Posts tagged ‘crônica’

outubro 21, 2012

A herança maldita do aposentado – Parte 2 – O casamento

Carlos H. Peixoto

Fredegunda não verteu uma única lágrima pelo falecimento do pai. Arcádio também não. Aliás, ele não chorava desde a morte de seu cachorro Tião, picado por uma cobra surucucu, quando os dois amigos participavam de uma caçada no Vale do Ribeira.

No dia seguinte à missa de sétimo dia, temeroso de perder a oportunidade, o aposentado observou que era necessário pôr de parte as conveniências e apressar as núpcias. Ao ouvi-lo, Fredegunda deitou-lhe os braços ao pescoço, e, derramando copiosas lágrimas, exclamou:

— Sim, meu amor, o casamento será a minha salvação!

Em uma cerimônia simples, trocaram alianças na igrejinha da vila. Pra evitar falação, não fizeram festa.

A lua de mel, passada no Pesque e Pague do Juca, foi um fiasco. Durante o dia o inativo ficou dando banho em minhoca, e quando chegou a noite, quarenta e cinco minutos antes do momento glorioso, Arcádio deu início ao ritual de elevação peniana […] Leia a segunda parte da crônica

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outubro 14, 2012

A herança maldita do aposentado – Parte I

Carlos H. Peixoto

Arcádio acordou cansado naquela manhã. Na noite do dia anterior havia regressado de uma longa viagem: fora tomar posse da herança do pai, que falecera aos noventa e dois anos. O patrimônio que lhe coube se constituía de um sítio de doze alqueires, onde o pai passara os últimos vinte anos. Junto com o sítio, Arcádio recebera também o encargo de criar um franguinho de pescoço pelado, galináceo de estimação do finado e enrugado pai, franguinho do qual deveria cuidar como se cuidasse de um filho.

Depois de trinta e cinco anos de serviços prestados ao Governo do Estado, onde muito se chateara preenchendo relatórios inúteis e obrigado a conviver com toda sorte de maledicências, Arcádio aceitou de bom grado a herança, decidido a se enfurnar na roça. A esposa falecera há oito anos. Os dois filhos, ainda que casados, sugavam-lhe metade dos proventos. No final do mês, pouco lhe sobrava, mas o salário de aposentado, conquanto houvesse diminuído depois da Terceira Reforma da Previdência, ainda dava para alimentar mais um bico […] Leia a primeira parte da crônica

setembro 9, 2012

Fiscal-cop

Carlos H. Peixoto

Em meados do século XXII, trinta e dois anos depois de o tataraneto de George W. Bush, acossado pelo expansionismo chinês, ter detonado a bomba de nêutrons sobre Pequim, a Califórnia submergiu, tragada por um terremoto de 15 pontos na escala Richter — o equivalente a 80 bombas de Hiroshima. Centenas de ilhas do Pacífico desapareceram, engolidas por ondas enormes; a Ásia Meridional virou um pântano habitado por moscas e baratas, tão grandes quanto cavalos puros-sangues — com o detalhe de que, para esses insetos pestilentos, o sangue humano constitui a principal fonte de alimento.

Com o degelo dos polos, o Cristo Redentor e o Morro da Urca foram engolidos pelo avanço das águas. Juiz de Fora desbancou o Rio de Janeiro, passando a ser conhecida como Nova Copacabana, e, finalmente, os mineiros conseguiram uma saída privativa para o mar.

Bactérias tóxicas, que se alimentam da poluição expelida pelos automóveis, mataram bilhões de pessoas em todo o planeta, obrigando o Poder Público a transferir todo o sistema de transporte para debaixo da terra, por meio de trens movidos a nitrogênio. Ao longo da Linha Verde, milhares de carros abandonados apodrecem ao relento […] Leia a crônica completa

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julho 5, 2012

Lambanças: Esposa de Programa

Antônio Sérgio Valente

O assassinato do industrial que empacotava alimentos e foi ele próprio empacotado pela esposa, em sacos de lixo, o esquartejamento, a lambança toda, revelou ao mundo — mais do que uma tragédia — uma inovação comportamental que dá perigosa feição à família. Há milênios se sabe da prostituição e do adultério, da esposa e da amante, da matriz e da filial.

