1968, o ano das revoluções

João Francisco Neto

Há exatos cinquenta anos, iniciava-se o ano de 1968, com as esperanças de sempre, ou seja, de um novo tempo de paz e harmonia. Mas, em pouco tempo, o mundo veria que aquele seria um ano completamente diferente dos demais. Estava se iniciando um dos mais emblemáticos e míticos períodos que a humanidade vivenciaria.

Num mundo sem as facilidades de comunicação da internet, milhões de jovens de todas as partes, de uma hora para outra, passaram a alimentar o mesmo sentimento de revolta e contestação, que, ao final, tiveram seu ponto máximo nos acontecimentos de “Maio de 68”, que paralisaram a cidade de Paris e ficariam como símbolo maior de tudo o que ocorreu naquele ano fatídico.

O principal legado foi o movimento ecológico, o feminismo, o movimento negro, e a revolução sexual, que embora não tenham nascido naquele ano, foi a partir de então que tomaram grande impulso.

É óbvio que as conquistas de 1968 não se limitaram a isso. Houve toda uma revolução estética e comportamental, que ia desde as mudanças radicais na forma de se vestir até uma ampla aceitação do uso de drogas. Para isso, o movimento hippie e a contracultura exerceriam uma grande influência sobre milhões de jovens por todo o mundo.

O ano de 1968 ficou marcado por uma cascata de fatos, muitos deles violentos como as revoltas dos estudantes em Paris, nos Estados Unidos e na cidade do México; o assassinato do líder pacifista e prêmio Nobel da Paz Martin Luther King e do senador Bob Kennedy; os protestos dos negros americanos pelos direitos civis, etc.

Somem-se a isso as intensas manifestações contra a Guerra do Vietnã, principalmente depois da chamada Ofensiva do Tet (o Ano Novo Lunar), um monumental ataque relâmpago dos vietcongues que resultou na morte de dezenas de milhares de vietnamitas e norte-americanos.

Enquanto isso, na então Checoslováquia, os tanques soviéticos esmagavam uma tentativa de promover a “Primavera de Praga”, que desse uma face mais humana ao duro regime comunista que ainda vigorava lá. O mundo, literalmente, pegava fogo em 1968.

O Brasil não ficaria de fora daquela onda revolucionária. Num clima de turbulência política e cultural, o ano de 1968 foi palco para manifestações de rua contra a censura e a repressão (a “Passeata dos Cem Mil”, no Rio de Janeiro), a morte do estudante Edson Luiz, vítima das forças policiais, a “batalha” de rua entre estudantes da USP e do Mackenzie; o congresso da UNE, que resultou na prisão de mais de 1200 estudantes; dentre tantos outros fatos marcantes.

Infelizmente, o icônico ano de 1968 fecharia sob uma maré de retrocessos: no Brasil foi baixado o famigerado AI-5 (Ato Institucional nº 5), que endurecia de vez o regime e instaurava uma ditadura. Na França, a vitória eleitoral do general De Gaulle conseguiria esvaziar o movimento estudantil; e, nos Estados Unidos, a “maioria silenciosa” levaria ao poder o candidato conservador Richard Nixon. De tudo, ficaram muitos sonhos e as promessas de uma nova era. O fato é que, apesar de tudo, e depois de tudo, o mundo nunca mais seria o mesmo depois de 1968.

jfrancis@usp.br

* Advogado, doutor em Direito Econômico e Financeiro (USP)
Monte Aprazível-SP

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