Archive for ‘João Francisco Neto’

outubro 15, 2017

Reforma Protestante, 500 anos

João Francisco Neto

” ‘tão logo uma moeda no caixa cai, a alma do purgatório sai’ era a frase atribuída ao encarregado pela venda das indulgências.”

Exatamente no dia 31 de outubro de 2017 fará 500 anos que Martinho Lutero desencadeou uma das maiores fraturas religiosas da história, que provocaria a divisão dos cristãos entre católicos e protestantes. Tudo se iniciou no ano de 1517, quando Lutero, um jovem teólogo e monge agostiniano alemão, afixou nas portas da Igreja de Wittenberg um documento contendo 95 teses que denunciavam os abusos da Igreja, ao mesmo tempo em que convidavam para um profundo debate sobre as bases teológicas da época.

Provavelmente Lutero não soubesse, mas, com aquele gesto, foi lançada a primeira faísca de um incêndio que mais tarde acabaria para sempre com a unidade da fé cristã no mundo ocidental.

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outubro 8, 2017

Ilusões perdidas

João Francisco Neto

“Por séculos, entra governo e sai governo, e o povo apenas assiste à repetição das mesmas promessas”

A partir da Revolução Francesa (1789), o mundo ocidental passou a alimentar enormes expectativas sobre as realizações que haveriam de vir de instituições como o governo, o Estado, os partidos e os representantes políticos (deputados, senadores e vereadores), a ciência, o progresso, etc. Tudo isso era uma consequência das promessas da democracia, então renovada pelos ideais iluministas pregados pelos revolucionários.

Na prática, somente após a Revolução Francesa que os dogmas e as instituições medievais foram definitivamente superados. Até então, vigorava a crença absoluta na providência divina, como fundamento e solução para tudo, inclusive para legitimar o poder dos monarcas governantes.      

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outubro 1, 2017

D. Quixote, hoje

João Francisco Neto

“Todos podemos nos reconhecer na complexidade de personagens simples”

No ano de 2016, o mundo celebrou os 400 anos da morte do maior escritor espanhol, Miguel de Cervantes, considerado também um dos mais importantes autores da literatura mundial, principalmente por sua obra mais famosa, “Dom Quixote de La Mancha”, tido como o livro mais lido do Ocidente, depois da Bíblia.

A narrativa desse clássico romance inicia-se com um fidalgo empobrecido (D. Quixote), que, obcecado por histórias de cavalaria, perde o juízo e sai pelo mundo afora para viver aventuras fantasiosas, sempre ao lado de seu fiel escudeiro, Sancho Pança. Na sua incansável busca pela justiça, permeada por muito idealismo, fantasia e realidade, D. Quixote é um dos personagens mais geniais, contraditórios e poderosos da literatura universal.

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setembro 23, 2017

As novas famílias

João Francisco Neto

Todas as famílias felizes se parecem entre si; mas cada família infeliz é infeliz à sua maneira”.

Quando o escritor russo Leon Tolstoi (1828-1910) iniciou o seu livro “Anna Karenina” com essa frase lapidar, o mundo vivia outros tempos, sob uma moral severa e costumes rígidos, principalmente no que dizia respeito às relações familiares.

Naquela época – século 19 -, não havia na sociedade nenhum espaço reservado para uma mulher separada, que, nessa condição, estava fadada a uma espécie de morte social, quando não física. De lá para cá, as coisas mudaram muito e, hoje, as famílias vivem uma realidade bem diferente, inimaginável até poucas décadas atrás.

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setembro 17, 2017

Eternas oligarquias

João Francisco Neto

“…emissoras de rádio ou TV acabam “filtrando” todo o noticiário…”

O ano de 2018 se aproxima e com ele virão as eleições gerais para a escolha do próximo presidente da República, novos senadores e governadores de Estado, e todos os deputados federais e estaduais. É um tempo em que o povo renova suas esperanças por um Brasil mais ético, pois todos os candidatos prometem o melhor dos mundos, se forem eleitos. Em breve, teremos então mais uma temporada de mentiras generalizadas.

