Inversão de valores na sociedade moderna

Sebastião Amaro Viana Filho

Nos últimos anos nunca se falou tanto em inversão de valores principalmente nestes tempos cinzentos de desgoverno do PêTê de Lula, continuado por Dilma, PMDB infiltrado nos meandros das lideranças nas ocupações de diversos ministérios na esplanada do planalto, entre outros tantos cargos do alto escalão de um governo tradicionalmente marcado pela corrupção, roubalheira e desvio de dinheiro público.

Nos tempos do governo de FHC já se falava sobre o tema inversão de valores, mas de uma forma mais branda, com pouca euforia diferentemente dos comportamentos sociais vistos nos últimos tempos, ou mesmo em 2014, ano em que o PêTê conseguiu emplacar seu quarto mandato consecutivo no desmando dessa grande e acéfala nação brasileira. Talvez esse diferencial seja consequência de que Fernando Henrique Cardoso sempre foi considerado um intelectual reconhecido nos meios social e acadêmico, enquanto que Luiz Inácio Lula da Silva um semianalfabeto, que não fosse político poderia se orgulhar de ter sido operário, mas ambos são descaradamente os maiores protagonistas de inversões de valores sociais dos últimos vinte anos.

Ambos, políticos profissionais entre tantos outros, herança de um passado negro da história do Brasil, que, enquanto presidentes da república, fizeram tudo errado em favor do povo brasileiro, rasgaram a Constituição “Cidadã” do Brasil e na administração da coisa pública praticaram atos que foram na sua grande maioria direcionados em seus próprios benefícios, amparados pela maioria da classe política integrante do Congresso Nacional, igualmente praticante das maiores falcatruas e desmandos sociais principalmente contra a classe proletária brasileira.

Alguns exemplos de desgoverno implantado, principalmente no governo de FHC, foram as privatizações de grandes estatais, empresas públicas que passaram a dar lucros nas mãos dos investidores do setor privado. Contudo, há que se ressaltar a implantação do Plano Real no início do governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, que teve ótimo começo, mas, há algum tempo, apresenta sinais de corrosão e desmoronamento em razão dos altos índices inflacionários que estão latentes como vulcão prestes a eclodir, como consequência dos desmandos políticos.

De outro lado, a tônica do governo do PêTê quase sempre foi o favorecimento aos banqueiros e ao sistema financeiro, valorizando mais o capitalismo sangrento do que investimentos no parque industrial, por exemplo, com uma consequente desvalorização do capital nacional e tudo isso em meio às práticas da corrupção mais descarada e fraudulenta, tais como mensalão, mensalinho e, mais recentemente, o petrolão, como ficou conhecido o escândalo da Petrobrás (ou melhor: PTbrás).

Enquanto se aguarda o desfecho do escândalo da PTbrás, que certamente acabará em pizza recheada de saborosos cogumelos, sabe-se que os envolvidos nos escândalos do mensalão e mensalinho seguem tranquilos de peito aberto, respirando ar puro de montanha em seus gabinetes carcerários “para inglês ver”, sendo alimentados à base de caviar, regado com champanhe importada, à custa de uma carga tributária exorbitante imposta ao trabalhador brasileiro, principalmente sobre aqueles cujos salários giram em torno de quatro ou cinco salários-mínimos e nada há que fazer, pois se o povo quer assim, então  assim  vai continuar!

Mas retomando o tema, comenta-se sobre inversão de valores nos corredores sociais da elite brasileira, nos bastidores políticos, nos restaurantes, bares e botequins. No happy hour também o assunto do momento é sempre inversão de valores, que por vezes pode ser apimentado com uma dose de humor próprio dos quarentões, cinquentões e das donzelas arrependidas.

Nas praças de alimentação dos shoppings centers e clubes de lazer o assunto predominante  é o tema inversão de valores, que também é o tema da espontaneidade nos intervalos das rodas de samba e nos bate-papos de esquina, mormente se o assunto for sobre o comportamento dos políticos que administram  as pequeninas cidades do interior do país.

Mas, o que é inversão de valores e o que há de tão importante neste tema ao ponto de se tornar tão emergente e borbulhante que aflora no pensamento das pessoas no convívio social neste começo do século vinte e um. A resposta é simples, basta pensar em como era a vida social e política da sociedade brasileira nos anos sessenta, pensar no começo dos anos oitenta, época do Tancredo e do governo Sarney, em comparação com os comportamentos sociais nos dias de hoje. Há uma diferença monstruosa, existe um grande abismo literário, social, político e democrático entre os espaços delineados nessas cinco ou seis décadas.

O Brasil está no caos! O povo brasileiro, principalmente os jovens, está caminhando cabisbaixo, rumo a lugar nenhum, tal como bois seguem no corredor da mangueira para o matadouro. Todavia, a sociedade há que se organizar para tentar reverter essas inversões de valores atuais, silenciar os pensamentos negativos daqueles maus políticos que tudo fazem para prejudicar o povo brasileiro e para deturpar a cabeça dos jovens que andam perdidos no meio social como se fossem cegos em tiroteio de faroeste americano.

E, para que se tenha um Brasil melhor é preciso que haja uma motivação quase que visceral para abominar os maus políticos; é preciso deixar de acreditar em políticos que nada fazem em favor da sociedade brasileira e, no dia em que o povo brasileiro começar a entender que político não está “nem aí com a rapadura”, tudo vai melhorar neste País.

