De índios a Haddad, de D. Pedro II ao Sinafresp…

Edison Farah

Diletos,

é essencial que, como quadros de elite, pertencentes que somos à classe superior do funcionalismo público nacional, estejamos sempre atentos e abertos ao que acontece no mundo, e tenhamos um “aggiornamento” constante sobre o pensamento no planeta, sob a ótica das mais variadas correntes ideológicas e filosóficas, para assim, tentarmos obter alguma claridade para nossas conclusões e linhas de pensamento que norteiam nosso comportamento e nossas decisões, sejam as pessoais, sejam as profissionais, para que nossas ações sejam coerentes com o que cada um de nós tenha como correto. Mormente as ações profissionais, que afetam nossos conterrâneos, e que, muita vez, têm repercussão coletiva.

Nesta esteira tenho sempre encaminhado textos diversos para reflexão, e escolho temas  aleatoriamente, de futebol à Platão, de Silvio Santos a Bergman, de Michel Teló -ai seu eu te pego-, a Puccini.

Leiam este Gelio Fregapani-comentário 151 (ao final do artigo). No meu parco entendimento, o que ele diz confirma que, tal qual desde que me conheço por gente, aqui continuamos ao ser um pasto para os interesses dos donos do mundo, sem nenhuma alternativa, porque, por malsã formação do caráter, ao contrário de alguns outros povos, cá não existem, -e por índole deturpada através dos tempos-, nunca existirão, verdadeiros estadistas. Os poucos que tivemos foram execrados pelo poder dominante, que soube e sabe desmoralizar os sentimentos nobres, e quer o povo mantido estulto, perdido nas orgias da pseudo-liberdade do escracho, acreditando que isso seja “democracia”. Vide nossa mídia, e a progressiva degeneração dos costumes e da família.

Para mim confirma-se cada vez mais minha íntima sensação de que a republica foi a tragédia brasileira. E a República Nova, pós Getúlio Vargas, superou-se em decadência pela Nova República de Tancredo.

Na República Velha ainda havia algum patriotismo.

A exilar-se D. Pedro II, o Brasil eliminou a possibilidade de ser Nação.

A república que vivemos é um valhacouto de gangsteres a serviço do banditismo planetário, afirmo-o com absoluta convicção.

Abraços sinafrespianos, com votos de que os agora ungidos concretizem a frustrada prometida missão da Superação, que era criar um verdadeiro SINDICATO. E transformar os AFRs paulistas num TIME.jogovelha

Também continuo afirmando que, até agora, nunca tivemos SINDICATO.

Sindicato é time. Time tem líderes.

A vacância de candidatos para o Conselho em diversas delegacias atesta o fracasso político absoluto da gestão que termina.

Novamente peço perdão aos colegas pelo enfático apoio que hipotequei à Superação em 2009.

farah.edison@gmail.com

NOTA: Os textos assinados não refletem necessariamente a opinião do BLOG do AFR,  sendo de única e exclusiva responsabilidade de cada autor.

ARTIGOS e PERFIL de EDISON FARAH (SP)

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A N E X O S

Comentário 151 – 10 de novembro de 2012
Gelio Fregapani

Assuntos: Sob ataqueAs Veias abertas, Eleições Municipais, e CIMI

Economia e a integridade territorial sob ataque
Os movimentos indigenista e ambientalista internacionais atacam em dois flancos; um jogo perigoso para a economia e até para a  integridade territorial do nosso País. Por um lado retardam, quando não impedem as obras de infraestrutura como as indispensáveis hidrelétricas e as estradas que permitiriam o escoamento da gigantesca produção agrícola do Centro-Oeste. No outro flanco, conseguem transformar terras produtivas em inúteis reservas indígenas e ambientais, criando tal instabilidade jurídica sobre a propriedade que, se não inviabiliza, muito prejudica a produtividade. As ONGs, a Funai e o Ibama são peças de manobra. Fazem pressões internacionais, inviabilizam a agricultura, desrespeitam as nossas leis e facilitam a venda de vastos territórios a estrangeiros. O resultado é que as demarcações indígenas e reservas florestais estão sob o controle de ONGs internacionais. As pressões estrangeiras deveriam ser enfrentadas com altivez e tanto a Funai como o Ibama deveriam ser extintos por serem prejudiciais ao País. Fico envergonhado quando o meu Exército, mal orientado, auxilia alguma dessas nocivas entidades. A participação na ONU na problemática indígena só fez potencializar o sentimento separatista naquelas comunidades.

