assim, até parece que muita coisa mudou, de lá para cá. Mudou sim, mas nem tanto, e nem para todo mundo. Há algum tempo, o Brasil assistiu à comovente história de um menino boliviano, cruelmente assassinado nos braços da própria mãe, na cidade de São Paulo. Essa tragédia, mais uma vez, abriu uma pequena janela para que pudéssemos ver, ainda que de relance, a situação lastimável em que vivem esses trabalhadores estrangeiros, no Brasil. São milhares de famílias de trabalhadores bolivianos e de outros países vizinhos, que se amontoam em pequenos espaços, sem nenhum conforto, sem claridade e sem privacidade alguma. Vivem no mesmo local em que trabalham, onde, segundo relatos da imprensa, executam jornadas de mais de doze horas por dia, e recebem (bem pouco) por peças de roupas costuradas.

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janeiro 6, 2016

Como ser ruim em Gestão Pública: Centralizar, Micro Gerenciar e Calar

alexandroafonsoAlexandro Afonso

Estive assistindo a um daqueles realitys shows sobre empreendedorismo em que são mostradas empresas fracassadas e uma “transformação mágica” que as tiram do buraco. Apesar de esses programas serem feitos para dar audiência, muitos dos problemas levantados são comuns na gestão de empresas e instituições. Os dois episódios a que assisti tinham algo em comum: os problemas principais eram a centralização das decisões e a falta de espaço para os subordinados se expressarem livremente. Alguma semelhança com a Gestão Pública mais comum no Brasil?

Um dos casos era uma pousada no estilo americano. Um Chef de cozinha tinha o sonho de gerenciar o seu próprio empreendimento e a comprou. Desde a aquisição a pousada piorou em todos os sentidos. O dono era controlador, centralizador e não sabia se comunicar. Aplicou a sua própria personalidade à gestão do negócio e, por óbvio, foi um fracasso. Um comentário de uma subordinada o trouxe de volta do mundo dos sonhos. Ela disse que ele “sugava a alma de todos” em reunião da equipe em que o dono não estava presenta, mas assistia por uma tela em um dos quartos por iniciativa do programa. Em outras palavras ele desmotivava a sua equipe a ponto de eles entrarem em colapso profissional e pessoal.

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dezembro 13, 2015

A grande corrupção

João Francisco Neto

“Apenas um chefe político teria roubado a espantosa quantia de 4 bilhões de dólares”

Imaginem um país em que parte dos políticos se elege financiada pelo dinheiro das empresas, para as quais passam a trabalhar depois de eleitos; um país em que o Estado age em benefício de grandes empresários, concedendo-lhes generosos incentivos; um país em que leis são feitas para favorecer setores já privilegiados; um país em que a corrupção é tão disseminada, a ponto de fazer parte da vida nacional. Que país é este? Num primeiro momento alguém poderia achar que é o Brasil; mas não é.

O país descrito acima eram os Estados Unidos, no período que foi do final da Guerra Civil (1865) até o início do século 20, que entrou para a história sob o nome de a “Era Dourada” (Gilded Age). Na verdade, esse título foi dado pelo escritor americano Mark Twain (1835-1910), que, além de romancista, era jornalista e um crítico feroz da cena política americana. Mark Twain considerava que, debaixo de uma fina camada dourada, havia nos Estados Unidos uma imensidão de problemas sociais […] Continue lendo

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dezembro 6, 2015

Burocracia: Corrupção e atraso

João Francisco Neto

“Por um breve período, parecia que a vida do brasileiro iria se tornar mais fácil”

Não é de hoje que a população sofre com os efeitos do excesso de burocracia, que obriga o cidadão a mendigar direitos já assegurados em lei e na própria Constituição. São as inúmeras exigências descabidas ou inúteis, e documentos e certidões banais, mas que tomam muito tempo das pessoas e atravancam o desenvolvimento do País. Isso sempre foi visto de forma negativa pelo povo, porém o tempo passa e nada muda. O que fazer, então, para superar esse lamentável estado de coisas? Em 1979, ainda no governo militar, foi criado no Brasil o Ministério da Desburocratização. À frente estava o ministro Hélio Beltrão, homem público honrado e preparadíssimo. Beltrão era bem humorado e costumava dizer que o Brasil já havia nascido burocratizado, já que, em 1549, Tomé de Souza, o primeiro Governador-Geral, chega de Portugal de posse de um minucioso regimento, para ser aplicado numa terra com poucos habitantes, que só extraíam o pau-brasil. E, de lá para cá, a papelada nunca parou de aumentar […] Continue lendo

