A carreira certa

João Francisco Neto

“Todos os anos as carreiras mais concorridas ainda continuam sendo as mesmas de sempre”

            Às vésperas da conclusão do ensino médio, surge um dilema para os jovens: a escolha do curso superior que, em geral, vai determinar uma carreira para a vida toda. É uma decisão muito difícil, a ser tomada justamente quando o jovem está no auge da adolescência, num período de muitas dúvidas e insegurança.

            Então, como não errar e fazer a coisa certa? Há testes vocacionais, palestras com profissionais, conversas com os pais e professores, mas não há um caminho seguro que possa determinar, sem erro, a carreira mais apropriada para cada um. Não é por outra razão que muitos alunos desistem do curso em que ingressaram, fazem outro vestibular e abraçam outra carreira.

            Mesmo na era da inteligência artificial e da 4ª Revolução Industrial, todos os anos as carreiras mais concorridas ainda continuam sendo as mesmas de sempre: medicina, engenharia, direito, psicologia, arquitetura, etc. Alguns cursos mais modernos e “descolados”, como design, jornalismo e publicidade vêm exercendo grande apelo junto aos jovens, mas o mercado de trabalho fica restrito aos grandes centros urbanos.

            Muitos jovens ficam indecisos entre escolher uma carreira para a qual eles tenham vocação, ou abraçar uma profissão, cujo mercado de trabalho seja mais promissor e seguro no futuro. Surgem aí pelo menos dois problemas: o primeiro é saber realmente qual é a nossa vocação; o segundo é saber se, amanhã, essa ou aquela carreira terá mesmo um bom mercado de trabalho. Há cursos grandiosos, como astronomia, física nuclear, oceanografia, que, na prática, têm um mercado de trabalho bastante restrito.

 

            Muitos jovens imaginam que gostam de determinada profissão, mas na verdade não sabem como é a vida daquele profissional no dia a dia; apenas a idealizam. Muitas vezes só descobrem que não gostam quando já estão formados e trabalhando na área. Daí a frustração de muitos profissionais, que trabalham sem nenhum prazer ou satisfação e só fazem aquilo porque, afinal, precisam de viver. Outros simplesmente abandonam seus diplomas e passam a trabalhar em áreas completamente diferentes da sua formação.

            Aí estão os famosos “concurseiros” que buscam a qualquer custo um emprego estável no serviço público, que atrai cada vez mais candidatos para seus concorridos concursos. Atraídas pelas supostas “vantagens”, as pessoas querem ser aprovadas a qualquer custo, e pouco se interessam em saber o que realmente faz cada um dos cargos públicos.

            O fato é que, nos dias atuais, em virtude da rapidez com que mudam as condições do mercado de trabalho, não se deve mais ficar limitado tão somente a um diploma. O profissional de hoje, além de se capacitar por meio de bons cursos, tem de desenvolver competências e potencialidades que o habilitem para o exercício de funções multidisciplinares, se necessário. Afinal, à exceção do serviço público, acabou-se a era do emprego formal, fixo e definitivo para uma vida inteira.

jfrancis@usp.br

Agente Fiscal de Rendas, mestre e doutor em Direito Financeiro (Faculdade de Direito da USP)

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