Não faz muito tempo surgiu na praça a figura da garota de programa, uma espécie de fusão entre a meretriz e a amante. Ou, definindo de outro modo, é uma prostituta ambulante combinada com dama de companhia. Ao contrário da rameira tradicional, a garota de programa não tem ponto fixo, não atende na esquina, na zona, no bordel. Está mais para a antiga cortesã, a meretriz de luxo que frequentava a alta roda. A garota de programa vai aonde o contratante indicar, à praia, ao campo, ao inferno, obviamente dependendo de preço e condições. Dispõe-se a viajar, ir ao restaurante, ao clube, à festa e tudo o mais praticar para o fiel cumprimento do trato, um bom trato no cliente. Os seus programas não são tão mínimos como os da prostituta tradicional, podem durar algumas horas ou avançar por dias e até semanas, dependendo do pacote. Há um detalhe relevante: a garota de programa não promete nem exige exclusividade.

… as rendas auferidas pela esposa de programa têm tratamento fiscal privilegiado: só há a incidência de ITCMD, como se fosse uma doação normal, à alíquota de 4%. Não se paga IR, FGTS, INSS, nada disso. É um absurdo que precisa ser revisto, pois fere o princípio da isonomia, sobretudo no comparativo com a prostituição comum, que é tributada pelo IR, como Outros Rendimentos, a alíquotas que podem chegar a 27,5%, e em algumas cidades também pelo ISS, com alíquotas variáveis de 2% a 5% … […] Leia a crônica completa

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julho 3, 2012

Memórias de um publicano

Carlos H. Peixoto

Zaqueu, o menor dos publicanos, estava trepado em um sicômoro, pescoço esticado, gritando e abanando os braços, tudo para chamar a atenção do tal Mestre, o Messias, a quem chamavam de “Filho do Homem”, que por coincidência também chegava à cidade.

Bloqueado pela multidão, pude ver de longe o momento em que Zaqueu, um avarento e asqueroso cobrador de impostos como eu, odiado até pelos leprosos, era abraçado por Jesus como se este abraçasse um amigo que regressava de uma terra distante. Estranhei o fato, anotado em minha caderneta, e mais confuso fiquei ao ouvir da boca de Zaqueu algo sobre estar perdido, logo Zaqueu que calculava tão bem, no que Jesus respondeu alguma coisa sobre um “caminho da salvação”, lugar que desconheço nas redondezas. Naquele dia não consegui entabular conversa com Zaqueu, que se portava como um aparlemado, cantando e distribuindo esmolas. Mais tarde, fiquei sabendo por relatos de um informante que Zaqueu, tendo convidado Jesus para cear e pernoitar em sua casa, ficara tão feliz com a visita do Mestre que resolvera doar metade de seus bens (dele, de Zaqueu) aos pobres, restituindo aos injustiçados as multas aplicadas em excesso, sem submeter suas decisões ao Sinédrio. Um desplante!

Em matéria tributária, um fato acontecido na cidade de Canãa merecia tratamento à altura dos regulamentos de taxas e mercancia: a transformação de água em vinho. Ainda que o fato gerador já houvesse acontecido, três dias antes de minha presença, corri atrás, investiguei, falei com testemunhas que estiveram na festa de casamento, confabulei com o fornecedor das bebidas e analisei os relatórios de compra apresentados pelos anfitriões. Concluí que ao transformar seis cântaros cheios de água em vinho, o tal Jesus praticou concorrência desleal, industrializou água sem os devidos alvarás, fora das especificações químicas e biológicas, dando saída de vinho sem documentos e deixando de recolher as taxas e emolumentos fiscais […] Leia a crônica completa

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junho 23, 2012

Lambanças: Sacolas e Sacolinhas

Antônio Sérgio Valente

Continuando a série inspirada no saudoso Sérgio Porto e no seu impagável Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País), dentre as bobagens mais irritantes dos últimos meses, a questão das sacolinhas plásticas — que deixaram de ser oferecidas pelos supermercados aos seus clientes — está no topo da lista. Não tanto pelo custo transferido à clientela, mas pela descortesia dos comerciantes, pela mesquinharia da atitude, pela chantagem econômica, pelo descaso dos agentes políticos (incluindo deputados estaduais e o atual governador) em relação aos consumidores, e, sobretudo, pela justificativa rampeira que parece zombar da inteligência de todos os cidadãos.