No horário eleitoral “gratuito”, seremos novamente obrigados a suportar as cantilenas dos candidatos que se fazem de sinceros, acenando com justiça social e desenvolvimento econômico, geração de empregos, criação de escolas técnicas, reforço da segurança pública, aumento do salário mínimo, habitação para todos, melhoria nos programas de saúde, etc. Os candidatos sabem muito bem que, se disserem a verdade, jamais serão eleitos. Se é assim, então mentem sem nenhum pudor.

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setembro 3, 2017

O teto furado

João Francisco Neto

“As carreiras mais poderosas encontraram uma forma de receber vantagens”

Na campanha eleitoral de 1989, surgiu no cenário nacional a fulgurante figura do então jovem candidato à presidência da República, Fernando Collor de Mello. O povo, recém-saído do governo militar, e sob o estímulo de uma nova Constituição, via em Collor a esperança de um Brasil novo. Em meio a tantas promessas, o impetuoso candidato, agindo como um D. Quixote caboclo, proclamava-se o “caçador de marajás”.

O marajá era representado pelos funcionários públicos que recebiam salários absurdamente altos, totalmente fora dos padrões de moralidade administrativa e, muitas das vezes, sem trabalhar. Depois de eleito, Collor, de fato, cortou muitos desses salários. Porém, logo viu que as coisas não eram bem assim. Muitos marajás recuperaram na justiça os seus antigos e polpudos vencimentos.

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agosto 28, 2017

O fundo eleitoral

João Francisco Neto

“Dinheiro é o que não falta para os partidos políticos”

Pensando na própria sobrevivência, o governo propôs uma reforma política desenhada bem ao gosto dos partidos e da classe política.  Na verdade, o que se convencionou chamar de reforma política, neste caso nada mais é do que um ardiloso arranjo que, ao final, proporcionará mais benefícios aos partidos e aos seus eternos caciques eleitorais.

Entre outras medidas, a reforma propõe a adoção do sistema eleitoral chamado de “distritão” e a criação de um fundo a ser abastecido com dinheiro público, para financiamento das campanhas eleitorais. A proposta do “distritão”, já rejeitada anteriormente, foi agora ressuscitada com força total, porque atende aos interesses das principais figuras políticas, que veem nesse sistema mais chances de alcançar a reeleição para deputado.

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agosto 20, 2017

Ódio e intolerância

João Francisco Neto

“Ainda que livre a difusão de ideias e até de preconceitos, não é admissível fazê-lo sob ameaça”

Em novembro de 1863, em meio à Guerra Civil norte-americana, o então presidente Abraham Lincoln proferia o seu mais famoso discurso, no campo de Gettysburg, que havia sido palco de uma sangrenta batalha travada entre soldados confederados (do Sul) e os da União (do Norte). Nesse discurso, Lincoln pregava que, sobre o sangue dos bravos, se ergueria “um governo do povo, pelo povo e para o povo, consagrado ao princípio de que todos os homens nascem iguais”.

Pois bem, mais de um século e meio depois, as feridas da Guerra Civil americana ainda estão abertas, conforme se viu a partir dos acontecimentos ocorridos na cidade de Charlottesville, no Estado da Virgínia, em que grupos neonazistas, supremacistas raciais brancos e antissemitas saíram às ruas para protagonizar um violento espetáculo de ódio e intolerância.

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agosto 13, 2017

A falência dos partidos

João Francisco Neto

“Diante deste quadro, o que esperar das eleições de 2018?”

O mundo ainda vive sob os reflexos da última eleição presidencial na França, que, marginalizando os seus tradicionais partidos políticos, elegeu Emmanuel Macron, um jovem político de 39 anos, pertencente a um recém-criado movimento – “República em Marcha” -, e não exatamente a um partido político, como até então era usual.

