Robin Hood é paraibano

Todo adulto tem gravado em sua memória histórias da infância. E Robin Hood foi pra mim um grande herói: tirava dos ricos para dar aos pobres. Se partido político tivesse, talvez teria sido o único e verdadeiro herói socialista que se tem notícia. Já fiz uma crônica parecida com o nosso governador Ricardo Coutinho quando então, prefeito da capital, em relação ao IPTU. Hoje a crônica mantém o seu cortejo, porém, o foco é bem maior.

O Robin alaranjado, da modernidade, dessa prosaica história das demissões no nosso estado, me fez lembrar o bando alegre que habitava a floresta de Sherwood, na Inglaterra medieval. E o tempo não me deixa mentir, pois Robin Hood não roubava, apenas resgatava o que o povo perdia nos exorbitantes impostos cobrados pelo famigerado príncipe João.

Na Paraíba, nossa antiga Filipéia que não é tão medieval como imaginam, o governador usando como arco-e-flexa as demissões de pequenos servidores, quer se passar por um “Robin Hood” tabajara: cobra menos dos ricos para cobrar mais dos pobres. Ora viva! Desta forma não mete inveja ao herói inglês.

Na realidade, o que a mídia local tem divulgado não é bem assim, aí, como sabemos que de boas intenções o “inferno está cheio”, mostra a opinião popular, que o nosso Robin Hood não comete injustiças, não revelando seu outro lado de príncipe João.

Não é privilégio só do paraibano, como confabula o paraense Orlando Tadeu, e aqui ouso retratar suas palavras, que vê em seu estado o mesmo problema. Não sei, também, se pelas terras cearense do amigo Liduino, o arco-e-flexa é tão certeiro quanto aqui na Paraíba e retrata “o maior golpe do mundo, que os deixa com o coração de luto”. Em nossa terrinha nordestina de sol escaldante, são inúmeras as lamurias de muitos pais de família, acomodados há anos nas sombras do erário, sobrevivendo com míseros e parcos salários, que hoje estão privados da visitar a budega da esquina, demitidos sem que um argumento plausível seja assimilado pela população. Não se pode corrigir abruptamente anomalias que perduram há décadas, sem que tenha havido ou aberto um canal de comunicação com a sociedade. A inovação de administrar executada pelo governo estadual, em alguns casos configura um verdadeiro saque na pobreza da TV preto e branco, na panela do feijão com arroz.

O medo é que os valores arrecadados, ou economizados deixem a floresta da sobrevivência, para investimentos na banda larga, na TV a cabo, no filé mignon. O certo é que: quem recebia quantia tão irrisória, certamente não habitava nenhum castelo medieval da antiga Inglaterra, sr. Governador.

Quando das minhas aulas de Educação Fiscal pelo sertão do estado, sempre considerei que é louvável a intenção de se socializar, não só os impostos, como também, toda a estrutura da administração pública voltada para a população, pois a lógica, a justiça e a cidadania, mandam pagar mais, distribuir mais quem mais tem, para que a grande maioria pague menos ou nada. É preciso que o poder público do estado compreenda que um mundo onde o econômico predomina, não há mais espaço nem floresta para Robin Hood e que distribui melhor riqueza quem melhor arrecada e quem melhor administra com competência e visão social. Ressalto e confio que a história política do governador indica uma revisão na floresta administrativa do estado. Os desencastelados barnabés provisórios, exonerados, com certeza irão agradecer.

Amadeu Robson M. Cordeiro

Auditor Fiscal do Estado da Paraíba

ARTIGOS de AMADEU CORDEIRO

PARTICIPE, deixando sua opinião sobre o post:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: