Posts tagged ‘formação sindical’

fevereiro 25, 2016

Pra que serve um sindicato?

Hamilton Coimbra Carvalho

“Um erro muito comum em novas gestões é não estruturar um processo de decisão e de governança”

Para que serve um sindicato? Você, leitor deste Blog do AFR e auditor fiscal em algum lugar do Brasil, já se perguntou por que, a cada eleição, uma nova equipe entra cheia de promessas e esperança para, algum tempo depois, logo estar fazendo mais do mesmo?

O que vou argumentar brevemente neste artigo é que isso ocorre por: (1) falta de questionamento sobre os pressupostos de atuação de um sindicato; (2) falta de conhecimento de gestão; (3) falta de estruturação de um processo adequado de governança (isto é, tomada de decisões e responsabilização pelas ações) e de um processo de gestão estratégica; (4) o desconhecimento, na prática, sobre os efeitos do recurso mais limitado em uma organização, que é o tempo, atenção e a energia de seus dirigentes; (5) a atração fatal pela armadilha das falsas urgências.

Mas não vou me prender a um mero diagnóstico. Vou oferecer algumas sugestões de solução.

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setembro 16, 2015

“Dirijentes” X Representantes

Rodrigo Guerra*

Aproveito o momento pré-eleitoral e a diminuição de mensagens nas redes sociais para “enfiar o dedo na ferida”. Adianto que não há crítica pessoal aqui, apenas espero que o MODO DE TRABALHO dentro de nossas instâncias sindicais aproveite a oportunidade que o momento atual oferece.

Vivemos num país cuja DEMOCRACIA ainda não é material. É comum um presidente eleito considerar que “ganhou” a eleição e isto lhe dá o “direito” de “dirigir” a sua BASE de eleitores. Mas o eleito, na verdade, é apenas um REPRESENTANTE. Aqui nasce uma diferença fundamental entre os anseios da BASE e o entregue pelos representantes eleitos, que por ser a BASE muito extensa, é virtualmente impossível saber o que cada indivíduo pensa. Em nível nacional, tudo bem. Mas em nível sindical, por mais que o total de filiados seja 30.000 mas com +- 5.000 votando na eleição mais votada, entendo que esta barreira operacional caiu. As REDES SOCIAIS facilitam enormemente a difusão de informação.

Todo processo deliberativo dentro do sindicato pode ser dividido em 4 etapas: [1] prospecção e difusão da INFORMAÇÃO; [2] DISCUSSÃO, iniciativa e desenvolvimento de PROPOSTAS; [3] DECISÃO e VOTO; [4] EXECUÇÃO e ACOMPANHAMENTO.

As REDES SOCIAIS dão um “turbo” em [1] e [2]. Agora, está aberta o que antes era concentração de INFORMAÇÃO e desenvolvimento de PROPOSTAS. Esta liberdade naturalmente assusta, especialmente porque as REPRESENTAÇÕES acabam sendo “gargalos” – visto que a BASE tem ampla vantagem em “mãos e cérebros” para circular a informação e discutir as propostas. Aqui é que os eleitos sindicalmente se dividem em dois grupos, diante desta realidade inexorável: “DIRIJENTES” e REPRESENTANTES […] Continue lendo

* Auditor fiscal da Receita Federal

março 20, 2013

Sindicato & Representatividade

Jorge Ventura de Morais

“Líderes podem propor novos itens, mas estes têm de ser apresentados, votados e sancionados pelos liderados”

Um importante aspecto no relacionamento entre os líderes sindicais e os liderados parece ser o grau de representatividade e de responsabilidade política com relação aos interesses dos trabalhadores representados. No caso do novo sindicalismo, esses aspectos têm sido ampliados utilizando-se medidas com o intuito de conhecer não somente os interesses dos filiados como também o que a categoria deseja, e de saber como responder a esses interesses, embora, mais uma vez, existam áreas “obscuras” sujeitas a práticas oligárquicas.

Embora a definição de representatividade [de autores] como espelho dos “interesses expressos” dos filiados/categoria tampouco nos permite compreender e explicar os casos em que os novos diretores propõem novos itens e/ou políticas. Na verdade, eles [autores] reconhecem que:

Nós não estamos advogando aqui um modelo simplístico de democracia participativa onde os líderes [sindicais] […] meramente expressam as aspirações dos liderados; mesmo as irrealistas. Um compromisso com o coletivo incorpora intrinsecamente o conceito de liderança. Ocorre um processo interativo entre líderes […] e liderados através do qual os líderes, em considerável medida, moldam as demandas dos liderados; às vezes moderando-as, às vezes aumentando-as. [Fosh e Cohen, 1990:138]

