Designados x exonerados

Amadeu Robson Machado Cordeiro

Vendo com os meus próprios olhos e bem perto de pessoas amigas, passo a acreditar que a hipocrisia fica mais evidente logo após as disputas eleitorais. Pois é, aí no leilão do sobe e desce dos cargos públicos muitos choram, outros tantos sorriem e assim a ambição torna-se uma companheira esgrimia, capaz de desnudar amizades que se consolidaram há longas datas. Melhor perder um cargo do que um amigo. Será verdade?

Não se iluda caro leitor, existem apertos de mãos hercúleos, abraços sufocantes, olhares solidários e comovidos que se escondem sob o véu turvo da inveja, que se ofuscam no lodo de mentes maliciosas, satisfeitas por sua perda e que resmungam sorrateiramente dentro dos neurônios atrofiados e corrompidos: “sofra para eu sorrir”.

A vida caminha a passos longos e na insignificância dos nossos dias vejo que existe sempre alguém constantemente tirando proveito das desgraças alheias. Às vezes, o sucesso só é viável diante da derrota de alguém…

E assim, para que alguns entrem na Universidade, outras centenas de candidatos precisam ser reprovadas no vestibular. Quando um sortudo ganha na loteria, outros milhões de apostadores (azarados) têm de permanecer na pindaíba. No Estado não é diferente.

A exoneração do chefe garante a promoção do “amigo” oculto, do eleitor voraz, do funcionário subordinado, do incompetente ou até mesmo do sofredor temporário. Alguém só acha um calhamaço de dinheiro na rua se um infeliz distraído tiver deixado a bolada cair no chão. A rentabilidade de um escritório de advocacia é diretamente proporcional ao número de crimes cometidos e casamentos fracassados.

Até mesmo a morte de um semelhante pode trazer benefício. Um doente do coração passará os dias rezando para que morra logo um doador compatível. Com o falecimento do tio rico ficará para o sobrinho-herdeiro uma gorda fortuna como consolo. E aí tio Valter Vaz? O que seria do médico legista se ninguém desencarnasse?

É assim que vivemos, fazendo das lágrimas do próximo, nosso contentamento. Mas é preciso observar que nada nessa vida é definitivo: se hoje usufruirmos a desventura de terceiros, amanhã certamente haverá quem triunfe graças aos nossos infortúnios.

amadeu.rmc@ig.com.br

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