Governo… custe o que custar

Amadeu Robson Cordeiro

Quando se escreve um artigo você está sujeito a elogios ou criticas, estas, muitas vezes de forma agressiva. Neste particular cheguei à conclusão por experiência própria de que o comportamento defensivo se externa quando a pessoa, através de sua desconfiança, imagina um perigo no grupo, desgastando, portanto, suas energias numa auto defesa que pode ser inútil se o perigo não for real e não passar de uma mera “encucação” individual. Sim, há pessoas inseguras ou medrosas, que nunca estão no seu natural. Colocam-se sempre na defensiva, preocupadas consigo mesmas, num esforço desmedido em saber como estão sendo vistas pelos outros, como devem fazer para serem identificadas de forma mais favorável: como vencer, como impressionar, manter-se impune ou, então, como reduzir ou evitar em suas alucinações sua exposição ao grupo.

Enfim, é apenas um desabafo localizado. Não que vá mudar o que quer que seja, mas sempre é uma opinião particular, “livre” e não há nada melhor para o fígado do que libertar a bílis em excesso.

Bom, mais o texto agora escrito é para o governo e retrata um pouco das suas atitudes de desrespeito ao servidor público. Por esta via existem palavras, frases, atos, formas de dizer às coisas que têm um estranho e desconfortável condão de nos indignar. Sim, bem dentro do nosso íntimo. E há gente, pessoas, que apesar de investidos de responsabilidades na primeira linha da hierarquia que são capazes de esgrimir essas palavras, essas frases, esses atos, essa forma de dizer as coisas de modo a deixar-nos abatidos e indignados.

Do alto da sua cátedra de arrogância, como se o fortuito apoio parlamentar majoritário lhe conferisse poder absoluto e discricionário, o governo com ar sério e ditatorial tenta emplacar o “custe o que custar” aos servidores públicos, suprimindo seus direitos, usurpando seus Planos de Cargos e Carreira, Subsídios, como se resumissem a uma cambada de analfabetos, de otários desarticulados.

Lembre-se Sr. Governador, que nessa sua atual escola de doutrina oficial hoje implantada, outrora fostes o rebelde, o defensor camuflado e contumaz desta mesma cambada, iludida, enganada, ou não se lembras?

Sinceramente, muito me agradaria não ter que voltar a certos temas. Mas é sua insistência em desmantelar categorias no “custe o que custar” que nos dá um remoído, um nojo, uma enervante indignação. Só para registrar, o Sr. Governador certamente não utiliza os transportes públicos. Não precisa, ainda que o seu vencimento mal lhe chegue para os seus botões. O povão está aí para lhe pagar as deslocações em viatura oficial de ultima geração, diárias polpudas, aviões, indumentária de grife, luxo…muito luxo. Alias, a sua alimentação paga por todos os paraibanos é uma afronta, uma falta de respeito ao povo. A esse povinho, nem pão, nem leite. Mas, na residência oficial o capitão Nemo e sua varinha mágica de pescar poderão transformar um intransigente magro num glutão obsessivo… num esmeril chinês.

Aconselharia o nosso Governador a conversar com o povo. Tente Excelência fazer uma visita ao IPEP, a Associações dos Policiais, Delegados, Professores, Médicos (saúde em geral), dos Defensores Públicos. Converse com as entidades dos Auditores Fiscais do Estado e no todo terás uma visão ampla da sua administração, porque, administrar um Estado não se resume tão somente em concreto, ferro e lama asfáltica, muitas vezes resquícios da administração anterior. São recursos para alimentos de que o povo necessita.

O nosso Governador não freqüenta os cafés do centro das cidades, nem as mercearias, nem os mercados, nem as barbearias, nem as farmácias, nem as padarias, acredito que nem mesmo os grandes shoppings comerciais. Não precisa, tem mordomias pessoais que satisfazem todas as suas necessidades. Ele não sabe o que é um boleto bancário, não sofre com Plano de Saúde que virou comércio pela usura e insensibilidade de gestores, não sabe o que um empréstimo consignado que se renova semestralmente para cobrir despesas familiares, aí, incluídos alimentação, remédios, aluguel, prestações, escolas…

Por estas razões, o Sr. Governador que não utiliza transportes público, cafés, mercearias, mercados, farmácias, padarias, grandes shoppings, não ouve o choro, não vê a fome das pessoas simples, do povo, que ganham no final do mês uma miséria para a sua sobrevivência. Portanto, é triste, muito triste mesmo, ouvirmos com insistência que o Sr. Governador despreza o servidor público como se fosse uma praga a contaminá-lo.

O mais justo seria o Sr. Governador ser confrontado com a necessidade de viver, nem que fosse apenas durante escassos dois ou três meses, exclusivamente com o salário mínimo para ver como é que depois iria falar. Se teria força muscular para bodejar alguma sensatez.

Não é justo, não é digno que o governo arraste o seu funcionalismo público para uma situação de descalabro como a que assistimos atualmente.

amadeu.rmc@ig.com.br

Auditor Fiscal e Colunista: www.fenafisco.org.brwww.patosemcena.com.brwww.blogdoafr.comwww.aafep.com.br.

ARTIGOS de AMADEU CORDEIRO

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