O país do futuro

João Francisco Neto

“Desencantado e sem paciência, o povo anseia por mudanças agora”

Houve um tempo em que milhões de brasileiros viviam embalados por um sonho dourado, acreditando que o Brasil seria o “país do futuro”. Afinal, tínhamos tudo para crescer e prosperar: um vasto território com muitas riquezas minerais, grandes rios, uma imensa costa oceânica, um clima que varia do tropical ao temperado, etc. Por outro lado, fomos agraciados pela ausência de fortes terremotos, maremotos, tempestades de neve, furacões, tsunamis, etc. O que nos faltava, então? Nada!

Um escritor austríaco, Stefan Zweig, fugindo do nazismo e refugiado por aqui, acabaria escrevendo em 1941 um livro, cujo título imortalizaria esse ideal grandioso: “Brasil, o País do Futuro”. Infelizmente, pouco tempo depois, o escritor daria mostras de que nem mesmo ele próprio acreditava tanto assim naquela possibilidade, pois, juntamente com sua esposa, cometeria o suicídio, na bela cidade de Petrópolis, onde até então residiam.

Enquanto isso, por aqui, à medida que o tempo ia passando, nada de novo ou muito interessante acontecia em matéria de política, a não ser os belos discursos e as falsas promessas de campanhas eleitorais.

Desencantado e sem paciência, o povo anseia por mudanças agora, pois ninguém mais tolera essa história de “país do futuro”. Gerações e gerações de brasileiros cresceram, viveram e morreram sob a esperança de que o Brasil um dia seria o país do futuro. Atualmente, o povo exige soluções para hoje, que, afinal, é o tempo em que estamos vivendo.

O ano de 2018 se aproxima e com ele virão as eleições gerais, quando as velhas raposas políticas, disfarçadas de “elementos novos”, reaparecerão com discursos renovados, para levantar o ânimo do povo e capturar os seus votos. Passadas as eleições, tudo permanecerá como antes.

E qual seria realmente o futuro pelo qual o povo tanto anseia? No fundo, nem é tão grandioso e exigente assim. Bastaria que alguns temas fossem encaminhados e resolvidos. Temas como a sempre crescente carga tributária, cada vez mais sufocante e injusta com os mais pobres; o nível da educação, cada vez mais baixo; as enchentes nas grandes cidades, cada vez mais perigosas; a segurança pública, cada vez mais ineficiente; o transporte público, cada vez mais ineficaz; a saúde pública, cada vez mais precária; a corrupção, cada vez mais abusiva; e, por que não, os salários, cada vez mais baixos.

Esta seria a agenda mínima que, acompanhada da moralização da atividade política, colocaria o Brasil definitivamente no futuro. Mas, como sabemos que quase nada disso acontecerá, termos certeza também de que esse futuro estará cada vez mais distante. E assim continuaremos a conviver com a injustiça social, a imoralidade política, a corrupção desenfreada e um baixo crescimento.

jfrancis@usp.br

* Advogado, doutor em Direito Econômico e Financeiro (USP)
Monte Aprazível-SP

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3 Comentários to “O país do futuro”

  1. Meu estimado e preclaro colega João Francisco, perdemos qualquer esperança.
    Mais do mesmo está sendo engendrado pelo sistema vigente.
    Nada mudará, o próximo Congresso será pior que o atual, mais sujo ética e moralmente, como acontece a cada nova legislatura.
    Serão eleitas novas raposas, num sistema eleitoral viciado e fraudado sob diversas formas, papa manter tudo como sempre tem sido.
    Os bandidos de todos os partidos já se entenderam para a manutenção do consórcio.
    Se houver eleições, sem uma intervenção institucional que reordene tudo, e comecemos do zero, e que, mormente, recompusesse todo o Judiciário que está aparelhado pela criminalidade dos demais poderes, o Brasil jamais deixará de ser esta republiqueta, paraíso do banditismo sob todas as suas variantes.

    • Meu caro Edison Farah,

      Também compartilho plenamente do seu ponto de vista, em relação ao quadro político-institucional do Brasil.

      Por aqui, não há esperanças a ser alimentadas. Estamos como Dante e Virgílio que, ao descer ao Inferno, se deparam com a frase magistral no pórtico: “Vós que entrais, abandonai toda a esperança”.

      De qualquer forma, agradeço-lhe pela atenção dada ao modesto texto.

      Um abraço fraternal,

      João Francisco

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