Reflexão Política: A Falência do Sistema

Sebastião Amaro Viana Fº

“De tanto ver triunfar as nulidades… o homem chega a desanimar-se da virtude”

O cidadão brasileiro caminha lentamente rumo ao encontro da felicidade, sem incomodar-se com os militantes políticos que se lhe impõe determinados limites em todos os espaços que lhe são permitidos, vivendo à beira da sucumbência, simplesmente porque não sabe a força que tem e, assim, segue na vida tal qual um elefante, que tem cérebro grande mas pensa pequeno, dominado por uma simples varinha de condão, cadenciadamente manejada pelo seu domador no picadeiro social de um sistema político mergulhado na corrupção, que se desmorona corroído pelo tempo desde 1984, quando adormeceu-se o governo do regime militar.

De outro lado, empresários seguem envolvidos em conchavos político-partidários, usando carapuças que lhes foram colocadas em troca de pagamentos de propinas para subsidiar campanhas milionárias, na busca da eleição de seus candidatos e, nesse comportamento, a tendência será a continuidade da degradação da sociedade e extinção da classe operária pelos efeitos negativos nas relações de trabalho, gerando menos emprego, menos seguridade social, precário sistema de saúde, educação e segurança pública.

A sociedade, que se diz politicamente organizada (e pode até ser), encontra-se em continuada degradação dos seus princípios morais e cívicos e o povo brasileiro tem sido enganado pelos políticos e pelos governos que se sucedem em uma democracia falida, em razão da incompetência de quase todos integrantes desse sistema político maquiavélico, custeado pelos altos impostos suportados pelo trabalhador, sem qualquer retorno para amenizar o sofrimento das pessoas integrantes das diversas classes sociais, principalmente, a classe dos menos favorecidos.

Nesse contexto, a omissão do poder público, enfraquecido pelas suas próprias mazelas, implica diretamente no aumento da criminalidade em razão da crescente coesão do crime organizado, em cujas facções existe alguns integrantes que militam na política partidária, além de outros indivíduos  rotulados dos princípios da cidadania com interface de cidadãos de bem, que na verdade contribuem diretamente para a degradação geral do sistema politicamente insustentável há muito tempo, incluindo-se nesse rol, alguns membros do Poder Judiciário, alguns profissionais do direito e alguns integrantes da segurança pública, dentre outras pessoas integrantes da elite social.

O exercício da política partidária e da política praticada pelo Poder Executivo em todos os níveis de governo, pingida nos olhos daqueles que se negam enxergar a realidade brasileira ou falada em sussurros ecoantes nos ouvidos daqueles que fingem ser surdos, mostra que as ações praticadas no exercício do poder, no exercício de seus cargos e funções políticas, causam náuseas às pessoas de boa conduta e determinadas decisões não são de forma nenhuma apreciadas de bom gosto quando empurradas em “goela abaixo” de muitos brasileiros politicamente desacreditados nesta republiqueta tupiniquins.

Certamente, o povo brasileiro está cansado e enojado do atual sistema político aonde impera a corrupção e roubalheira, o que faz o eleitor pensar em NÃO declinar seu voto a nenhum partido ou a nenhum político-candidato, enquanto não houver mudança desse sistema, desse regime democrático impositivo nos discursos do “faz de conta”, cantados em prosa e verso pelos militantes políticos que vivem nas mordomias às custas do suor de sangue do trabalhador moribundo, quase sem força, para prosseguir na caminhada pelas estradas espinhentas da vida, com suas faces enrubescidas, sentindo vergonha de ser honesto e vergonha de ser brasileiro.

Não por acaso o discurso proferido em 1914, pelo então Senador Ruy Barbosa, ainda ressoa nos bastidores da atual República, cuja essência deveria ser sentida pelos militantes porque ainda é aplicada no exercício da política nestes tempos modernos. Por isso, vale a pena trazer à memória um trecho (um excerto) daquele memorável discurso … “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto…”.

savianafilho@gmail.com

ARTIGOS de SEBASTIÃO AMARO VIANA Fº

* Agente Fiscal de Rendas (SP) aposentado – Marília (SP)

NOTA: O BLOG do AFR é um foro de debates. Não tem opinião oficial ou oficiosa sobre qualquer tema em foco.
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