AFR Antônio Valente lança dois livros

Exemplares integram a coleção Cristianismo Primitivo em Debate

O articulista do BLOG do AFR Antônio Sérgio Valente, agente fiscal de rendas aposentado, vem pesquisando, nos últimos anos, sobre a família de Jesus e a vida de Tomé, um de seus apóstolos. A partir desse levantamento, ele lançou recentemente dois livros: “A Misteriosa Família de Jesus” e “Tomé: Evangelho e Atos”, que fazem parte da série Cristianismo primitivo em debate, da Fonte Editorial.

Em “A Misteriosa Família de Jesus”, Valente estudou os Evangelhos canônicos (que fazem parte da Bíblia cristã), os não-canônicos, hagiografias (biografias sobre os santos católicos) e textos de historiadores do começo do cristianismo. O livro aborda a formação da família de Jesus.

Já em “Tomé: Evangelho e Atos”, Valente traz, pela primeira vez, a conciliação canônica comentada e um estudo introdutório do Evangelho de Tomé. Diferente dos Evangelhos canônicos, o de Tomé não apresenta uma sequência de acontecimentos, mas sim registros de diálogos de Jesus com os discípulos, e alguns com Tomé em particular. Os Atos mostram como Tomé difundia a mensagem cristã entre os povos e conta, também, como foi sua viagem de Jerusalém à Índia. 

SOBRE O AUTOR

Antônio Sérgio Valente nasceu em Porto Alegre-RS, em 1955; mora em SP desde 1959. Contista, romancista, cronista e articulista. Lançou o romance A Solidão do Caramujo, em 1995. Foi finalista do Prêmio Jabuti de 2001 com o livro de contos Deus Protege os Cães Perdidos e Outros Achados, lançado em 2000. Participou do Grupo Contares e de diversas antologias, inclusive da União Brasileira de Escritores — UBE. Publicou crônicas e artigos em diversos jornais e blogs.

A MISTERIOSA FAMÍLIA DE JESUS

MUITO já se polemizou sobre a família de Jesus. Quem eram os seus parentes? Jesus teve irmãos de sangue e útero? Os irmãos de Jesus (Tiago, Judas, Simão e José) citados em textos canônicos seriam de fato seus irmãos de sangue, ou apenas seus primos-irmãos? Jesus teve meios-irmãos por parte de pai, frutos de um casamento anterior de São José, como afirmam historiadores primordiais e evangelhos não incluídos no cânon bíblico? Tiago, o justo, era irmão de Jesus, como afirmou São Paulo? Esse Tiago, o justo, teria sido um dos apóstolos? Judas Tadeu, também chamado nos canônicos de Iudam Iacobi (Judas de Tiago) seria filho de Tiago, o justo, e, portanto, sobrinho de Jesus por afinidade paterna? Ou Judas Tadeu seria irmão de Tiago e, portanto, meio-irmão de Jesus? Maria teria tido outros filhos após o nascimento de Jesus? O dogma da virgindade perpétua de Maria tem fundamento? Seria possível que Tomé, também chamado de Judas Tomé Dídimo, fosse irmão de Jesus, ou, mais grave ainda, irmão gêmeo de Jesus…!?

Algumas dessas questões já motivaram sérias divergências no cristianismo. Foram pano de fundo para heresias como diofisismo, adocionismo, apolinarismo e nestorianismo, que viam em Jesus tinha duas naturezas distintas: a humana e a divina. Fora concebido como homem comum, tinha inclinações humanas como qualquer ser humano, mas tinha também os dons da divindade. Por esse entendimento, Jesus poderia ter sido concebido pela união carnal de José e Maria, ou seja, desabaria o dogma da perpétua virgindade de Maria. Mas nas fontes canônicas, na tradição, nas hagiografias, nos historiadores primordiais do cristianismo (Papias, Hegésipo, Clemente, Eusébio de Cesareia), até mesmo nos evangelhos não acolhidos pelo cânon, há notícias que fundamentem a hipótese de Jesus ter tido irmãos de sangue e útero? Maria é Theotokos (mãe de Deus) ou Cristotokos (mãe de Cristo)? Concílios foram convocados para dirimir tais questões, e não se pode afirmar que tiveram êxito: não houve acordo.

Para melhor compreensão dessas e de outras polêmicas, e desvelar alguns dos mistérios que cercam a família de Jesus, separar o joio e o trigo, o provável e o absurdo, o razoável e o ridículo, é que vem a público este livro; em boa hora, aliás, eis que sanhas deturpadoras e escandalosas vêm grassando nas últimas décadas. Sem a pretensão de produzir afirmações peremptórias, muito menos apenas bombásticas, o autor buscou fundamentos para expor, conciliar, admitir e refutar vertentes. Este livro objetiva — através da conciliação entre fontes — incidir alguma luz sobre esses temas e alinhar as vertentes de forma ecumênica.

