Archive for ‘Carlos H. Peixoto’

setembro 10, 2017

Saara

Carlos H. Peixoto

O casamento é o Saara do sexo. Não fosse por um camelo que encontrei desgarrado de uma caravana, eu teria morrido de sede na travessia desse deserto.  No limite de minhas forças, consegui montar o animal. Era noite quando alcancei uma tenda em um oásis. Havia música, vinho e muitas palmas. Mulheres contorciam o ventre, dançando até o último lenço.

Água”, pedi, antes de cair de joelhos.

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março 21, 2017

Tarja preta

Carlos H. Peixoto

“O melhor candidato a presidente que o Brasil jamais poderá ter”

Praia de Ipanema, meados dos anos 80, o sonho da geração hippie havia virado fumaça, os caras do Biquini Cavadão arrasavam com a música “tédio”. Eu estava sentado na areia, louco pra dar uma bola. Tarja Preta entrou em cena; de sunga preta, ele trazia na mão direita uma maleta de executivo.

– Cara, você vai surfar com essa maleta? – perguntei.

Foi então que o Tarja me contou uma história sinistra. Ele se tornara secretário particular do avô, um velhaco que passou um tempão na vida lutando para ter o direito de ir e vir. Desde então, Tarja Preta não largava a maleta que lhe foi confiada pelo avô, nem para ir ao banheiro – dentro dela estariam os segredos e artimanhas para se chegar à Presidência da República.

Não sei se entendi bem, a família do Tarja era meio paranoica com esse lance de liberdade. Eu não tinha nenhum problema em ficar onde estava. Se eu não tivesse de voltar pra casa eu passava dia e noite na praia.

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maio 15, 2015

A máfia da calcinha cor de rosa – Parte 1

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

Se você se gripar, tributarei seu espirro. Não me interessa seu nome ou posição, sou o cara dos impostos.

Enquanto os políticos nos rotulam de parasitas, eu me ocupava de manter a Lei e a Ordem tributária neste país de comédia. Não acredito em gnomos, muito menos na Justiça Fiscal, não perco um show de Roberto Carlos, mas alguém tem que raspar a merda de cachorro agarrada na sola do sapato e transformar essa merda em grana.

Poucas pessoas entendem quase nada sobre crime tributário e seus criminosos. A maioria dos roteiros de fiscalização, artigos e tratados sobre o tema, não passa de conversa fiada — vaidade de gente querendo aparecer. Os impostos, e o ofício de ter que lembrar alguém de pagar impostos, são dois assuntos chatos: com esse papo você não come ninguém […] Continue lendo

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março 31, 2015

O homem profundo

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

Brasil. Turquia, Síria, Rússia e Estados Unidos. Terrorismo, corpo sem cabeça, assassinato à luz do dia, corrupção, ciclistas nus no meio da rua, homem de camisa vermelha agredido pela massa amarelo-esverdeada.

Montado em seu computador branco, o homem profundo quer mudar o mundo através do teclado. Seu nome é “debate”, e escreve-se com dois dedos na lousa da internet.

E se ficássemos sem internet? Voltaríamos a nos encontrar para um cafezinho? Teríamos tempo de olhar nos olhos do semelhante, mesmo que o outro tivesse cometido a asneira de votar naquela filha da porca?

De forma rasa, Bertrand Russel gastou sete anos e 362 páginas para explicar por que 1 + 1 = 2 em sua obra Principia Mathematica […] Continue lendo

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fevereiro 19, 2015

O grão-mestre da fiscalização

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

Tempo de transição na Fazenda Mineira, crise hídrica, pouca grana. Caciques demais, índios de menos. Os ocupantes de cargos em comissão, antecipando-se às mudanças, concederam-se férias-prêmio, na esperança de que as coisas permaneçam na mesma. No silêncio do milharal, espigas esturricadas pela seca, a onça espreita. O espantalho azul, braços amarrados pelos macacos vermelhos, não assusta mais ninguém.

Triste destino o da República, na qual o servidor público de carreira aferra-se ao cargo comissionado, ansioso por bajular o novo patrão, como se fosse filiado desde criança ao partido recém-eleito.

Enquanto isso, o zeloso funcionário, fiel aos seus defeitos, continua trabalhando, sem temer as reviravoltas da política. Mirem-se no exemplo do Mestre: há 30 anos o cara vem defendendo o Erário Mineiro, o couro endurecido por sucessivos desgovernos, sem perder a honra.

Estimado escriba, diga-me, quem é o Mestre? […] Continue lendo

dezembro 8, 2014

Antes e depois do Choque de Gestão

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

Crônica do último dia de abastecimento

Imagine uma cidade com 12 milhões de habitantes, motor financeiro do país, sem água. Você abre a torneira e não sai uma gota de água pra beber ou pra fazer a barba. Nessa selva de aço engarrafado, somente um mutante imberbe, sangue de lagartixa, resistente ao aquecimento global e dotado da capacidade genética de se hidratar bebendo petróleo no canudinho teria condições de sobrevivência.