O motivo alegado para o não fornecimento das sacolinhas é a defesa do meio ambiente. Segundo a liderança dos supermercados, as malditas sacolinhas são jogadas no lixo, entopem os bueiros, poluem os rios e demoram séculos para serem absorvidas pela natureza. Já as caixas de papelão não, essas se dissolvem rapidamente. Ora, em primeiro lugar, sabe-se lá em que carrocerias e armazéns imundos estiveram as tais caixas de papelão, sabe-se lá quais roedores e insetos as frequentaram, sabe-se lá quais químicas há em suas colas. Convenhamos que levá-las para casa não é decisão das mais higiênicas. E pior ainda seria descartar nelas o lixo doméstico. Sugerir um absurdo desses é típico de quem tem titica de rato na cabeça. O elemento devia ser detido por atentado à saúde pública […] Leia a crônica completa

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junho 8, 2012

A mala do chefe

Carlos H. Peixoto

Cobrar tributos no Brasil é uma atividade divertida, pode apostar. A cada cinco minutos, os Intocáveis gozam de sua cara. E quando a coisa ameaça ficar séria para o lado deles, o Governo os acalma com parcerias, anistias, remissões e cafezinhos. Vindo dos rincões das Minas, dois fiscais do Imposto Estadual de Circulação Sanguinea, Respiração e Congêneres, acompanhados do Chefe da repartição, chegaram a Beagá, Capital das Alterosas. Caía a tarde. Debaixo dos viadutos, vagabundos e outros milionários pitavam crack. Próximo ao Pirulito, ao preço de R$15, escroques ofereciam aos pobres diabos bilhetes de passagem pela porta da frente, ida e volta. Nas galerias subterrâneas, ratos mais gordos do que gatos de três quilos devoravam restos de pizza com Coca-Cola […] No hotel, depois de colocar a fofoca em dia, o Chefe subiu para o quarto, louco para tomar um banho. Cantarolando, girou a chave. Entrou no quarto e teve aquele estalo: Uai, cadê minha mala? A ficha caiu rápido. Saiu do quarto batendo a porta […] Leia a crônica completa

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maio 2, 2012

O Mensalão dos filhos do demo

JT Palhares

A política é como o show business: você tem uma estreia fantástica, desliza por algum tempo e termina num inferno (Ronald Reagan)

Diz a lenda que Demóstenes, o grande orador ateniense, para se obrigar a treinar um discurso enfurnava-se no subsolo de casa e raspava metade dos cabelos da cabeça. Disciplinado, Demóstenes só deixava o porão depois que os cabelos crescessem e/ou quando sua oratória estivesse perfeita. Contam que, um dia, inimigos levaram Demóstenes às barras do Conselho de Ética. Foi difícil encontrar um presidente para dirigir a sessão; cinco recusaram a relatoria. Depois de muito debate, a penosa tarefa foi entregue ao senador que estava mais próximo da morte compulsória. A sessão foi histórica. Composto por quinze membros, dentre os quais treze estavam com a ficha mais suja na Justiça do que pau de galinheiro, Demóstenes safou-se com este paradoxo:

Provarei que sou inocente. Se eu estiver mentindo que sou inocente perante Vossas Excelências, modelos da falta de ética, então sou culpado e devo ser absolvido por falta de ética. Se eu estiver falando a verdade ao afirmar que sou culpado, então fui inocente ao me aliar ao bicheiro Cachoeira, porém, tendo em vista que o réu não pode ser condenado por ser inocente, então devo ser absolvido por excesso de ética. Em ambas as situações, se menti ou se falei a verdade, sou inocente da acusação de quebra de decoro, tanto quanto vós, que não fostes condenados para que não se esvaziasse o Conselho […] Leia mais

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abril 21, 2012

Tiradentes e a Reforma Tributária

21 de abril de 2012

Prezado Joaquim José da Silva Xavier,

Você bem sabe que, desde a época da colonização do Brasil os rígidos impostos cobrados pela Coroa Portuguesa iniciaram um modelo de alta tributação. Naquela época a produção do açúcar e do fumo, principais culturas desenvolvidas no Brasil colonial, seguidos pela cobrança do quinto, isto é, exação fiscal do Império Português que lhe reservava o direito a quinta parte de toda a extração do ouro obtido pelas jazidas brasileiras (1750 e 1770). Fora a extração de diamantes que passou a ser monopólio imperial até 1832.