No Congresso Nacional, as inversões de valores praticadas pelos políticos no comando da nação brasileira estão culminando por deteriorar os princípios fundamentais de sustentação da base familiar. Esqueceram que a família é a “Célula Máter da Sociedade”. Os verdadeiros conceitos de família estão sendo deturpados por ações políticas altamente corruptivas, tanto que pretendem denegrir os princípios bíblico e constitucional de formação da família.

Conceitos invertidos. O que é certo pra uns é errado pra outros e não há um consenso, como por exemplo, não é correto dentro dos padrões dos bons costumes, pular o muro do vizinho para apanhar uma manga sem autorização para fazê-lo, mas, ainda assim há quem cometa esse delito, apenas para satisfazer-se no momento de euforia na prática do pequeno furto e nisso há implicitamente a prática de uma inversão de valor.

Então, Inversão de valores significa fazer tudo errado em busca da satisfação do ego, que impulsiona a prática de ações não muito recomendáveis, sempre em benefício próprio, em que se deixa de cumprir os princípios éticos e morais segundo os bons costumes.

Nas escolas de nível médio, salvo exceções na maioria, não se sabe quem manda mais se é o aluno-estudante ou se é o aluno-bandido ou aprendiz de bandido. Há uma total inversão de valores e os professores, coitados, ficam encurralados, acuados, quase sem ação de comando ativo porque perderam as rédeas no domínio da imposição comportamental frente a um bando de idiotas, imbecis, que nada sabem nada querem e nada fazem para melhorar sua situação, são verdadeiros amebas e não têm visão de futuro.

Infelizmente, na maioria das escolas públicas existem alunos-bandidos combatendo professores amedrontados, sem apoio, pés e mãos atados, cérebros paralisados pelas inversões de valores perpetradas por um sistema educacional caótico, funesto, sem perspectiva de melhoras.

Lamentável que políticos maus intencionados, famílias deterioradas e a falência do sistema educacional sejam as causas dessas anomalias sociais porque atingidas por uma inversão de valores sem precedentes na história estrutural da educação na sociedade brasileira.

Na verdade, existe inversão de valores em quase tudo o que vemos ou em quase todos os atos praticados no seio da sociedade sendo certo que há uma carência de educação moral e cívica até mesmo entre as pessoas de bem da geração dos anos quarenta, que salvo exceções, foram aos poucos sendo contaminadas com as influências dos acontecimentos modernos e perniciosos que se sucedem, principalmente através da mídia televisa, eletrônica e nas redes sociais da internet.

Os pais e mães precisam voltar a ter autoridade sobre seus filhos desde a primeira infância e aos poucos transmitirem responsabilidades aos menores desde o início da puberdade, para que quando estiverem na fase da adolescência sejam rapazes e moças saudáveis, com boas personalidades próprias, com visão do futuro, com pés no chão, sabendo o querem e com objetivos definidos, pois somente assim poderemos pensar em um Brasil melhor nas próximas décadas.

A educação de base é de responsabilidade dos pais e mães, deve ser transmitida e aperfeiçoada em casa, no seio da família. Filho bem educado nunca irá sair dos trilhos quando estiver na escola ou nos meios sociais próprios da juventude no seu grupo social, porque aprendeu bem a definição de inversão de valores e aprendeu também a gostar de si próprio. Pré-adolescente ou adolescente que recebe boa orientação dos seus pais, jamais irá cometer delitos, nunca irá deixar-se atingir pela inversão de valores nem praticar qualquer ato contrário à boa ética, a boa moral e aos bons costumes no decorrer da sua juventude e durante a sua vida adulta.

Mas, enquanto não se atinja a idade adulta, então, tá pensando o quê, vivendo tempos modernos em uma sociedade moderna em que ninguém liga pra nada, tanto faz como tanto fez e a onda agora é seguir o modernismo, acompanhar o modismo social e político, seguir na cultura do tecle em tudo, seguindo em silencio e continuar teclando em tudo, conversar em silêncio é melhor, mas não são surdos não, são pessoas sadias, jovens inteligentes que gostam de seguir teclando tudo no teclado frio de um aparelho eletrônico moderno de última geração, top de linha.

Pois é! Vivemos numa sociedade moderna em que alguns aproveitadores sacanas fazem tudo errado para prejudicar as pessoas do seu convívio social, visando atingir seus próprios objetivos através da pratica de atos conceituados como inversão de valores em benefício próprios. São pessoas de condutas contrárias aos princípios éticos e de moral denegrida. São os políticos? Sei não, melhor  perguntar a eles!

Marília – SP, 31/12/2014.

savianafilho@gmail.com

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ARTIGOS de SEBASTIÃO AMARO VIANA Fº

*Agente Fiscal de Rendas (SP) aposentado desde 2009. É bacharel em Ciências Contábeis, foi Consultor fiscal e tributário na COAD –Contadores e Advogados – Revista Fiscal. Em 1988, ingressou na carreira, no PFF-Florínea, logo depois atuou em Marília. Foi Corregedor Fiscal na CORCAT.

2 Comentários to “Inversão de valores na sociedade moderna”

  1. Excelente texto, Sebastião ! Como sempre, você nos proporciona um belo material para reflexão e debate. Parabéns!

  2. Obrigado João Francisco Neto. Seu comentário muito me envaidece porque sou pequenino diante dos seus conhecimentos e formação academica e, sinto-me feliz em poder contribuir com temas que podem ser mais esmiuçados e analisados com maior profundidade histórica e literária no âmbito da ciencia política e das inversões de valores sob o aspecto social do Brasil.

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