Seja quem for, a biografia de Geraldo Alckmin, a ser publicada em dois volumes, ficará para sempre enlameada pelo Volume Morto da Cantareira.

Verão de 2014; o paulista aguarda o embarque do amigo nordestino, este de volta para Campina Grande, depois de 12 anos trabalhando em uma metalúrgica. A rodoviária do Tietê lotada […] Continue lendo

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setembro 14, 2014

Sete narizes

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

“…zerar o déficit que não parava de crescer, basta torturar os números …”

Algo cheirava mal no Reino de Araque. Após disputa entre o Príncipe e os cidadãos por questões de planejamento urbano, diante da falta de transparência visando acobertar o tráfico de informações privilegiadas na compra e venda de lotes na Colina da Gola Verde, extensa área de terra desapropriada para construção do novo Palácio da Administração, o escultor, poeta e filósofo R.B. Furtado espalhou moldes de seu próprio nariz pelos muros e paredes da cidade. Aquele que encontrasse os sete narizes, reza a lenda, seria agraciado com riqueza financeira. Eu os encontrei, mas isso seria a minha ruína.

A título de esclarecimento, cinco anos antes do tempo em que escrevo, o Príncipe de Araque, preocupado com a situação falimentar do Reino, mandara erguer um novo Palácio de dois bilhões de dracmas sem consultar o povo ignorante, que decerto preferiria desperdiçar o dinheiro dos tributos em saúde e educação — problemas habilmente contornados pelo governante quintuplicando-se os gastos com publicidade, obtendo assim o mágico resultado de fazer com que os súditos habitassem o mundo feliz da propaganda […] Continue lendo

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maio 25, 2014

A casa do Sol Poente

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

Há uma casa em Nova Califórnia conhecida como a casa do sol poente. Sábado, dia de visita, desci do ônibus e caminhei por uma rua de terra batida, pisando com atenção para não esmagar inocentes formigas. Dentro de uma bolsinha de couro amarrada com barbante eu trazia somente o dinheiro da passagem de volta. Era um dia abafado, nenhum sinal de chuva, o velho e tolerante sol irradiava sua energia pela terra, abençoando igualmente bípedes, quadrúpedes e rastejantes. A lesma pegajosa do calor lambia cada milímetro de meu corpo, das canelas ao pescoço, fritando neurônios que pulavam como minhocas em asfalto quente no interior de minha cabeça raspada.

Depois de andar por três quadras parei em frente ao portão de madeira, limpei o suor da testa e li o nome no letreiro talhado em branco, enquanto me perguntava o que levara meu pai, homem rico e poderoso, empreiteiro, jogador compulsivo, viciado em sexo e em mingau de couve, a escolher aquele lugar para viver o resto de seus dias […] Continue lendo

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setembro 30, 2013

Tudo que a administração toca vira meta

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

A tecnologia da informação fascinava a alta gerência. No chão de fábrica, em tempos de amizade virtual, ninguém se interessava pelo outro. Exceto pelos bolões da mega-sena, vivíamos isolados, entrincheirados em nossas células de trabalho.

Algo deveria ser feito. Contrataram um psicólogo japonês para ministrar um curso sobre a importância do contato físico. Treinamos abraços e beijinhos. “Quanto tocamos um no outro, nosso cérebro produz oxitocina, a mesma substância produzida pelas mulheres na hora da amamentação. A oxitocina nos deixa calmos, relaxados e confiantes. É o oposto da adrenalina, que nos prepara para correr e brigar, por exemplo”, ensinava o professor, abraçado a uma aluna.

A coisa funcionava apenas nas oficinas. De volta à rotina do trabalho, as pessoas continuavam as mesmas, distantes, frias.

Metas, para serem atingidas, dependem de incentivos. Grana. O que antes fazíamos de graça, e por prazer (cumprimentar o colega, abraçar um amigo, dar parabéns no dia de aniversário, dois beijinhos nas mulheres), passou a valer pontos. Pontos que interferiam na avaliação anual; pontos que, quando não alcançados, representavam perda salarial […] Continue lendo

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julho 19, 2013

Homenagem ao amigo Hugo Mescolin Gaudereto

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

Os franceses são considerados resmungões, xingam e reclamam por qualquer motivo. Recentemente, cem mil franceses saíram às ruas para protestar contra o casamento gay, uma bobagem, que em nada afeta a vida dos que desejam se relacionar com o sexo oposto. Nunca estive em Paris, não sei falar porra nenhuma em francês, mas li em sítio especializado que os franceses são mestres em pronunciar a palavra “merde”, com a classe que a língua lhes confere.

