O ano dos concursos públicos


João Francisco Neto*

Já não é novidade para ninguém: de acordo com as previsões das diversas esferas de governo no Brasil, 2013 será o ano dos concursos públicos. Ao todo, 120 mil vagas deverão ser preenchidas, segundo dados da revista Veja (16/1). Tradicionalmente visto como local de gente acomodada, o serviço público está mudando, e muito. Hoje, é grande a quantidade de jovens que procuram ingressar nos quadros do funcionalismo público, o que faz com que um expressivo contingente seja formado por funcionários bem mais novos. 

Desde o fim dos anos 1980, parte da doutrina do neoliberalismo promoveu uma espécie de demonização do funcionário público, na medida em que tudo o que havia de mal no País era simplesmente atribuído a esses trabalhadores. Inflação alta, dívida pública impagável, serviços de saúde precários, educação idem, tudo culpa de funcionários públicos.

Na época, um ex-presidente da República se elegeu com bravatas e promessas de ser um caçador de marajás do serviço público. Mais tarde, descobriu-se que os marajás estavam em outros lugares. Enfim, o que tanto atrai os jovens para a carreira pública? O candidato não precisa pedir emprego para ninguém, nem passar pelos desgastantes processos seletivos das empresas. É óbvio que, para o emprego público, também há um processo seletivo, porém as regras são outras: tudo deve constar no edital, de modo que o processo não pode reservar surpresas para ninguém. Caso contrário, o assunto vai para a Justiça. Há empresas que, ao selecionar empregados, exercitam todo tipo de preconceito e discriminação: umas não admitem negros, outras não querem gays, obesos, idosos, e por aí vai.

Na área pública, isso é descabido, de sorte que muita gente que seria vetada em algumas empresas particulares seria normalmente admitida no serviço público. Nesse sentido, a carreira pública configura-se num imenso portal de democracia, no qual todos podem adentrar. Já tive conhecimento de um senhor que, com 60 anos, foi aprovado num concurso público para uma carreira de fiscalização de impostos, com salário inicial em torno de R$ 13 mil reais. Na empresa particular, seria impensável. Muitos jovens me perguntam: quando abrirá concurso para esse ou aquele cargo? A resposta é: em breve. A administração pública é uma instituição permanente, ou seja, ela não vai fechar daqui a algum tempo, como pode ocorrer com empresas. Com o tempo, muitos funcionários se aposentam, outros pedem demissão, são demitidos, morrem, e para que o serviço público continue operando novos funcionários terão de ser admitidos. Mas as dúvidas e inseguranças permanecem: como fazer para ser aprovado nesses concursos tão difíceis e concorridos?

Não há uma fórmula universal para isso. Porém, que ninguém se iluda: a aprovação somente virá com muito estudo, determinação, perseverança, paciência, dedicação e foco, para usar uma expressão bem atual. Sem isso, não valerá a pena perder o tempo e nem o valor da taxa de inscrição.

jfrancis@usp.br

*João Francisco Neto – Agente Fiscal de Rendas, doutor em Direito Financeiro pela Faculdade de Direito da USP 

ARTIGOS de JOÃO FRANCISCO NETO

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