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novembro 29, 2015

Choque de civilizações

 João Francisco Neto

“Liberdade é o direito que se tem de dizer coisas que os outros não querem ouvir”

Passados alguns dias dos trágicos atentados terroristas ocorridos em Paris, o mundo ainda se encontra em estado de perplexidade diante de tamanha violência praticada contra pessoas inocentes que, a rigor, apenas se divertiam. De certa forma, todos fomos vítimas desses monstruosos atentados. Sob o pretexto de defender os dogmas de fé do Islã, os terroristas acabam por alimentar as teses ultraconservadoras dos partidos da extrema-direita europeia, que, dessa forma, veem confirmadas suas previsões alarmantes.  Já faz algum tempo que a Europa vem experimentando profundas tensões, em virtude do aumento das populações muçulmanas em seu território, notadamente na França, na Alemanha e na Inglaterra.

É preciso ter em mente que o afluxo desses povos não se deu de forma espontânea; na maior parte, foi o resultado de uma selvagem política colonial praticada pela própria Europa. Durante a 1ª Guerra Mundial os povos árabes foram convencidos pela França e a Inglaterra a lutar contra os turcos, com a promessa de obterem a liberdade após a guerra. O acordo – “Sykes-Picot” – não foi cumprido e quase todo o mundo árabe foi simplesmente partilhado justamente entre as duas potências europeias (França e Inglaterra), que, de forma arbitrária, dividiram a região entre vários países, com fronteiras artificiais, como Jordânia, Líbano, Síria, etc. Para o povo árabe, esses fatos criaram profundo ressentimento e revolta, aumentados depois pela criação forçada do Estado de Israel, em desfavor dos palestinos […] Continue lendo

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novembro 20, 2015

A consciência negra

João Francisco Neto

“Nas escolas, o 13 de maio era apresentado como se tivesse sido uma dádiva”

Dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Há pouco li a seguinte indagação: mas, por acaso, consciência tem cor? É óbvio que não! Na verdade, todos os feriados têm a mesma justificativa, ou seja, todos se prestam a marcar uma data que seja de grande relevância para uma Nação ou para uma comunidade. No caso desse feriado, ao contrário do que muita gente pensa, a ideia não é apenas homenagear Zumbi dos Palmares ou somente a comunidade negra brasileira. Não. Em verdade, o Dia da Consciência Negra pretende chamar a atenção de todos os brasileiros, de todas as cores, para a situação dramática em que se encontram milhões de pessoas descendentes daqueles que, por séculos, foram a peça fundamental para a formação da nação brasileira, num processo de exploração e trabalho forçado que consumiu milhões de vidas. Muitos haverão de dizer que não são apenas os negros que se encontram nessas condições.

Sim, outros tantos lutaram para formação deste País, e hoje enfrentam duras condições de vida. Entretanto, o caso dos escravos africanos e seus descendentes envolve circunstâncias específicas, que nos levam a algumas reflexões. Há pouco escrevi que a escravidão negra é o principal assunto da História do Brasil, ainda não enfrentado de forma corajosa. Tão logo foi proclamada a “libertação” dos escravos, o assunto caiu em rápido esquecimento; o governo e a sociedade passaram a agir como se nunca tivesse acontecido nada desse gênero no Brasil […] Continue lendo

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outubro 25, 2015

O darwinismo social

João Francisco Neto

“As teorias neoliberalistas deram um fôlego renovado ao darwinismo social”

A partir da segunda metade do século 19, os países europeus mais industrializados lançaram-se a uma audaciosa empreitada contra nações da África e da Ásia, em busca de novos mercados consumidores e da exploração de matérias-primas baratas. Essa investida imperialista ficou conhecida como o neocolonialismo, que acabou adentrando pelo século 20 afora, na medida em que os Estados Unidos e Japão, agora também industrializados, passaram a exercer forte influência sobre a América Latina e a Ásia. Essas ações imperialistas resultavam na dominação política e econômica de países mais pobres, facilitando a sua exploração e o avanço do capitalismo.