Passados 188 anos de independência política, as riquezas brasileiras continuam servindo à classe dominante e sacrificando a grande maioria da sociedade […] Leia mais

dezembro 17, 2011

Um braço do rio no ombro da ilha

Antônio Sérgio Valente

“Só falta algum poderoso de plantão dizer que a culpa pela poluição do Tietê é dos Beatles. Vá lá que até os anos sessenta o rio era limpo e navegável. Menino, morei no Canindé, defronte da Portuguesa. Algo que me parecia um lago nos separava do clube. As mulheres iam lavar roupas ali, numas tábuas com ondulações. Aos sábados, meu pai me levava, não sei se para ver as lavadeiras ajoelhadas, esfregando as roupas e falando de tudo, ou se para contar a história da ilha. Explicava que aquilo não era um lago, vem do rio, passa por aqui, vai por ali, ele apontava, lá do outro lado reencontra o Tietê — é um braço do rio no ombro da ilha. A história vinha na garupa. Foi na ilha que ele e alguns dos meus tios nasceram. A Lusa comprou do São Paulo, que comprara do Deutsch Sportive, pois os clubes de imigrantes oriundos de países do Eixo, nossos inimigos, tiveram de adaptar-se a um decreto do Getúlio Vargas, alguns mudaram o nome, outros foram incorporados, o São Paulo engoliu o Deutsch. Mas bem antes dos alemães, no início do século, meu avô e outros portugueses ocuparam a ilha, tiraram areia do rio para construir a cidade, rebaixar a calha e diminuir a várzea. Tudo sem financiamento do BID, nem dinheiro público […] Leia a crônica completa

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setembro 27, 2011

Minha empresa, minha família

Senhor Governador. 1. Sou proprietário de uma pequena empresa familiar que mantém ligações umbilicais/sanguíneas com quatro filiais – não concubinas e sim filhos – que ainda, por razões do destino, não conseguiram desgarrarem-se por completo do amparo da matriz; 2. Senhor Governador Ricardo Coutinho, a minha empresa sobrevive há 32 anos pelos serviços funcionais que foram prestados ao Estado e, exatamente agora, na sua administração vem passando por sérias dificuldades de ordem financeira, motivado pelo não repasse de valores (PCCR) que a minha modesta empresa familiar é detentora, por lei e direito; 3. A minha empresa senhor governador, não tem outra fonte de renda, não participa de licitações, não tem terrenos para negociar com grandes empresários, não tem reserva milionária em caixa, enfim, minha empresa não tem um CNPJ, opera tão somente com a matrícula 87.747-6 (a matriz) e suas filiais com modestos CPF’s” […] Leia o artigo completo do articulista Amadeu Robson Cordeiro

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maio 16, 2011

A maioria silenciosa

jfrancisconewpor João Francisco Neto

Durante a campanha eleitoral americana de 1968 para a Presidência da República, o então candidato republicano Richard Nixon publicou que tinha um plano secreto para acabar com a Guerra do Vietnam. À medida que aumentava o número de jovens soldados americanos mortos naquela guerra, aumentava também a intensidade dos protestos da população dos Estados Unidos, que clamava pelo fim dos combates. Nixon, depois de eleito, não só não acabou com a guerra, como demonstrou a clara intenção de levá-la adiante, afirmando que os Estados Unidos queriam, sim, conquistar a paz, mas que fosse com honra, evitando uma súbita retirada das tropas, que mais pareceria uma fuga […] Leia mais

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abril 28, 2011

O Dia do Trabalho e o Casamento Real

CRÔNICA

O contraste entre súditos e realeza é mais evidente aqui no Brasil do que na Inglaterra. Aqui também temos nobres e plebeus. A diferença do poder aquisitivo entre o trabalhador e a elite dominante na Terra de Vera Cruz continua sendo muitas vezes maior do que no primeiro mundo. Talvez seja porque a Coroa inglesa tenha explorado suas colônias por longo tempo, e no Brasil, os coronéis continuam fazendo isso até hoje, porém, com o seu próprio povo.