Este fato é resultante da incapacidade de os tradicionais partidos entenderem que eles não mais se conectam com a sociedade. Hoje, eles pouco ou nada mais têm a transmitir, inclusive a confiança, perdida há muito tempo. Já vai longe a época em que a população esperava que alguma melhoria de vida pudesse vir da atuação dos partidos políticos.

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agosto 6, 2017

Cursos jurídicos, 190 anos

João Francisco Neto

“A mocidade do Brasil contrairia pronúncia muito desagradável”

No dia 11 de agosto comemora-se o marco inicial da instalação dos cursos jurídicos no Brasil, que neste ano chegam aos 190 anos. A princípio, foram autorizados dois cursos: um em São Paulo (no Largo São Francisco), e outro em Olinda (Pernambuco).

A evolução histórica da criação desses cursos envolveu lances curiosos, com veremos a seguir. Tão logo o Brasil declarou-se independente de Portugal (em 1822), os estudantes brasileiros passaram a sofrer fortes hostilidades na Universidade de Coimbra, para onde eram enviados os filhos das famílias nobres e mais abastadas.

Viu-se, então, que era necessária e urgente a criação de cursos jurídicos que pudessem atender aos anseios da juventude que, até aquela, era obrigada a cruzar o oceano para ter acesso aos estudos. No ano seguinte, em 1823, durante os debates da Assembleia Constituinte, o Visconde de São Leopoldo propôs a criação de um curso jurídico no Brasil.

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julho 29, 2017

Caciques e Raposas

João Francisco Neto

“Se quisermos que tudo fique como está, temos de mudar alguma coisa”

No interminável clima de denúncias e escândalos de corrupção em que se encontra a política brasileira, grande parte dos partidos políticos perdeu o sentido de sua própria existência. Desprovidos de ideologias, na prática não têm mais uma agenda positiva para o País; seu único objetivo é tão somente a captura do poder para a satisfação de seus próprios interesses.

Desgastados perante a opinião pública, e temerosos por uma eventual renovação política em massa, os partidos vêm articulando nos bastidores formas e maneiras de se manterem no poder. Para garantir essa blindagem, propõem a aprovação de uma emenda constitucional, a ser aplicada já nas eleições parlamentares de 2018: querem aprovar um novo sistema eleitoral, já apelidado de “distritão”.

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julho 23, 2017

Organizações criminosas

João Francisco Neto

“No Brasil passamos a enfrentar organizações criminosas que operam dentro do próprio Estado”

No interminável clima de denúncias de corrupção em que o país se encontra atolado nos últimos tempos, a expressão “organização criminosa” não sai mais do noticiário. Uma hora porque determinado político integraria uma dessas organizações, outra hora porque certo empresário seria o patrocinador ou o líder de outra organização, e assim por diante.

Embora a atividade criminosa seja tão antiga quanto a humanidade, considera-se que as organizações criminosas – da forma como as conhecemos hoje – tenham surgido a partir do século 19, com a máfia italiana, de onde se ramificou para os Estados Unidos e para o mundo.

De lá para cá, as associações criminosas se especializaram muito, e hoje contam com um alto grau de sofisticação operacional, que muitas vezes nem mesmo o próprio Estado detém. Daí a dificuldade que sempre existiu no combate e enfrentamento do crime organizado (a chamada “macrocriminalidade”).

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julho 16, 2017

USP, cotas e ações afirmativas

João Francisco Neto

“Por que incluir somente os negros, e não todos os pobres?”

Dentre os inúmeros problemas que o Brasil vem enfrentando, encontra-se a questão da inclusão dos descendentes de africanos, que foram vítimas da escravidão, da mesma forma que muitos povos indígenas.

Em virtude de nossa pouca tradição em assuntos ligados às políticas públicas de resgate social, cidadania e inclusão, optou-se pela adoção de estratégias que já haviam sido aplicadas em outros países. Talvez a principal delas tenha sido o mecanismo das chamadas “cotas raciais”, para privilegiar o ingresso de alunos negros nas universidades, cujo modelo foi trazido dos Estados Unidos. Desde já, é bom que se diga, não só os Estados Unidos adotam cotas raciais, mas vários outros países o fazem, entre eles, Austrália, Índia e África do Sul.