Entretanto, havia um problema de ordem moral, para não dizer legal: como legitimar essas ações violentas contra países indefesos, sem que houvesse guerra ou qualquer outro tipo de agressão que as justificasse? Em 1859, o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882), depois de anos de pesquisa ao redor do mundo, publicou uma obra capital: “A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural”, que provoca polêmicas até os dias de hoje. Com esse livro, Darwin lançaria as bases para a chamada “teoria da evolução”, indicando que o homem, como as demais espécies, era resultado da evolução e mutação de outras espécies, que ao longo dos tempos, iam sofrendo alterações e adaptações, por meio da seleção natural que ocorre no ambiente da natureza. Muito embora Darwin nunca tenha aplicado sua teoria às questões socioeconômicas, alguns intelectuais e “cientistas” lançaram mão de seus conceitos para fazer uma série de deduções […] Continue lendo

outubro 18, 2015

A violência banalizada

jfrancisconewJoão Francisco Neto

“O serviço público continua cheio de tipos dessa natureza: funcionários medíocres”

Nos últimos tempos, o Brasil mudou muito, e, em vários aspectos, para melhor. Hoje, embora ainda exista muita miséria, come-se muito mais e melhor; e milhões de pessoas passaram a consumir bens outrora impensáveis, como veículos, eletrodomésticos, computadores, celulares, etc. Isso sem contar as amplas possibilidades de viagens de turismo, que tanto atraem a emergente classe “C”. Todavia, há um aspecto da vida que piorou muito: a violência e a insegurança. Para resumir: ninguém mais vive tranquilo neste País. Todos se perguntam onde foi parar aquela tranquilidade de que desfrutavam as pessoas que moravam nas pequenas localidades, e mesmo em alguns bairros tranquilos das grandes cidades. Hoje, a violência e a insegurança são tamanhas que até o campo, as fazendas, as chácaras e os sítios transformaram-se em locais muito perigosos para se viver.

Não é preciso sair de casa para constatar isso; basta ligar a TV ou ler um jornal. Nesse sentido, há uma perplexidade generalizada diante da violência crescente, cujos limites são diariamente ultrapassados.  

A cada dia, novos casos se sucedem, cada um mais pavoroso do que o outro. É a violência nas escolas, em que alunos se agridem, e agridem professores; é a violência das ruas, em que, a qualquer hora, podemos ser surpreendidos por um assalto; é a violência no trânsito […] Continue lendo

outubro 4, 2015

A deusa do capitalismo

João Francisco Neto

“Os grandes capitalistas seriam, a seu ver, ‘aqueles que carregam o mundo nas costas'”

A partir da década de 1980, boa parte do mundo ocidental passou por uma grande virada conservadora, liderada pelos governos de Ronald Reagan (EUA) e Margareth Thatcher (Reino Unido). Daí para frente, tanto a política quanto a economia voltaram-se para o chamado neoliberalismo, que, em última instância, tem como meta alcançar o Estado Mínimo. Para uma expressiva parcela da população, a concepção do Estado Mínimo é um argumento sedutor, na medida em que prevê um Estado enxuto, restrito às atividades de segurança, justiça e regulação, sem atuação nas demais áreas – principalmente as assistenciais e as produtivas -, que ficariam por conta da iniciativa privada.  Em meio às fortes turbulências por que o mundo passou, como a queda do Muro de Berlin e o avanço da globalização, a doutrina do neoliberalismo perdeu grande parte do encanto que tinha. Perdeu, mas não morreu.

