A Verdadeira Autoridade

Waldeban Medeiros

Nas décadas passadas, entre 50 e 80, as autoridades máximas dos municípios interioranos do Brasil, notadamente na região nordestina, eram representadas pelo prefeito, o juiz, o padre, o coletor estadual e o fazendeiro mais rico, nesta precisa ordem. A palavra desses tinha fé de ofício e suas decisões, a força de lei, e ai de quem deles discordassem.

O causo presente se passou na década de 80, quando as coletorias estaduais eram agrupadas em regiões administrativas, como, por exemplo, a 9ª Região Fiscal que era sediada em Sousa, superintendia os municípios de Coremas, Pombal, Jericó, Catolé do Rocha, Brejo do Cruz, São Bento, de um lado e por Uiraúna, Antenor Navarro (hoje São João do Rio do Peixe), Cajazeiras, São José de Piranhas e Monte Horebe, pelo outro lado. Nessa época, o exercia a função de coletor estadual no município de Catolé do Rocha o agente fiscal Expedito Leite da Silva e a Superintendência do 9º Núcleo Regional de Finanças era ocupada pelo também agente Fiscal Janser Loudal Florentino Teixeira.

Pela hierarquia se vê claramente que o superintendente regional era a autoridade maior da redondeza. Um cargo que equivalia, nesta época à figura da extinta função de inspetor fiscal, nomenclatura caída em desuso a partir da reforma implantada pela Secretaria das Finanças do Estado. Porém, na interpretação do povo e outras pessoas, a figura do coletor continuava a ser emblemática para certas situações. Foi o que aconteceu a seguir!

Certa vez, voltando de Patos, quando participaram de um Encontro/Treinamento conduzido por técnicos da Secretaria das Finanças, os dois se envolveram numa situação deveras inusitada, dado à interpretação das pessoas envolvidas, no caso uma guarnição da briosa Polícia Militar do Estado que, para garantir a segurança da região, durante uma blitz na BR-230, antes da PB-325 que liga a rodovia à Catolé do Rocha.

Expedito seguia em veículo particular, quando foi abordado pela patrulha:
Boa tarde, cidadão! – exclamou o militar comandante da blitz.
– Boa tarde! – respondeu Expedito.
– Por acaso é alguma autoridade?
– Sim! Sou coletor estadual em Catolé do Rocha!
– Está armado?
– Estou, sim!
– O revólver tá carregado?
– Claro, até a boca!
– Então me empreste quatro balas!
– Não, vou emprestar apenas três, combinado!
– Ok! E pode seguir viagem!

Meia hora depois, vem o superintendente Janser Loudal, chefe imediato do coletor Expedito, portanto a autoridade maior, quando é abordado da mesma forma que o Expedito. Perguntado se era, por acaso, autoridade, Janser responde que sim e saca da sua identidade de agente fiscal e superintendente do 9º Núcleo Regional de Finanças, autoridade que respondia por meio mundo daquele sertão castigado pela seca, qui nem hoje!

O militar, desconfiado e desafiando a autoridade que Janser representava, lhe respondeu:
– Faça favor de descer do carro! Infelizmente temos que fazer uma revista nele. Eu não acredito em duas autoridades ao mesmo tempo!
– A autoridade da região já passou e faz tempo… – completou, para o espanto de Janser!

ARTIGOS de VALDEBAN MEDEIROS

NOTA: Os textos assinados não refletem necessariamente a opinião do BLOG do AFR,  sendo de única e exclusiva responsabilidade de cada autor.

 

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