De repente o paraíso

Jan L. L. Parellada *

“Porque não construir uma economia de mercado que distribui riquezas a medida que as gera?”

Ligo a TV, e aqueles que diziam que o fim do Brasil era logo ali adiante, dizem que agora está tudo bem, que a agricultura impediu o pior, que a economia está se recuperando. Quando é que foi diferente disso? A economia está se recuperando do quê? Das mentiras que são propagadas ao seu respeito?!?

O que é a economia se não a ousadia de quem resolveu explorar o que havia ao seu redor. Desde o princípio, o primeiro pão foi assado porque a primeira semente de trigo foi lançada à terra. A primeira roupa foi forjada com a primeira agulha de pedra que alguém inventou. Querem nos fazer acreditar que hoje é diferente, que a economia não é mais fruto de ideias, produção e serviços baseados na essencial CREDIBILIDADE que sempre fez a roda da economia girar, e sim em índices econométricos mirabolantes: PIB, IPCA, SELIC, Deficit Fiscal Primário e um vasto vocabulário de “economês” explicariam porque o Brasil não dá certo. A nossa eterna montanha-russa econômica e social ,que enfileira intermináveis bonanças e tempestades não seria causada pela falta de uma educação de qualidade e ausência dos direitos e deveres inerentes a uma legítima cidadania, e sim porque o povo consome em excesso, porque somos perdulários incorrigíveis que contraímos dívidas. 

Quanta bobagem! As principais economias do mundo tem dívidas, a maior delas com a obrigação de que a palavra sociedade faça sentido. Em qualquer país civilizado, prega o bom direito que o interesse público prevalece ao privado. Os países que já descobriram a insanidade do MUC “Modelo Unicamente Competitivo” estão evoluindo social e economicamente a passos largos e se distanciando daqueles que preferem continuar apostando que alguém tem que perder para que outro possa ganhar. Que tal, se espelhar no Canadá ao invés dos Estados Unidos, na Nova Zelândia ao invés da Venezuela. Que tal trocarmos nossos parâmetros de qualidade de vida? Ao invés de alimentar o mito do milionário da Megasena, porque não construir uma economia de mercado que distribui riquezas a medida que as gera? Nada de utópico! Milionários sempre existirão dentro de uma economia de livre iniciativa, mas isso não tem que significar que a miséria é inevitável.

Voltando a TV, aos noticiários, a cereja do bolo foi a declaração dos “experts” de que o grande risco desse crescimento “surpreendente” é o governo deixar de fazer as reformas necessárias para equilibrar as finanças do Estado. A que finanças e a qual Estado eles estão se referindo? Com certeza não deve ser aquele que preza pela dignidade da sua população e honestidade de seus políticos , já que a ameça maior é a renda dos aposentados e não a bandalheira dos corruptos.

* Iniciou sua carreira pública na prefeitura do município de Tarumã (SP), em seguida na Receita Federal como Técnico do Tesouro Nacional e desde 1998 trabalha como Agente Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo.

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One Comment to “De repente o paraíso”

  1. É isso, Jan. Mas com uma mídia a serviço da mentira, e com um povo estulto como o nosso, o capitalismo predatório de rscravocrata nada de braçadas. Como disse o Ponde, precisamos de uma revolução capitalista de verdade.

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