À venda na Livraria Saraiva (LINK) e em outras boas casas do ramo, integra a coleção Cristianismo Primitivo em Debate, da Fonte Editorial, www.fonteeditorial.com.br

Não conseguindo encontrá-lo, pedidos também podem ser feitos diretamente à editora, e-mail contato@fonteeditorial.com.br ou para o e-mail do autor asgvalente@uol.com.br

TOMÉ — EVANGELHO E ATOS

Pela primeira vez vêm à público, num mesmo volume, com estudo introdutório e conciliação canônica comentada, o Evangelho de Tomé e os Atos de Tomé. São textos que diferem quanto à autoria, à época em que foram escritos, ao estilo literário, ao gênero, e até quanto ao suporte físico das cópias. Têm em comum apenas a figura de Tomé e o objetivo de difundir a mensagem cristã.

No Evangelho de Tomé, escrito pelo próprio S. Tomé, Jesus é a figura central, autor das mensagens recolhidas pelo apóstolo, algumas peculiares: não figuram nos evangelhos canônicos. Não há a narrativa de uma sequência de fatos. Há apenas a memória de diálogos entre Jesus e os discípulos, alusões a confidências que Jesus fizera, das quais Tomé se declara guardião e não as deslacra nem a pedido dos próprios companheiros, conferindo ao texto um quê de mistério e segredo — também captado pelos canônicos, embora não em conversas à parte como no caso de Tomé. Talvez porque a amizade entre Tomé e Jesus viesse de longe, do período eclipsado, foram colegas de trabalho: o apóstolo era construtor e também carpinteiro como Jesus. E Tomé foi o único ser humano a quem Jesus permitiu tocar-lhe o corpo após a ressurreição, e o primeiro a chamá-lo, de joelhos e entre lágrimas, de Deus: — Meu Senhor e meu Deus!

O Evangelho de Tomé já mereceu diversas edições, mas nenhuma alcançou a plena conciliação canônica, o cotejo com os demais livros bíblicos, como se faz neste volume. Aqui se demonstra que todos os ditos de Jesus recolhidos por Tomé têm fundamento canônico específico ou contextual, inclusive as parábolas e mensagens que não constam nos textos bíblicos e as que a princípio soam enigmáticas. A conciliação pontual dos tópicos com os canônicos demonstra que nenhuma assertiva de Jesus recolhida por Tomé se opõe à fé cristã ou aos dogmas eclesiais.

Já em Atos de Tomé é bem diferente: o picadeiro é ocupado por Tomé, é em torno dele que a dramaticidade se desenvolve, em episódios nos quais não faltam intrigas, manhas, conflitos, exorcismos, animais que falam, peripécias — percebe-se claramente a intenção de manter aceso o público e repercutir a mensagem cristã. É literatura que se transmitia oralmente, em episódios, com linguagem teatral, nos primórdios do cristianismo. Não havia ainda a impressão gráfica, raríssimas pessoas sabiam ler, de modo que a comunicação era feita no púlpito, nas praças e no picadeiro. Os Atos narram as peripécias e a pregação de Tomé, o seu apostolado de Jerusalém à Índia. São raras as edições dos Atos de Tomé, a maioria com mais de um século, e não constam edições do Evangelho de Tomé e dos Atos simultaneamente, num mesmo livro, daí a importância deste volume que integra a coleção Cristianismo Primitivo em Debate, da Fonte Editorial, www.fonteeditorial.com.br

À venda na Livraria Saraiva(LINK) e em outras boas casas do ramo.

Não conseguindo encontrá-lo, pedidos também podem ser feitos diretamente à editora, e-mail contato@fonteeditorial.com.br ou para o e-mail do autor asgvalente@uol.com.br

3 Comentários to “AFR Antônio Valente lança dois livros”

  1. Obrigado, Teo, pela divulgação. Agora, depois de sair no Blog do AFR, esse público cheio da grana, os “privilegiados” do serviço público, certamente as vendas vão explodir…
    Aliás, esses livros têm tudo a ver com a classe. É que nos evangelhos mais de uma vez Jesus demonstra o seu carinho pelos publicanos, que eram os cobradores de impostos da época. Um deles, Mateus, que era coletor de impostos em Cafarnaum, foi até admitido como apóstolo e escreveria um dos primeiros evangelhos. Outro, o Zaqueu, que era chefe da coletoria de Jericó, aquele que era baixinho e para ver Jesus, quando a multidão o cercava ao passar por Jericó, teve de subir numa árvore (sicômoro), e Jesus se convidou para hospedar-se na casa dele…
    Aliás, creio que crônicas a esse respeito já foram publicadas aqui mesmo no blog do afr.
    Obrigado, mais uma vez,Teo Franco, e peço aos amigos e colegas que insiram o livro na lista dos mais vendidos… rsrs.

  2. Parabéns, Valente, o livro está a venda pela internet?

  3. Falha minha, está no rodapé o link….

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