Mesmo com boa vontade não se pode negar que a política indigenista seguida desde antes da Nova República deu margem para uma convivência com o gentio, plena de atos violentos, à margem da lei, criminosos mesmo, na medida em que os silvícolas, na luta pelos seus desígnios, se julgam no direito de  ameaçar, seqüestrar, bloquear estradas, cobrar pedágios, incendiar postos policiais, invadir e ocupar propriedades rurais, um terrorismo desusado a que não estávamos acostumados quando palmilhávamos um chão que, até então, não estava submetido ao “sistema de cotas”.

Sabemos o que acontecerá nos verdadeiros “curdistões”, Ianomami e Raposa Serra do Sol, quando a ONU resolver garantir-lhes a independência, ou mesmo quando países hegemônicos mobilizarem suas as Forças Especiais para a arregimentação das tribos naquelas riquíssimas reservas numa guerra de 4ª geração. Ainda é fácil prevenir. Difícil será remediar.

As Veias abertas pela remessa de lucros
O sinal de alerta da indústria brasileira continua após resultado industrial de setembro. Mesmo com as medidas de incentivo que o Governo tem adotado para ajudar o setor, ainda assim a produção caiu e a expectativa é que a indústria encerre o ano no vermelho. O ato é que a nossa produção industrial vem caindo apesar dos incentivos. Cresce a importação e decresce a exportação de manufaturas. A indústria é o primeiro elo da cadeia. Em pouco tempo o comércio sentirá esse efeito.

Este não é o único problema, pior ainda é que raramente identificamos uma industria realmente nacional, com capital nacional e direção também nacional, e naturalmente o interesse principal delas é a remessa de lucros. È isto o que caracteriza as “veias abertas.

Nem sempre as multinacionais são maléficas. Certamente é melhor ter uma “multi” instalada no País do que importar. Muitas vezes trazem tecnologia inexistente, e eventualmente se nacionalizam, mas…

É óbvio que elas cuidarão primeiro de política de seus países,como a Detroit Diesel que retirou sua fábrica do Brasil quando a fabricação aqui prejudicou a venda de blindados americanos para os árabes. Além dos interesses políticos do estrangeiro temos a evasão de divisas, a qual, após certo volume passa a ser uma drenagem insuportável.

Há razões para não termos uma indústria de automóvel própria? Claro: a pressão das multinacionais e a corrupção dos nossos maus dirigentes. Nada justifica, considerando o tamanho do nosso mercado Ausência de tecnologia? Não é motivo; quando realmente não a tínhamos, atraímos a Willys, que se nacionalizou. Foi construída com ações lançadas aqui. Como não tinha expressão nos EUA e lá não podia competir, agigantou-se no nosso País e desenvolveu carros realmente nacionais de sucesso. Foi vendida (para a Ford), somente para ser destruída. Mais recentemente, Amaral Gurgel também construiu carros nacionais. Foi derrubado pelos governadores de São Paulo e do Ceará, certamente a soldo da Ford.

As multi, por natureza, são monopolistas e facilmente impedem o nascimento de industrias locais. A americana Praxair Inc. é a proprietária da totalidade das ações da líder do mercado brasileiro de gases medicinais e industriais – empresa que, durante o governo Lula, se tornou a sócia majoritária, da Gemini, uma sociedade constituída para produzir e comercializar gás natural liquefeito, que não só monopoliza como algo indica que também corrompe. E os bancos estrangeiros (os nacionais parecem estar se desnacionalizando)  aqui são os mais lucrativos do mundo, – a Presidente Dilma enfrentará fortes problemas por diminuir os juros.  Os portos também são colocados em mãos privadas estrangeiras. Existe até porto no interior do Amazonas controlado por empresa estrangeira, com entrada restrita aos brasileiros. O ensino superior privatizado também está passando para as mãos de estrangeiros. E a quanto mineração?o nióbio é vendido para o exterior  subfaturado. lesando o cofre do governo.

Talvez mais grave do que a desnacionalização noutro ramo industrial seja a desnacionalização da chamada indústria da defesa. As multinacionais estão entrando com força no mercado nacional, para ocupar um setor altamente estratégico. Até o que aparenta ser nosso, como a CBC tem sua sede no exterior

É preocupante, além do aspecto econômico que o Estado pondere as terríveis consequências da admissão desmesurada de empresas alienígenas em nosso redivivo parque militar-industrial se quiser manter as vantagens que tem.