Assim, a principal contribuição deste trabalho é fornecer apoio para uma teoria da democracia sindical na qual as noções de representatividade e responsabilidade política exercem um papel central. No entanto, representatividade deve ser entendida como uma relação de mão dupla por meio da qual líderes e liderados têm suas identidades mutuamente moldadas. Em outras palavras, o que é central para a existência de democracia em sindicatos é o fato de que os líderes representem (não espelhem) os interesses dos liderados e sejam responsáveis politicamente diante deles […] Leia a íntegra

* Professor da Universidade Federal de Pernambuco, PhD em Sociologia na Universidade de Exeter (Inglaterra)

Leia também:

Sinergia para integração da carreira

5 pontos para um sindicato forte

Projeto de Formação de Liderança Sindical

novembro 9, 2011

Peleguice sindical do filiado

Francisco das Chagas Barroso

[…] todo filiado pelego aceita com parcimônia a atuação pelega da diretoria, não se insurgindo contra nada, não representando ao conselho fiscal ou à justiça as irregularidades que sabe, sempre achando que pode atrapalhar alguma negociação, onde eternamente aguarda alguma “conquista” que não chega.
[…] todo filiado pelego se contenta com a prestação de contas fajuta do sindicato, não tendo coragem de exigir as notas fiscais e extratos bancários da entidade, para uma apuração mais detalhada.
Portanto, sem generalizações e respeitadas as exceções dos sindicatos sérios, não é difícil observar, a partir da realidade presente, que o movimento sindical brasileiro, seja no setor público ou privado, está esfacelado, sem lideranças, tomado pela peleguice e como os políticos, despido de reserva moral e sem credibilidade. Analogicamente ao mundo político, embora em um universo restrito, os trabalhadores das categorias não sabem eleger seus representantes ou não tem muitas opções […] Leia o artigo completo

fevereiro 1, 2011

Protegido: Casa Grande & Senzala x Participação

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janeiro 16, 2011

Quem faz o Sindicato?

Opinião

Sendo uma instituição que representa um determinado grupo de indivíduos e que promove ações – por meio de Diretoria e Conselho gestores dos recursos deste – devemos lembrar que todos nós fazemos o sindicato. O sindicato é o que somos. Um sindicato forte e comprometido com as suas atribuições se faz através da força e comprometimento de sua base, um sindicato com energia e atuante, se faz com uma base igualmente participativa e com disposição. Um sindicato politizado e transparente se faz através da reflexão e crítica por parte de sua base. Em uma base sólida edifica-se um sindicato fortalecido, apenas uma árvore com raízes profundas o suficiente para conseguir seus nutrientes pode prover bons frutos. Daí a necessidade urgente de um vigoroso Programa de Reflexão e Formação de Liderança Sindical. Basta olhar para as chamadas categorias de base do futebol que a cada ano desenvolvem talentos e projetam inúmeros craques. A reciclagem dos gestores em atividade e o fomento de novos é fator vital para um organismo ter saúde por tempo prolongado.

TeoFranco

janeiro 9, 2011

5 pontos para um sindicato forte

Cinco temas estratégicos para o fortalecimento do sindicalismo classista:

1) Politização da classe: A experiência nos mostra que não basta o sindicalismo lutar pelas questões imediatas, econômicas e corporativas. Há a necessidade de se forjar um sindicalismo que politize a classe para o reconhecimento e a valorização do servidor. Sem um sindicalismo protagonista de participação política não haverá reavaliações estruturais.

2) Organização na base: Não existe sindicalismo forte sem estruturas regionais. A ditadura militar proibiu os sindicatos, o neoliberalismo procurou quebrar sua espinha dorsal e as novas técnicas gerenciais tentam torná-lo supérfluo. O novo ciclo político possibilita esta visão de reorganização.

3) Formação de classe: A ofensiva neoliberal acuou os sindicatos. Entre outros malefícios, houve um natural envelhecimento das direções sindicais, fruto do defensividade das lutas e do esvaziamento das entidades. Pesquisa realizada no 8º Concut (2003) revelou que 58% das lideranças tinham mais de 40 anos de idade, enquanto no 5º Concut (1994) eram 29%. Essa amostragem, revela a preocupante ausência da renovação das lideranças e a fragilidade do trabalho de formação e de reciclagem político-sindical dos dirigentes e ativistas de base. O investimento em formação é hoje uma prioridade e deve ser tratada como emergencial. Do contrário, os sindicatos não expressarão as novas realidades do trabalho, inclusive com o crescente ingresso de jovens, e não terão como dar respostas ao complexo debate de idéias que permeia a sociedade e os próprios temas fins da atividade da categoria.