O fato é que essa novidade – as cotas raciais – caiu como uma bomba no Brasil. Até hoje, os diversos órgãos interessados não se entendem: a sociedade, as universidades, o governo, os partidos políticos, a imprensa, jornalistas, intelectuais, movimentos negros, a OAB, professores, vestibulandos, cada um tem seu próprio conceito sobre o assunto, e poucos concordam sobre o tema.

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julho 9, 2017

Elefantes na sala

João Francisco Neto

“Veja-se o caso do aumento do custo previdenciário, que muitos fingem que não existe”

Numa interessante crônica publicada no Estadão (07/3/13), Luís Fernando Veríssimo dizia que a única maneira civilizada de se conviver com um elefante numa sala de estar é simplesmente ignorar a sua existência, fingindo que o bicho não está ali. E caso alguém desavisado pergunte o que um elefante estaria fazendo na sua sala, a resposta deverá ser outra pergunta: mas qual elefante?

A expressão “elefante na sala de estar”, originária dos Estados Unidos, é o nome dado aos problemas ou situações constrangedores e sempre muito evidentes, mas que as pessoas preferem ignorar. Na verdade, fazem de conta que não veem o problema (o “elefante”), na esperança que, assim, ele desapareça.

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julho 1, 2017

Nau sem rumo

João Francisco Neto

“Vê-se claramente que há tempos não há projetos políticos para a Nação e o povo”

Não é de hoje que o Brasil vem se comportando como um barco sem destino certo, num oceano de imensas possibilidades. Há alguns anos, os sucessivos governos pouco ou nada de positivo têm tido para oferecer à população, que, angustiada, assiste à passagem de bonde da História, sem que o Brasil dele participe.

Parece um contrassenso que esses governos sofram do mal da falta de projetos nacionais. Afinal, onde estão aqueles maravilhosos planos de governo traçados pelos marqueteiros, sempre pagos a peso de ouro? Logicamente que toda aquela propaganda nada mais era do que mero artifício apenas para do captura do poder político.

Voltamos (e ficamos), então, na estaca zero. Desde sempre se sabia muito bem que nada do que fora prometido seria realizado. Ainda assim, gastou-se o que tinha e o que não tinha para a realização de campanhas políticas mirabolantes, tudo pago com dinheiro de origem obscura, O que se sabe é que nunca o dinheiro sai do bolso dos próprios candidatos, e muito menos dos cofres dos partidos políticos.

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junho 24, 2017

Vacas sagradas

João Francisco Neto

“Nós sempre fizemos assim e deu certo”

Como se sabe, na Índia as vacas são consideradas animais sagrados, com direito a circular livremente por todos os espaços, sem que ninguém possa importuná-las. É óbvio que, nesse contexto, para os hindus é absolutamente proibido o abate e o consumo de carne bovina. As vacas sagradas são animais intocáveis.

No mundo corporativo, a expressão “vaca sagrada” acabou sendo aplicada para designar aqueles funcionários intocáveis, ainda que não contribuam em nada para o bom desempenho da empresa. Ao contrário, frequentemente são pessoas sem conhecimentos ou habilidades, mas que, por motivos diversos, não podem ser demitidas ou sequer cobradas por ineficiência de resultados. Desnecessário dizer que são resistentes a qualquer tipo de mudança.

Em geral, essas “vacas sagradas” são pessoas que possuem muito tempo de empresa, gozam de influência pelo parentesco ou por conta de uma profunda amizade com os donos. Muitas vezes, cresceram com a organização ou são merecedoras de uma grande gratidão por sua importante contribuição no passado. Agora, a direção da empresa não sabe exatamente como lidar com elas. Na dúvida, permanecem na empresa, na condição de “vacas sagradas”, ou seja, ninguém pode mexer com elas.

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