Nesse ínterim, assistimos a um forte avanço do conservadorismo, modernamente chamado de “neoconservadorismo”.  Trata-se de um fenômeno que tem sido mais notado na Europa, com a ascensão de governos de direita, e nos Estados Unidos, com o fortalecimento do Partido Republicano, inclusive de sua ala ultraconservadora, o “Tea Party”. Um claro sinal disso é a dificuldade com que os países europeus vêm lidando com a questão dos refugiados, que diariamente chegam aos milhares, em busca de segurança e de melhores condições de vida. Os Estados Unidos, que por um longo período, apenas observaram a crise, agora se dizem aptos a receber uma parcela dos migrantes. Da mesma forma, o governo brasileiro, a princípio um tanto quanto reticente, anunciou a disposição de acolher principalmente os refugiados sírios […] Continue lendo

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setembro 20, 2015

O Estoicismo

João Francisco Neto

“O estoicismo reinou absoluto no mundo antigo, mas, sucumbiu ao advento do cristianismo”

Há séculos, o homem vem se ocupando de questões filosóficas, para tentar obter respostas para as mais diversas indagações da vida. Como viver uma vida feliz e virtuosa? Como se preparar espiritualmente para o futuro? Como alcançar a salvação? Até o advento do cristianismo, todas essas questões eram objeto de estudo e reflexões feitas pela filosofia, que, no mundo ocidental, teve seu início na Grécia antiga, e, de lá, foi difundida pelo mundo todo, por obra dos romanos e do imperador Alexandre, o Grande. Dentre os mais diversos ramos da filosofia que floresceu no mundo grego, um deles tem características que fizeram com que o seu interesse perdurasse até nossos dias: o estoicismo.

Essa curiosa vertente da filosofia antiga tem como objeto a observação sobre a arte de bem viver, além das questões éticas e morais da condição humana.

Parece complicado, mas não é. Epicteto, um dos mais famosos filósofos estoicos, dizia que, para se viver uma vida boa, é preciso aceitar o mundo tal como ele é, e expulsar do nosso espírito o medo, a inveja, a alegria pelos males dos outros, a avareza, a preguiça e a incontinência. Simples, não ? Interessante observar que o filósofo grego Epicteto (55 dC-135 dC) , embora tenha passado a maior parte de sua vida como escravo em Roma, sentia-se um homem plenamente livre, porque podia dar asas a seus pensamentos.  Já naquela época, Epicteto aconselhava as pessoas a adotar uma atitude de não-apego aos bens materiais – à maneira do budismo -, preparando-se para o fato de que nada é para sempre neste mundo, pois tudo muda e tudo passa, inclusive nós mesmos […] Continue lendo 

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agosto 15, 2015

Jaulas de ferro

João Francisco Neto

“É a burocracia como forma de racionalização direcionando para modelos desenhados”

A partir do final do século XX, diante do desmonte de várias instituições, que até então funcionavam como sólidas fortalezas, o mundo passou a conviver com novos paradigmas, que resultaram em fatos como a desintegração das certezas do capitalismo e da modernidade, numa sociedade outrora estruturada em classes sociais, papéis dos gêneros, padrões de empregos para “a vida toda”, etc. Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a chamada sociedade pós-moderna passou de uma fase “sólida”, em que havia projetos simples e seguros, para uma fase “líquida”, num ambiente de múltiplas possibilidades, mas dominado pela angústia da incerteza.

Agora, com a desestabilização dos modelos clássicos de emprego, novas capacitações são exigidas a cada momento, ao passo que os trabalhadores veem-se na obrigação de se reciclar permanentemente, sob o temor de se tornar supérfluos ou ultrapassados, numa sociedade que vive na esteira das múltiplas e incessantes inovações tecnológicas. Criou-se então uma espécie de “presente eterno”, que descarta o valor das experiências passadas e valoriza os resultados imediatos. Não é de hoje que esses fenômenos têm sido observados. O sociólogo Max Weber (1864-1920), estudioso da sociedade capitalista, achava que o modo de organização do capitalismo clássico tornava possível uma previsibilidade em relação ao tempo, na medida em que as pessoas podiam elaborar narrativas estáveis para suas vidas, com planejamento de longo prazo de suas carreiras profissionais, por exemplo. Ao longo de quase todo o século XX, esse sistema funcionava como se fosse uma “pirâmide racionalizada”, em que cada posto e cada peça tinham ali uma função bem definida.

O modelo da pirâmide era tão sólido que praticamente dominou todas as instituições e o Estado, por excelência, até o final do século XX, quando vários acontecimentos acabaram por abalar os pilares desse modelo […] Continue lendo

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