Enquanto na Inglaterra vigora o sistema “político da monarquia constitucional parlamentarista”, no Brasil temos a “oligarquia constituída por coronéis da política”.  Leia mais

ARTIGOS de TEO FRANCO

abril 21, 2011

Tiradentes, cadê a Reforma Tributária?

21 de abril de 2011

Prezado Joaquim José da Silva Xavier,

Você bem sabe que, desde a época da colonização do Brasil os rígidos impostos cobrados pela Coroa Portuguesa iniciaram um modelo de alta tributação. Naquela época a produção do açúcar e do fumo, principais culturas desenvolvidas no Brasil colonial, seguidos pela cobrança do quinto, isto é, exação fiscal do Império Português que lhe reservava o direito a quinta parte de toda a extração do ouro obtido pelas jazidas brasileiras (1750 e 1770). Fora a extração de diamantes que passou a ser monopólio imperial até 1832.

Passados 188 anos de independência política, as riquezas brasileiras continuam servindo à classe dominante e sacrificando a grande maioria da sociedade.

Joaquim, a sanha fiscal dos governos tem superado o quinto então exigido pela Coroa Portuguesa. Isso porque, no último século, o Brasil massacrou seus contribuintes ao triplicar a arrecadação de tributos que passou de 10% do PIB em 1900 para 34% do Produto Interno Bruto (PIB) na última década, ficando acima de países como México (20%), Turquia (24%), Estados Unidos (27%), Suiça (29%), Argentina (29,3%), e Canadá (32%). As despesas primárias do governo federal não possuem limites, revigoram-se a cada mandato eleitoral. O Brasil de hoje, é portanto, um verdadeiro recordista em arrecadação. Se estivéssemos sobre o império da Coroa Portuguesa o quinto teria se tornado em terço.

Você, Tiradentes, não sabe, mas neste último século, houve quatro reformas tributárias (1934, 1946, 1967 e 1988).

De 1920 a 1958, a carga tributária passou de 7% para 19% do PIB. Na reforma de 1967 foi introduzido o Imposto sobre o Valor Adicionado. Em 1988, o governo federal intensificou a arrecadação de contribuições sociais, COFINS, CSLL e CPMF. A partir de 1967 o governo federal preferiu concentrar o fato tributável sobre a produção, a circulação e os salários. A arrecadação relativa a produção e ao salário representaram mais de 70% do total arrecadado, e, menos de 20% sobre o capital e outras rendas.

Além do setor produtivo ser o mais sacrificado, o contribuinte tem um emaranhado de mais de três mil normas fiscais, relativas às dezenas de tributos cobrados no Brasil que acabam por sufocar todas as empresas brasileiras.

Diante desse flagelo fiscal, é necessário realizar com urgência uma reforma no sistema tributário nacional a fim de melhorar a distribuição da carga fiscal, desonerar o setor produtivo de nossa economia e acentuar a arrecadação sobre o patrimônio e o capital. Sem se descuidar de intensificar seus esforços na simplificação e modernização do sistema, além da melhor repartição da receita tributária.

Alferes, você que sonhava estabelecer um governo republicano independente de Portugal, não poderia imaginar que com a democracia aumentaria a sanha arrecadatória. É praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos, hoje, perto de dois “quintos dos infernos” de impostos. Isso tudo para sustentar uma política de gastos públicos sem medida, sem falar da corrupção e das mordomias dos altos escalões, além da política de privatização já efetivada.

Em todas as campanhas eleitorais se fala de Reforma Tributária, e depois vai esfriando até chegar ao SILÊNCIO!

E nós, cidadãos contribuintes assalariados, toleramos inertes essa permanente derrama, esperando em silêncio a exumação da Nova CPMF e mais outros achaques, agora sob nova direção.

De qualquer forma, amigo Tiradentes, valeu a sua intenção!

TeoFranco

ARTIGOS de TEO FRANCO