Merda pra você e pra mim! — desejam-se os atores antes de entrar em cena. Como saudação de boa sorte, votos de sucesso, diz a lenda urbana, o uso da palavra merda no meio teatral surgiu da quantidade do estrume deixado pelos cavalos que transportavam os espectadores até o teatro ambulante, montado na rua ou na praça. Quanto mais merda, mais público; quanto maior o público mais os atores se empenhavam. E quanto melhor a apresentação, mais a merda se acumulava. Merda virou sinônimo de glória. “Nem uma doce oração, nem sermão, nem comício à direita ou à esquerda fala mais ao coração do que a voz de um colega que sussurra “merda”, cantou Caetano Veloso na música “MERDA”.

[…] E por falar em religião, no último dia 10 de julho de 2013 desencarnou de seu corpo sofrido o espírito livre de meu amigo Hugo Mescolin Gaudereto, economista, descendente de alemães por parte de mãe, um mineiro de alma carioca. Conversar com o Hugo era um convite ao hilário, ocasião pra deixar de lado o cinismo matreiro do mineiro (amante da pátria, do pão de queijo com café quente, do sexo atrás da moita, da família e da tradição) […] Continue lendo

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junho 28, 2013

O estado dos negócios tributários

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

Na lógica tributária, cliente não se confunde com contribuinte. Enquanto a palavra cliente aplica-se aos negócios privados, em referência ao cidadão que pode escolher onde e de quem comprar ou investir seu dinheiro, por liberalidade, realizando dispêndios quando as vantagens superam o sacrifício financeiro, o contribuinte de direito não goza do privilégio de escolher sua condição, enquadrando-se na obrigação de recolher o tributo por Imposição Legal.

Forçando a barra da semântica, o cliente da exação tributária jamais se confundiria com o contribuinte de direito. O segundo obriga-se a recolher o tributo, sujeito às sanções legais, e em outros casos, em decorrência de tratamento diferenciado, enquanto o primeiro, verdadeiro cliente da Fazenda, o contribuinte de fato, suporta o repasse tributário em troca de deficientes serviços públicos, sem direito de escolha.

Assim, imaginemos que o tal governo contratasse um Instituto privado, combinando antecipadamente com o Legislativo e Judiciário os termos do Contrato, e depois firmasse com as maiores empresas (por coincidência as mesmas que financiam o Instituto de Gestão) um pacto para que os clientes declarassem, fidedignamente, na entrada a totalidade dos insumos adquiridos, e na saída 100% do que foi produzido e comercializado – ganhando em troca os empresários a possibilidade de interferir no planejamento fiscal, além de serem agraciados com benefícios e tratamentos especiais que tornariam a atividade econômica mais competitiva. Seria o fim da sonegação e da concorrência desleal […] Continue lendo

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abril 28, 2013

O dia em que o fiscal da calça listrada…

…por dever de ofício, apreendeu o gado do delegado de polícia

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

Toda história do tempo de Jesus começa com a expressão “naquele tempo”. Tempus fugit. Tempo que nos escapa entre os dedos. O tempo é o mestre e senhor da oportunidade. “O tempo e eu contra outros dois”, disse Baltasar Gracián. “Tempo, tempo, tempo, entro num acordo contigo”, cantou Caetano, antes dos cabelos brancos.

Se um dia alguém for contar minha história, por absoluta falta de assunto, digam apenas que ingressei no Fisco quando terminava a era do fiscal da calça listrada. Naquele tempo, o agente do Erário dependia da caneta e da coragem pra ganhar a vida — a verdade tributária era apreendida de forma direta —, quando o fato representativo da exação tinha que “casar” com o que se lia na escritura, no ato da inspeção. Nos dias de hoje, com a utilização massiva da informática, inaugurou-se o poder do simulacro eletrônico: um contribuinte que nunca existiu emite nota fiscal eletrônica, documento que tem existência apenas digital, com o intuito de documentar uma operação de circulação de mercadorias ou uma prestação de serviços que nunca ocorreu, visando gerar direitos em favor de terceiros […] Leia a crônica completa

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fevereiro 24, 2013

O boi nosso de cada dia

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

“E praquele que provar que eu tô mentindo, eu tiro o meu chapéu.”
Raul Seixas

Eu estava de férias em Brasília quando resolvi visitar a exposição “Modernização no Senado nas gestões de José Sarney”. Eu não sabia que o Sarney, aos 82 anos, era “o cara” capaz de morrer pelo bem comum. E havia mais: em dezessete painéis Sarney explicava em detalhes como implantou a administração por resultados, investiu em informatização e fez um choque de gestão no Senado.

