A desconstrução do funcionalismo público

Max Campos*

“A valorização dos que atuam na ponta do serviço público, com direito a uma carreira e a salários decentes…”

Dia a dia atacam diuturnamente o segmento dos servidores públicos apregoando o FIM DA ESTABILIDADE atrelado a REDUÇÃO DE SEUS SALÁRIOS – A quem interessa extinguir a carreira de SERVIR A DOR do próximo deixando de lado o profissional concursado que presta serviços servindo a sociedade?

Quem ainda acredita naquela história que ser servidor público é viver num paraíso? Será que isso ainda existe no imaginário de algumas pessoas? Se sim sinto lhe dar uma péssima informação. TRATA-SE DE UM VERDADEIRO ENGODO.

Aquela historinha de ESTABILIDADE, INAMOVIBILIDADE E IRREDUTIBILIDADE SALARIAL sabe? Pode esquecer.

É claro que a questão salarial – a baixa remuneração – é decisiva no julgamento dos próprios servidores.

Mas não é apenas isso, ressalte-se.

Por que se tornar servidor público deixou de ser uma promissora opção aos jovens que ingressam no mercado de trabalho?

Já faz muito tempo que a condição de “SERVIDOR PÚBLICO” deixou de ser economicamente e socialmente atraente. Me recordo da faculdade de direito no começo de uma aula de direito administrativo o professor questionou a todos com a célebre pergunta: Quem aqui deseja seguir como advogado e quem deseja seguir uma carreira pública? Poucos levantaram a mão para a primeira opção. O mito de ficar “rico” foi desmistificado inclusive pelo próprio governo: Hoje 88% dos servidores públicos Estaduais recebem como Subsídio menos de CINCO MIL REAIS LÍQUIDOS, e 80% estão com algum tipo de dívida entre empréstimos consignados e cartões e ainda são responsáveis pela manutenção familiar.

É aí que se acentua a sensação de injustiça para aqueles que estão no dia a dia das repartições públicas, pois investiram em graduação, pós-graduações, mestrados e doutorados e onde as condições de trabalho – para quem quer de fato trabalhar – são precárias e revoltantes.

Minha família tem membros da iniciativa privada como também possui servidores públicos, todos concursados, estudaram muito, não foram eleitos ou indicados por ninguém! Trabalham com dedicação; A ESTABILIDADE ADQUIRIDA NÃO É UM PRIVILÉGIO – ela tem previsão legal e visa à proteção do servidor público concursado, para atuar com independência, boa técnica e seguindo os princípios morais, éticos e legais, sem o risco de serem prejudicados por INTERESSES ESPÚRIOS ou ASSÉDIO MORAL . Os servidores públicos não têm direito ao FGTS e CONTINUAM CONTRIBUINDO PARA A PREVIDÊNCIA mesmo após a aposentadoria ao contrário dos aposentados pelo REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL bem como seus SUBSÍDIO que somente após anos a fio de interstícios, horas de cursos, pós graduação e tantos outros títulos de acordo com a carreira escolhida chega-se a um salário condizente é isso que os economistas de redes sociais desconhecem.

É comum o entorno de uma autoridade pública – em qualquer nível – ser formado por seus amigos de ‘copo e de cruz’ ou por bajuladores profissionais, estes sim “parasitas” do erário, que se alimentam das sobras do poder.

O Estado brasileiro, patrimonialista, que carrega a herança do colonizador português, afeito a uma burocracia sem causa e sem efeito – positivo – para a sociedade, precisa urgentemente se reinventar.

A valorização dos que atuam na ponta do serviço público, com direito a uma carreira e a salários decentes, só há de acontecer com a transformação que pede passagem, mas que não consegue se estabelecer.

Ganhar mal, com exceção das carreiras jurídicas e do legislativo – inclusive no Executivo – e na arrecadação de tributos, são a marca e a sina dos servidores públicos, nos três níveis e isso confunde os “opinadores em grupos de WhatsApp” pois colocam a todos uniformes numa mesma vala.

O ressentimento e a consequente sensação de injustiça ainda haverão de perdurar por algumas décadas. A deterioração da remuneração dos trabalhadores do serviço público não é uma obra recente e vem sendo construída há décadas – desconstruí-la há, também, de exigir tempo e determinação política, inclusive dos que exercem essa atividade.

Uma das muitas amplamente debatidas em grupos de formadores de opinião e estudiosos são os chamados “penduricalhos” que INFLAM o TETO CONSTITUCIONAL que faz com que muitos servidores ultrapassem tranquilamente 100,200,300 mil em seus holerites.

Os responsáveis por ela – a deterioração – são aqueles que incharam a máquina pública sob os aplausos de uma sociedade que não enxergava que esta prática haveria de comprometer o futuro, inclusive dos próprios servidores beneficiados. Se estamos a margem da LRF como continuar realizando chamamento de cadastros reservas e criando gabinetes e cargos comissionados ou aumentando os tributos estaduais disparando o preço da cesta básica, combustíveis, energia elétrica.

A conta é muito simples, os subsídios dos servidores públicos ficam praticamente no comércio local gastos em educação, alimentação, vestuário, água, luz, moradia, etc. Há um verdadeiro malabarismo para se chegar ao fim de um mês que se esticou para 40 dias.

Acontece que este futuro chegou e há de demorar a virar passado.

A injustiça é real, vai além da sensação dos servidores. Mas o pior é não enxergar a porta de saída dessa tragédia cotidiana.

* Servidor Público Estadual (MT) e articulista político 

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4 Comentários to “A desconstrução do funcionalismo público”

  1. Muito bom o artigo. Parabéns!

  2. Precisamos fazer a contra informação permanentemente pois as forças de destruição do Estado pelo aniquilamento do funcionalismo público estão autuantes o tempo todo.
    É importante que aja ração de todos os segmentos do funcionalismo, pois é o funcionalismo que mantém a estabilidade das instituições e executa o gerenciamento real do coisa pública.

  3. E com esse governador será pior para o funcionalismo. Esse é o pai da mentira e do xaveco.

  4. Se não bastasse o irmão (prefeito de São Bernardo do Campo) ser contra nós agora temos na ALESP a sua mulher Carla Morando que também está contra nós.Tem mais morando por aí??????

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