Archive for ‘João Batista Mezzomo’

setembro 10, 2014

Paga-se muito imposto no Brasil?

joao.mezzomoJoão Batista Mezzomo*

Existem ao menos dois modos de avaliar a carga tributária de um país. Um é em termos de percentual do PIB (Produto Interno Bruto); o outro, em valores (R$) per capita. Se considerarmos a carga tributária em percentual do PIB, o Brasil é aproximadamente o 22º no mundo e tem carga superior à dos EUA e comparável à de muitos países desenvolvidos. Porém, se olharmos pelos valores mensais per capita, o Brasil fica entre os países que menos arrecada entre os 30 países considerados.

O Brasil arrecada, nas três esferas (federal, estadual e municipal) aproximadamente R$ 657,00 por mês por cidadão. Isso significa que para atender a todas as demandas da esfera pública, tais como saúde, educação, segurança, Justiça, salários dos aposentados, remédios, juros da dívida, salários dos funcionários públicos dos poderes executivo, legislativo e judiciário, etc., o setor público dispõe de R$ 657,00 por mês por cidadão, enquanto nos EUA esse valor é de aproximadamente R$ 1.988,13 e na Noruega R$ 3.802,07.

Quem mais paga impostos no Brasil é a classe alta, média ou baixa?

Novamente, temos de avaliar os valores em termos absolutos e relativos. Em valores absolutos é claro que quem ganha mais paga mais impostos, em média. Porém, em valores relativos, no Brasil quem ganha mais paga menos, como podemos ver pelo gráfico a seguir, que nos diz quanto se paga percentualmente por faixa de renda familiar no Brasil […] Continue lendo

julho 31, 2014

Ainda sobre as maiorias silenciosas

joao.mezzomoJoão Batista Mezzomo

Na Idade Média, de nada adiantou a maioria acreditar que a terra era plana e imóvel…

O muito bem escrito texto “A maioria silenciosa”, de João Francisco Neto, publicado aqui no Blog do AFR, nos permitiria uma reflexão bem própria para o momento do país e do mundo. Lá o colega nos diz, resumidamente, que o ex-presidente Nixon sustentou que a maioria silenciosa nos EUA, que só queria viver sua vida e criar filhos num país estável, queria continuar a Guerra do Vietnã, contra a opinião expressa da minoria ruidosa, que queria seu fim. E, fazendo um paralelo com os dias atuais, o colega opina que possivelmente a maioria silenciosa hoje no Brasil, face à série de escândalos que assistimos, não concorda com os políticos que estão aí, e só desejaria trabalhar, viver e poder criar seus filhos com dignidade.

Pois bem, mas vejamos de outro modo a questão. Em primeiro lugar, penso que a maioria silenciosa nos EUA no tempo de Nixon realmente queria a continuação da guerra, que se mostrou equivocada depois, com a derrota. Pois a maioria lá pensa assim mesmo, que os EUA tem direito de mandar no mundo, invadir, matar, impor seu padrão e seu domínio. Depois que deu errado a maioria silenciosa mudou de lado à sua maneira, silenciosamente, e nem lembra mais que concordava com a guerra. E se os EUA tivessem vencido, possivelmente ela nunca teria mudado de ideia. Teria permanecido trabalhando (ou ganhando seguro desemprego, sustentado pelo resto do mundo via emissão de dólares pelos EUA), criando filhos com “dignidade”, e fazendo ouvidos de mercador para a morte de inocentes, como se faz na Palestina há bastante tempo […] Continue lendo

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agosto 2, 2012

Educação Fiscal – O que fazemos com nossas crianças?

João Batista Mezzomo

Com certeza muitos brasileiros acreditam que nossas crianças são o futuro da nação. Que se as orientarmos corretamente poderemos ter dias melhores, já que os dias de hoje, para a maioria, parece ser um tempo ruim, onde a criminalidade é alarmante, recursos públicos são desviados e impera a desigualdade entre as pessoas. Parece, ouvindo as pessoas se expressarem, que somos vítimas de uma situação que vem de muito longe, e é difícil de mudar, de modo que nossa alternativa é investir nas crianças, e esperar que elas nos tragam no futuro um mundo mais justo e compatível com aquilo que merecemos. Por isso é que se fala tanto no papel fundamental da educação, e como ela pode melhorar a situação presente.

Está certo, investir em educação é importante. Porém, não devemos nos esquecer que o conceito de educação não se restringe apenas à educação formal. Sabemos como as crianças aprendem com o exemplo, mais do que com palavras. De nada adianta uma criança ouvir belas palavras de seu professor sobre a importância da família se sua vida é uma selva […] Leia o artigo completo

abril 7, 2012

Novo convidado reforça o time de articulistas do Blog

João Batista Mezzomo é formado em Engenharia e Filosofia, escreveu o livro “Quem tem ouvidos – Um salto do pensamento para o inconcebível“. É supervisor de Desenvolvimento Organizacional e Qualidade da SEFAZ-RS […] Leia mais

Discutindo a carga tributária brasileira

Parece que é opinião unânime que a carga tributária brasileira é alta, das maiores do mundo, e que o retorno é imensamente baixo, muito aquém do que pagamos. Que isso se deve a uma alarmante ineficiência do serviço público brasileiro, que tem como uma de suas mazelas desvios gigantescos de recursos públicos, os quais são do conhecimento de todos. Podemos aferir isso no dia a dia da chamada “opinião pública”, manifestada em colunas jornalísticas, editoriais, matérias publicadas na imprensa e mesmo em manifestações de pessoas. Recentemente, a própria Presidenta da República declarou ter “plena consciência de que a carga tributária brasileira é alta” e prometeu fazer o possível para reduzi-la. Em suma, em todos os quadrantes pátrios o que mais se ouve sobre isso é “pagamos muito e não obtemos nenhum retorno”. Será verdade?

Faz sentido que aqui exercitemos a dúvida, pois já acumulamos história suficiente para saber que – infelizmente para os raciocínios simplificadores – a verdade nem sempre acompanha a opinião da maioria, e já houve mesmo quem tenha dito que toda a unanimidade é burra. Por exemplo, no mundo antigo a ampla maioria das pessoas, se inquiridas, afirmariam sem demonstrar qualquer dúvida que a Terra era plana. Contudo, sabemos hoje que ela não é. Transportando essa linha de raciocínio para a questão da magnitude da carga tributária brasileira e da eficiência da esfera pública em geral, gostaria de me colocar aqui na contramão desta opinião unânime para sustentar que existe, figurativamente, um outro mundo possível depois do mar, para o qual podemos zarpar sem sobressaltos, se soubermos construir uma nave. E é possível mesmo que tal mundo seja bem melhor do que suspeitamos […] Leia o artigo completo