4) Ação intersindical: Para interferir nos rumos do país não basta a atuação meramente corporativa, por categoria. A unidade da classe é indispensável. No governo Lula ainda são tímidas as medidas no sentido de fortalecer as centrais como instrumento de horizontalização e de unificação da classe. O sindicato é um instrumento de frente única no qual se expressam diferentes concepções. A sua força reside exatamente na garantia da unidade na diversidade. Qualquer postura hegemonista coloca em risco a indispensável união dos trabalhadores. Hoje, mais do que nunca, é preciso democratizar as Centrais Sindicais, garantir sua autonomia diante do Estado e imprimir-lhe uma marca nitidamente classista. Do contrário, o papel das Centrais corre sérios perigos.

5) Ações sociais: As recentes mutações do mercado capitalista, do amargo remédio neoliberal e da reestruturação produtiva, colocaram em cheque a própria forma-sindicato. É imperioso fazer uma reflexão para a inserção e participação ativa do sindicato nas ações sociais.

Campinas, 08/01/2011

Teo Franco

ARTIGOS de TEO FRANCO

janeiro 8, 2011

Liderança positiva e trabalho em equipe

A liderança positiva é essencial para o trabalho em equipe. Hoje, não se trata apenas de liderar pessoas, mas produzir resultados positivos através do desempenho acima da média. Com este tipo de liderança todos os liderados se destacam, pois não é uma liderança de privilégios nem de privilegiados, mas de valorização das virtudes individuais no grupo.Cada integrante da equipe é chamado a colocar seus dons a serviço do corpo maior (corporação).

Para exercer a liderança positiva numa corporação, com eficácia, o bom líder precisa ter em mente que tudo começa nas pessoas, que o trabalho depende delas e que um ambiente positivo tem a possibilidade de gerar melhores resultados do que um ambiente negativo.

Liderar positivamente é internalizar esta magia no seio da equipe, de modo a contagiar toda a corporação. Todavia, a liderança positiva é um processo que deve começar na consciência do próprio líder. Portanto, aquele que deseja liderar deve primeiro ser líder de si mesmo, para depois ser líder de outros, de uma equipe. Para tanto, as primeiras providências a tomar são:

a) rever as próprias posturas pessoais frente ao grupo, sempre em consonância com os objetivos e metas da corporação e do mercado;
b) trabalhar de maneira harmônica e integrada com sua equipe na busca dos resultados;
c) não se descuidar de três desejos humanos: manutenção da fortuna (sucesso e êxito), busca constante da evolução (crescimento pessoal e grupal, profissional e familiar) e conquista da felicidade (realização dos sonhos).

Se a Fortuna era a deusa romana da sorte (boa ou má) e da esperança, a liderança positiva é um processo que não pode confiar unicamente nela, mas deve buscar com positividade a evolução e o sentimento de felicidade das pessoas que compõem a equipe.

A liderança positiva não é um jogo ou uma questão de apostar na sorte, mas é aquela que vê saídas onde outros apenas conseguem enxergar problemas ou meias soluções. É afortunada de características especiais, como visão diferenciada, conhecimento, espiritualidade, capacidade para o relacionamento, determinação e coragem.

Abaixo alguns atributos para aquele que deseja exercer a liderança positiva para o trabalho em equipe nas corporações:

• Ouvir mais do que discursar;
• Elogiar mais do que criticar, sem deixar de ser franco;
• Estimular as ações (dar “motivos para a ação” de cada um dos seus liderados);
• Expor suas idéias sempre com clareza e com a força do convencimento;
• Transmitir confiança e entusiasmo, fazendo com que cada liderado descubra o seu “Deus interior”;
• Ter visão conectada à ação;
• Ser firme nas suas posições (líder frouxo, liderado desorientado);
• Possuir competência (teórica e prática);
• Ser exemplo aos demais (o exemplo arrasta);
• Administrar o seu tempo (sua vida);
• Delegar com segurança (passar a incumbência para quem realmente vai dar conta do recado);
• Ser ponderado nas suas colocações (o desequilíbrio desagrega a equipe);
• Ter espírito de equipe (solidariedade e reciprocidade).

A liderança positiva é moderna e conectada ao seu tempo. Sabe que a sociedade atual funciona em rede e que a equipe não pode ficar isolada dos acontecimentos da corporação e do mundo. A liderança positiva (para o trabalho em equipe) moderna sabe que o conhecimento está ao alcance de todos, envidando esforços para trazê-lo ao seio da equipe. Integridade, confiança e maturidade fazem parte do seu vocabulário.

http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/lideranca-positiva-e-trabalho-em-equipe-nas-corporacoes/26118

dezembro 26, 2010

Projeto de Formação de Liderança Sindical

CARTA DO EDITOR

A Formação Sindical é uma prioridade imprescindível para atender à qualificação dos quadros de dirigentes sindicais e dos representantes de base, comissões, etc., fortalecendo as entidades com a elevação do nível de consciência e de conhecimento de todos.