O leitor perguntará: E o que posso eu fazer? – Pode, para começar, dar preferência aos produtos nacionais, se conseguir identificá-los, ao menos em igualdade de condições. Querendo ir além, leia algo de Alexander Hamilton e Friedrich Litz. Saberá bem o caminho para nossa independência.

Considerações sobre as Eleições Municipais em São Paulo
É difícil entender: pelo jeito o Russomano resolveu desafiar o sentimento católico da maioria, e o clero, atuando num ponto eleitoralmente nevrálgico, salvou exatamente os mais nefastos candidatos, e, paradoxalmente, os mais anticlericais. Com isto sobrou aos paulistanos uma “escolha de Sofia” ao contrário, ou seja escolher o menos ruim.entre um entreguista de carteirinha e um desmiolado. Escolheu o desmiolado, seja por rejeição ao entreguista, seja por influência do Lula.

O que podemos esperar? Certamente que se esforçará, em São Paulo, para que desapareça a cultura e que seja destruído o idioma e a linguagem culta; para que a instituição da família seja degradada facilitando a sua destruição formal e para que o comunismo finque suas raízes na maior cidade do Hemisfério Sul.

Ainda sobra uma esperança, por mínima que seja que tenhamos uma surpresa. Afinal a expectativa de meus principais amigos (e também a minha) era que a então candidata Dilma seria uma presidente revanchista, cheia de ódio pelas Forças Armadas e que se interessasse apenas pelo seu partido, pouco ligando para o País. Que fosse facilitar tudo para o MST e para os movimentos indigenistas. Que fosse destruir o agronegócio. Surpreendentemente aconteceu diferente. Graças a Deus, pelo menos ate agora.

Acho difícil acontecer nova surpresa, com esse desmiolado que até agora estragou tudo em que se meteu.

Diferentes modos e encarar os movimentos militares
Há uma entranhada aversão à necessária revolução de 64 enquanto só se ouvem loas ao traiçoeiro evento de 1889 que comemoraremos no próximo dia 15, como sendo a “Proclamação da República”. Se ainda estivesse vivo na ocasião, seguramente Caxias não deixaria que tivéssemos a nossa maior e mais indigna quartelada. Com ela expulsamos do cenário o  nosso melhor dirigente, Pedro II e com ele, ao que parece, se foi a dignidade dos Governos.

STF
Não há dúvida de que o mensalão existiu e nem que deputados foram comprados para integrar a base do governo, Desta vez o STF está agindo do lado da decência, coisa que não houve em casos anteriores engavetadas na época de FHC.

É certo que agora o STF está agindo no interesse da sociedade. Se seu histórico não foi edificante no caso da Raposa-Serra do Sol ou mesmo quando esteve em causa algo de interesse de laranjas de bancos estrangeiros, como Daniel Dantas e Cacciola, agora parece que mudou e merece nosso aplauso. Que continue assim é o que esperamos.

Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
Em sua percepção do mundo, os religiosos do Cimi, no Centro Oeste, alimentam a cabeça dos índios com a ideia de que devem unir-se contra os brancos em uma grande “nação guarani”, cujo território  coincidiria com a zona mais produtiva do agronegócio em Mato Grosso do Sul. Orientam os índios a invadir propriedades e a Funai os apoia.

Nenhuma dessas entidades quer ajudar aos índios. Recusam qualquer oportunidade de integração. Realmente procuram dividir o nosso País em inviáveis nações étnicas, o que só traria vantagens ao estrangeiro, na concorrência das commodities agrícolas. Isto na verdade se chama traição.

Bem, e quanto aos índios?  E quanto a cultura deles? – Uma cultura evolui em contato com as outras. Nós aprendemos e assimilamos aspectos da cultura indígena e será natural que os índios aprendam algo com a nossa. Aliás, a cultura indígena original não existe mais. Agora em vez de tacapes querem é lap tops, caminhonetes e viajar de avião, como todo o mundo.

Claro que os índios merecem todo apoio, desde que se integrem na sociedade nacional, e fatalmente na vida moderna. Enquanto os índios tiverem a vida manipulada pelos traidores do Cimi, pelos ideólogos da Funai e pelas ONGs de orientação estrangeira, seu destino será de sofrimento e penúria.