Nunca fui bom em lembrar datas, nomes ou rostos, mas não me esqueço de uma anca, quando me deparo com uma que mereça ser montada. Ao ver a foto de uma secretária gostosa, tomando as notas taquigráficas em mais uma sessão histórica no Senado, foi como se eu houvesse ingerido um cogumelo alucinógeno: um duplo clique bateu em minha cachola, entrei em páginas esquecidas na memória.

Nasci para o mundo da política no longínquo ano de 1986. O Brasil sofria com a inflação. O congelamento de preços não vingara, veio a tablita, Funaro, Bresser […] Leia a crônica completa

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dezembro 28, 2012

A Secretaria Secreta

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

Café com lactopurga, balas de chupar que soltam gosma de cor violeta na boca do incauto, grampo telefônico, microcâmera no botão da camisa, relógio-gravador, aperto de mão elétrico, clips de papel pra abrir qualquer fechadura, batata chips, caneta capaz de filmar quatro horas seguidas, esponja molha-dedo embebida em veneno. Mensagens interceptadas, enigmas, ordens de serviço impublicáveis, resoluções confidenciais, pareceres secretos, vigilância eletrônica. O mundo da espionagem é cheio de trapaças, intrigas e artimanhas.

Chovia na noite em que cheguei ao hotel mais fuleiro da cidade pra economizar a diária. Eu era um agente secreto em missão especial, pilotando veículo tão luminoso quanto uma boate móvel. Brasão com as armas do estado pendurado ao pescoço, bastou apresentar minha identidade funcional para que o sujeito da portaria me atendesse com todas as honras.

__ Senhor Agente Secreto, seja bem vindo a nossa cidade. O sr pretende ficar quantos dias? Dois dias?  Só? Desejamos que o sr faça um bom trabalho. Ninguém aguenta tanta sonegação. A propósito, o sr precisa de nota fiscal? Com nota fiscal nossos serviços sofrem um acréscimo de vinte por cento.  Pretende pagar em dinheiro, cheque ou cartão? Nossas diárias vencem antecipadamente. Por favor, aguarde enquanto consultamos seus dados na página da Secretaria e no SERASA. E então, o sr vai querer nota fiscal? […] Leia a crônica completa

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dezembro 6, 2012

O lendário cavalo do secretário

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

Era uma pessoa asinina, do signo de sagitário, metade gente metade cavalo. Se lhe chamavam pelo nome, o homem soltava fogo pelas ventas. Um dia, falou-lhe o Imperador das Minas:

— Tu vais para Brasília. Prepara-te, até o final do ano serás nomeado Secretário.

E foi assim que um rico proprietário de lavras, cansado da incompetência de seus trezentos assessores, resolveu nomear para Secretário da Fazenda um cavalo engravatado. De todas as qualidades imagináveis em um cavalo, a esse nomeado Secretário só faltava relinchar, porque falar, ele já falava, como se habitasse uma fábula entre os homens. Relinche?

Ao contrário da música de Caetano “Vaca Profana”, poucos diriam que de perto o Secretário era um cavalo, de tão fino e educado que o elemento era no trato. Casado, esposa diabética e uma filha psicóloga, a primeira aquisição do novo Secretário, um mês depois de empossado, foram quatro ferraduras de prata.  Duas ou três vantagens de se ter por Secretário um cavalo: o cavalo come capim e não reclama. O cavalo dorme em cama de palha e não veste terno Armani. O cavalo não bebe Brahma […] Leia a crônica completa

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novembro 14, 2012

O governo de Arak

Carlo H. Peixoto

Amanheceu. Da sacada do Palácio, Arak o Néscio mirou o feio horizonte, outrora um vale coberto de verde, agora transformado em terra devastada, rasgada por crateras, de onde as mineradoras extraem a hematita, vendida a preço de banana para o estrangeiro. Ao longe, no alto da serra crestada pelo fogo, movia-se o olhar vigilante de Filomeno, o Monstro Tributário de um olho só que enxergava todos os fatos geradores. O governo ia bem, mas a saúde e a educação do povo, aos trancos e barrancos, conquanto a arrecadação do imposto de consumo batesse todos os recordes.

Mesmo adorado pela mídia mercenária, o Governador de Arak não estava contente. Para ele, não bastava pagar as contas. Zerar o déficit é obrigação de todo governante, é só manipular os números. Calcando os pés no parquet, assoalho brilhado e encerado peloEngavetador Geral do Estado, um tal de Jarbas, que também lhe servia como mordomo, o Néscio mandou chamar os Secretários. Mais que depressa, entraram o Conselheiro Acácio, o Professor Naná, Se Me Dão Se Me Deu e o Adido Phu, este último acompanhado de Pierrô e Colombina, ambos brigados pelo amor de Arlequim. Reunida a cúpula, faltavam quinze minutos para as dezesseis horas quando Arak contou-lhes o sonho que tivera naquela profícua manhã, enquanto o povo trabalhava […] Leia a crônica completa

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