A Formação Sindical, compreendida como uma ação estratégica prioritária, deverá ser implementada através de programas e projetos que levem em consideração os objetivos e as necessidades da entidade sindical, conforme a realidade e as especificidades regionais. O objetivo central é de melhorar e avançar a estrutura sindical da categoria, mediante a qualificação e especialização dos atuais quadros, bem como de fomentar novas lideranças.

O Projeto de Formação de Liderança Sindical deverá ser estruturado a partir de amplo diagnóstico das demandas e necessidades, para poder estabelecer as diretrizes, etapas e conteúdo, incluindo a abordagem sobre sistemas de relações interpessoais e a trajetória histórica da categoria.

Mudanças de paradigmas

A formação é necessidade prioritária e determinante das atividades e ações das entidades sindicais, principalmente de uma carreira típica de estado que exerce papel extremamente relevante no cenário social. Todavia, não alcançou alta relevância na participação em nível político.

Referências e perspectivas

É premente o conhecimento e análise das mudanças que ocorrem na estrutura da organização sindical brasileira, em especial do setor público com a aprovação da Convenção 151 da OIT – Organização Internacional do Trabalho.

Para esse propósito devem concorrer ações como realização de  seminários, debates, plenárias e treinamentos para implementação do diagnóstico e aplicação das medidas efetivas do programa de formação.

Entre outros, destacam-se alguns objetivos e metas a serem alcançados na montagem de um Programa de Formação Sindical:

a) Executar Campanha estadual de Formação de Liderança Sindical como uma prioridade estratégica imprescindível com motivação e participação do maior número de interessados visando aprofundar o debate sobre a importância e a necessidade da formação sindical;

b) Estabelecer ações com vistas à qualificação sobre reforma de estatuto, papel do representante regional, negociação política, procedimentos administrativos, jurídicos, contábeis e financeiros (análise de contas anuais);

c) Estabelecer, no orçamento anual, dotações prioritárias para a formação sindical, fixando investimentos permanentes nas atividades de formação e identificando outras fontes de financiamento para os eventos de formação sindical;

d) Dotar o Programa de Formação de Liderança Sindical de uma matriz de formação, capaz de:

I – esclarecer as mudanças estruturais e conjunturais da sociedade contemporânea e o papel dos servidores nesse processo;

II – identificar e analisar as mudanças no âmbito das novas técnicas de gestão do trabalho fiscal;

e) Realizar estudos sobre os processos possíveis de mudanças na forma e no conteúdo do Estado-Empresa e as implicações decorrentes para os servidores;

f) Aplicar procedimentos de construção coletiva do conhecimento, por meio de metodologia críticas e participativas, observando relação dialógica entre educando e educadores, com base em uma pedagogia emancipadora;

Justificativa e conclusão

São incontestáveis as mudanças no cenário da organização sindical brasileira, demarcado pelas reestruturações produtivas, ajustes estruturais e redimensionamento das funções e do tamanho do Estado. Mudanças que impactam, diretamente, o movimento sindical dos servidores públicos, pela adoção, pelos governos brasileiros, de programas de flexibilização e de  desmonte dos serviços públicos, no viés neoliberal do “Estado Mínimo”.

As transformações implicam em desafios, pois, ao lado do enfraquecimento da organização sindical, há o avanço da precarização nas relações de trabalho e supressão de direitos duramente conquistados. Um quadro que está longe de ser definitivo, pois novas erupções apontam no horizonte do mundo trabalho, motivadas e conduzidas pelo novo projeto de poder que assumiu o governo brasileiro, através do Partido dos Trabalhadores e sua base aliada, mesmo seriamente abalado em decorrência das suspeições de corrupção e crimes de responsabilidade.

Mas, se há desafios, não pode faltar ousadia. É na arena das demandas e das negociações que se constrói o novo e se afirma o futuro. Neste cenário é preciso construir e implantar alternativas para  ampliar a capacidade de inserção das entidades de representação em todo o país, através de uma vigoroso programa de formação de liderança sindical, alicerçado e enraizado na realidade funcional dos servidores públicos brasileiros.

A validade de uma nova concepção frente aos novos desafios, que se acrescentam aos velhos, ainda remanescentes, requer capacidade de ação coletiva e unidade de protagonismo expressas na ampliação da representatividade e na implementação de mobilizações que tenham por conteúdo a legítima busca de condições de trabalho dignas, salários decentes e valorização profissional para o conjunto da categoria profissional dos servidores públicos.

Estes são o sentido e a direção do PLANO DE FORMAÇÃO DE LIDERANÇA SINDICAL, colocado para debate, cuja construção depende da adesão e da participação do SINAFRESP.

Campinas, 22 de dezembro de 2010.

Teo Franco

Baseado no plano da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil

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