Que Deus guarde a todos nós

 * * *

50 anos da Crise dos Mísseis de Cuba: lições atuais

Editora MSIa – Lorenzo Carrasco

No último meio século, a Crise dos Mísseis de Cuba tem sido tratada como o momento mais perigoso da Guerra Fria, quando o mundo esteve às portas de um conflito nuclear entre as superpotências, cujas consequências teriam sido verdadeiramente apocalípticas. Hoje, sabe-se que o perigo foi bem maior que o percebido na época e que o Armagedon foi evitado apenas pelas ações determinadas de um pequeno punhado de homens que, em Washington, Moscou e no Mar do Caribe, tiveram a coragem de manter a lucidez em momentos críticos e de rever conceitos enraizados por quase duas décadas de confrontação ideológica e militarista, resistindo às fortíssimas pressões dos belicistas de plantão em ambos os lados, que, como alguns de seus sucessores de hoje, apostavam numa grande c onflagração como meio para a consecução dos seus desígnios hegemônicos. Apenas por esses motivos, o cinquentenário dos 13 dias que abalaram o mundo já seria uma oportunidade para uma recordação daqueles momentos cruciais, dos quais alguns ensinamentos preciosos precisam ser apreendidos pelos indivíduos situados nos altos postos e responsáveis por decisões que influenciam todo o planeta.

A crise se desdobrou entre os dias 16 e 28 de outubro de 1962, depois que um avião de reconhecimento estadunidense descobriu que os soviéticos estavam instalando mísseis nucleares de alcance médio em Cuba, capazes de atingir em poucos minutos uma série de alvos na Costa Leste e no Sul dos EUA. A medida, com a qual o Kremlin pretendia contrabalançar a grande superioridade numérica de que os EUA detinham, então, em mísseis balísticos de longo alcance, provocou uma imediata reação de Washington, com o Estado-Maior Conjunto, recheado de “falcões”, recomendando ao presidente John F. Kennedy (1961-1963) a realização imediata de ataques aéreos às bases dos mísseis em Cuba, seguida, em poucos dias, por uma invasão da ilha caribenha.

Referindo-se à I Guerra Mundial e, em particular, ao célebre best-seller de Barbara Tuchman, Os canhões de agosto, Kennedy insistia em ressaltar a inadequação das táticas e respostas militares convencionais em uma era de armamentos nucleares, cujo emprego quase inevitável seria devastador. Em vez de ações diretas, optou por um bloqueio naval, com o qual os navios que se destinavam a Cuba seriam interceptados pela Marinha dos EUA e inspecionados, em busca de armas. Ao final, com a ajuda crucial de uma ativa diplomacia de bastidores entre Kennedy e o premier soviético Nikita Krushchov, os mísseis foram retirados, em troca do compromisso do presidente de não invadir Cuba e de retirar em alguns meses os mísseis intercontinentais estadunidenses baseados na Turquia e n a Itália, desde que esta parte do acordo não fosse divulgada pelo Kremlin.

No decorrer da crise, houve vários episódios em que a situação esteve muito perto de sair do controle: quando os “falcões” do Pentágono determinaram que o nível de alerta das forças estratégicas estadunidenses fosse elevado ao penúltimo estágio antes da guerra (Defcon 2) e efetuaram um teste de um míssil nuclear, sem avisar o presidente; quando um avião de reconhecimento U-2 foi abatido sobre Cuba, com a morte do piloto; e, no mesmo dia, quando um submarino soviético esteve a um passo de disparar um torpedo nuclear contra a força-tarefa estadunidense que o acossava. Durante todo o tempo, tanto Kennedy como Krushchov receberam fortes pressões dos respectivos “linhas duras” em favor de uma opção militar para o imbróglio.

Na ocasião, a histórica afirmativa do secretário de Estado Dean Rusk, um dos belicistas encastelados no gabinete de Kennedy, denota o estado de espírito dos seus compatriotas de todas as épocas, que veem nos EUA a nação predestinada à hegemonia global incontestável: “Nós nos vimos olho no olho, e eu acho que o outro cara, simplesmente, piscou.”

Não obstante, o episódio acabou promovendo uma espécie de epifania nos dois líderes, que mantiveram uma correspondência privada sigilosa, durante os meses seguintes, até o assassinato de JFK, em novembro de 1963, na qual chegaram a acenar com o fim da Guerra Fria e a possibilidade de uma cooperação científico-tecnológica conjunta para a exploração espacial.

