Ficção para fim de noite…

Às 22,30 horas de 12 de junho de 2018

Edison Farah

“Coisas estranhas no Reino da Dinamarca”

Pois é, coisas estranhas, de um surrealismo que o próprio Shakespeare  teria dificuldade para poetizar, ocorrem num determinado reino mágico perdido nos rincões dos trópicos.

Imagine-se  que existe nesse reino um feudo que tem um Senhor, um nobre, um duque, e tem uma câmara que dita leis.

Esta câmara é composta por condestáveis da representação popular que ano após ano são conduzidos aos mesmo cargos, muitos deles há mais de trinta anos exercendo funções legislativas.

Também conta esse parlamento, esta câmara, com diversos órgãos de assessoria que analisam toda a elaboração das leis sob diversos ângulos, mormente sob o ângulo da conformidade dos anteprojetos gerados ante a Constituição Maior do Reino, a MÃE de todas as leis.

E então resolvem esse Lordes apresentar uma lei sobre questões remuneratórias dos funcionários do feudo, e ficam meses e meses, quase dois anos, estudando esta lei, sob todos os aspectos, primeiramente o constitucional, depois orçamentário, depois de relevância social, etc., etc…

E após muito lero lero, depois deste projeto ter sido liberado por todas aquelas comissões de análise, e com o aprovo delas, vai para votação em plenário.

Estes lordes, pelas artimanhas e disputas entre os diversos grupos que dominam esta câmara, postergam por mais de um ano a votação, e após muito pressão dos diversos interessados, mormente dos funcionários que gerenciam o feudo, funcionários estes essenciais e indispensáveis à existência do feudo, votam, em dois turnos, como mandam as regras vigentes, e aprovam a lei…

E aí, de repente, do nada, surge um Duque, de um Ducado que seria atingido por essa lei, como todos os ducados do feudo seriam, e questiona junto ao Poder Maior Absoluto do Reino, o que manda e subordina todos os demais poderes, inclusive subordina o Rei, e todos os Senhores Feudais, sobre a coerência da lei! Isto, a coerência da lei que havia passado por todos os crivos  antes de ser votada…

E então, em decisão liminar, um Príncipe da Corte Maior, aquela que subordina todo o Império, declara a suspensão da lei até  o julgamento do mérito pela Corte Suprema porque…, ora…,  porque esta lei feriria outra lei que regra o pacto federativo entre os feudos e ducados…

Mas os luminares, as comissões, os próprios Lordes, com seus tantos assessores, e com dezenas de anos de vivência legislativa, não sabiam disso???

Tudo, tudo, muito estranho, o que leva o povo deste reino mágico a ser o povo mais esquisito do planeta, um povo que nunca sabe quais são realmente as motivações e os interesses dos Lordes que os representam, e que são  na realidade, os verdadeiros donos dos feudos, e do Reino…

Infeliz e desassistido povo este da Dinamarca.

Nem Shakespeare decifra sua essência, e nem as tragédias gregas superam a sua desgraça.

farah.edison@gmail.com

PERFIL e ARTIGOS de EDISON FARAH

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