Il Capo di Tutti Capi – O grande “chefe dos chefes”

chico.barroso11Francisco das Chagas Barroso

Em um lugar muito, muito distante, supostamente numa província onde se comia muita Calabrezza, havia um poderoso político envolvido em corrupção. Em sua fazenda, criava Vaccari. Dizia a lenda que na horta do uomo chovia muito dinheiro, quase houve um Delúbio de verdinhas.

Solidário e benevolente, no poder, dava dinheiro, pão e circo ao povo, e no subterrâneo, em seus auspiciosos esquemas com grandes corporações, distribuía os dividendos criminosos com as bases de sua extensa famiglia e aliados. Isso fazia com que fosse o provedor maior nas disputas eleitorais, quase sempre bem sucedidas, para manter o poder.

Mas, apesar de suas estripulias evidentes para qualquer homem médio, o capo di tutti capi não aparecia, ninguém conseguia pegá-lo. Ele tinha um Testonni de ferro, um compadre, que fazia o trabalho sujo e um grupo poderoso de políticos e da justiça que o blindavam. O cara era eficiente, não comia mosquinni em serviço.

Mas o seu pecado maior foi abusar dos esquemas que engendrava e do poder que detinha. Fatos graves alcançaram o ouro negro – a riqueza maledita da nação que brota das profundezas da terra. Interesses maiores foram feridos. Os valores surrupiados eram gigantescos. Então, algumas escassas almas sérias e honestas iniciaram uma intensa investigação.

Delações, interrogatórios, campanas, quebras de sigilos, escutas, etc,…..e, pasmem!!! Descobriram que aquele “capo dos capos”, o mestre do cinismo e da dissimulação, o suposto malfazejo dos Apeninos… era, na verdade, de Caetés, uma pequena cidade de “cabras machos” no nordeste de um país situado abaixo da linha do Equador, onde mantinha suas bases e onde estendia seus tentáculos maléficos para além da península. Naquelas bandas, o “chefe dos chefes” era quase um santo. Venerado pela massa ignaria, sua imagem de barro era adorada nos rincões miseráveis de terras secas.

Naquele país pouco civilizado -onde imperava o crime e a impunidade; onde o futebol corria no sangue; onde a folia profana e a bunda das mulatas eram o cartão de visitas; onde ir à padaria da esquina e voltar são e salvo era uma aventura -as organizações criminosas no meio político, empresarial e jurídico faziam a Ndrangheta e Cosa Nostra parecerem conventos de freiras.

No curso das investigações, todas as evidências e provas eram irrefutáveis. Enfim, o chefe dos chefes foi desmascarado. Após um longo processo, malas pretas, rezas brabas, receitas de Rivotril e o “rigor” dos “capaspretas” da cúpula da giustizia, muitos deles nomeados pelo próprio capo, ninguém foi punido,  tudo terminou numa grande Pizzolato.E o pior: o maledito continuou sendo idolatrado.

Mas o curso da história e as novas gerações foram implacáveis com o “capo di tutti capi” tupiniquim, conferindo-lhe apenas algumas notas de rodapé no livro das personalidades, colocando-o no seu devido lugar: no rol dos grandes mafiosos.

franchaba@bol.com.br

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3 Comentários to “Il Capo di Tutti Capi – O grande “chefe dos chefes””

  1. A lei maior da existência, lei básica do Universo, a Lei da Ação e Reação, garantia da Justiça Cósmica, acontecerá, como sempre se fez, “per omnia saecula saeculorum”.

  2. Porco cane!…maledetto!…

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