Em um oportuno artigo publicado em 26 de outubro, o comentarista político da rede russa RT, Sergey Strokan, destaca cinco lições da crise para os nossos dias.

A primeira é que “respostas assimétricas”, como a que Krushchov tentou impor aos EUA, constituem empreitadas extremamente arriscadas: “Elas são a herança da Guerra Fria e não têm lugar no mundo de hoje. Em vez de respostas assimétricas, os líderes deveriam entender que qualquer tentativa de construir a segurança das suas nações em detrimento das demais, ao final das contas, resultará apenas em insegurança.”

A segunda lição, diz, é que “a resolução de crises – tanto globais como regionais – deveria se basear em restrição por parte dos líderes e excluir, de forma inequívoca, as guerras como instrumentos de política mundial. Alguns dizem que, 50 anos após a crise cubana, é extremo idealismo e wishful thinking acreditar que os líderes de hoje seguiriam este princípio, considerando as guerras no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria e a retórica belicista contra o Irã. Entrentanto, Kennedy e Krushchov demonstraram que um tal código de conduta não é, de modo algum, impossível”.

A terceira “é a noção de que, em uma crise do gênero, há sempre circunstâncias acidentais que possam, eventualmente, provocar uma escalada fora do controle dos líderes. Quando o bloqueio estadunidense de Cuba entrou em vigor e submarinos soviéticos se aproximaram, Kennedy ordenou que os navios estadunidenses disparassem pequenas cargas de profundidade contra eles, para forçá-los a vir à superfície. Os historiadores dizem que Kennedy não sabia que os submarinos levavam torpedos nucleares e estiveram perto de usá-los”.

A quarta lição para as relações russo-estadunidenses é que, “rotulando o outro como o inimigo número um, como o Sr. [Mitt] Romney faz hoje, é, para dizer o mínimo, uma prática surrada e esdrúxula – esta é uma mentalidade ultrapassada e obsoleta. Os líderes que se aferram a velhos dogmas, provavelmente, foram maus estudantes de História. Hoje, eles se parecem a homens presos no passado. Permita-se que tenham uma visão melhor das poltronas usadas por Kennedy e Krushchov, durante as suas conversas em Viena, ou considere-se como, logo após a Crise dos Mísseis, Kennedy e Krushchov iniciaram a sua própria ‘religação’ [reset, no original – n.e.], assinando um acordo comercial exclusivo, em 1963. E, menos de um ano após a crise, falando no plenário da ON U, em 20 de setembro de 1963, JFK propôs uma exploração espacial conjunta estadunidense-soviética”.

“Alguns dizem que, tanto para os EUA como para a Rússia, outubro é um mês assustador – não apenas por causa da Revolução Bolchevique e do Halloween, mas por causa da Crise dos Mísseis de Cuba. Entretanto, os desastres podem ser facilmente evitados, quando egos nacionais e paranoias cedem lugar a um novo pragmatismo, comumente, descoberto com enormes dificuldades, após crises e erros. Esta é a quinta e última lição a ser aprendida da crise cubana”, conclui Strokan.

Acima de tudo, a superação da Crise dos Mísseis sinalizou com a possibilidade de uma substituição da corrida armamentista da Guerra Fria por uma estratégia cooperativa entre as duas superpotências, inclusive, com uma liderança conjunta da exploração espacial. No contexto geral, tal quadro proporcionaria uma retomada da agenda das “quatro liberdades” proclamada pelo presidente Franklin D. Roosevelt durante a II Guerra Mundial (de palavra e expressão, de culto, da miséria e do medo), além de recolocar as relações entre os EUA e a URSS no molde cooperativo pretendidos por ele para o pós-guerra, sepultado pelo advento do confronto ideológico. Desafortunadamente, o assassinato de Kennedy implicou na anulação imediata de tal perspectiva, que tinha o potencial par a elevar a Humanidade como um todo a um patamar civilizatório superior, e abriu as portas para a consolidação do conjunto de interesses agrupado em torno do complexo industrial-militar estadunidense e do sistema financeiro internacional controlado pelo eixo Wall Street-City de Londres, aliança hegemônica que tem dominado as políticas de todos os presidentes estadunidenses, desde então.

Assim, a superação da presente crise global somente será possível se for retomado o enfoque positivo que emergiu da Crise dos Mísseis. A alternativa é manter o mundo refém da mesma dinâmica belicista que, em outubro de 1962, o levou bem perto da devastação nuclear.

* * *

2 Comentários to “De índios a Haddad, de D. Pedro II ao Sinafresp…”

  1. O Farah costura uma bela colcha de retalhos em seu artigo e diz grandes verdades. Busca ilações que vêm do passado já remoto e chega aos nossos dias, à nossa república quase republicana, e à nossa vidinha sindical tão à deriva.
    A questão das lideranças é das mais fundamentais nesse artigo. Os líderes de hoje despontam no mercado de interesses de grupos e/ou vaidades pessoais, raramente em torno de ideias e do interesse comum. A disputa política se torna um mercado eleitoral, meramente eleitoral, em que o vale-tudo vale mesmo. Os políticos se apresentam feito sabonetes ou cervejas, e o povo os compra não pelo que são de fato, mas pela espuma que fazem sobre pele e lábios de lindas mulheres seminuas.
    É o marketing que constrói as lideranças de hoje. Ganha quem melhor se apresenta, quem melhor se produz, quem melhor usa o microfone, quem é melhor ator, e não necessariamente quem tem melhores projetos, quem é mais ponderado, quem é mais realista, quem é mais conciliador, quem é mais idealista, quem tem os pés no chão e a mente no céu.
    E o processo de construção obviamente passa pelo massacre da repetição do slogan, até que a mensagem ossifique a inteligência de quem a ouve e se sedimente no cérebro como se fora uma verdade acima de qualquer suspeita.
    Estamos vivendo, de algumas décadas para cá, a democracia imposta pelo marketing, a democracia midiática.
    Até mesmo aqui, na nossa vidinha sindical.
    Não tenho dúvida nenhuma de que duas cartas do deputado mais engajado (no sentido de que mergulhou de cabeça na luta), e mais querido da classe também, sem dúvida, foram decisivas na última eleição. As cartas vendiam um sabonete com determinadas características, um produto ideal, do sonho de todo consumidor, e o associava a determinada chapa, que de fato tinha um pouco da espuma sugerida, embora lhe faltassem os óleos essenciais e o fixador da fragrância não era lá essas coisas, para dizer a verdade causava até umas urticárias…
    De todo modo, o massacre da informação apoiadora, que chegou por correio, e-mails, newsletters e site, em volume muito superior ao do adversário, foi decisivo para convencer o consumidor… digo, o eleitor. Até tentamos compensar o efeito massacrante dessa mídia ostensiva e de peso indiscutível na classe, com alguma reflexão objetiva sobre o que de fato estava em disputa, mas opinião alternativa nenhuma supera, por enquanto, a mídia do sabonete. Se bem que com a internet, os blogueiros, a democratização das opiniões, também a mídia está começando a mudar.
    Agora é esperar que o produto anunciado realmente se transforme no anúncio.
    Se este fato ocorrer, conforme esperamos, se vier a prometida união da classe, se vierem propostas mais flexíveis e convincentes, se a luta sair da mesmice, talvez em futuro próximo o nosso deputado mereça também o adjetivo de visionário. Ou não. Todo gesto político é sempre arriscado.
    Parabéns, Farah, pelo artigo, pela concatenada colcha de retalhos, obrigado pelos comentários em outras postagens suas, e vamos em frente, pois postura crítica não se constrói da noite para o dia, mas creio que estamos evoluindo. Abraço fraterno.

  2. Já não basta o povo e a categoria terem que implorar pelos seus direitos para os governantes de plantão que por vezes se portam como reis e administram para seus próprios interesses mas podem ser retirados por voto popular?
    Já não basta os horrores praticados pelos reis, pelo comunismo real e pelas ditaduras militares contra a liberdade de expressão, assediando e muitas vezes eliminando pessoas para calar suas vozes.?
    Sou totalmente contra monarquias e ditaduras mas entendo que este não é local para debater o assunto. Nos assuntos da categoria, as opiniões divergentes sobre outras matérias não devem atrapalhar a união possível.
    Quanto às eleições sindicais democráticas, não podemos alegar, como costumeiramente e infelizmente se faz em relação ao povo brasileiro, que se trata de um monte de analfabetos e desinformados que são influenciados por propaganda pré-eleitoral. Os AFRs votaram com sua consciência e esta decisão deve ser respeitada.

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