A falência dos partidos

João Francisco Neto

“Diante deste quadro, o que esperar das eleições de 2018?”

O mundo ainda vive sob os reflexos da última eleição presidencial na França, que, marginalizando os seus tradicionais partidos políticos, elegeu Emmanuel Macron, um jovem político de 39 anos, pertencente a um recém-criado movimento – “República em Marcha” -, e não exatamente a um partido político, como até então era usual.

Este fato é resultante da incapacidade de os tradicionais partidos entenderem que eles não mais se conectam com a sociedade. Hoje, eles pouco ou nada mais têm a transmitir, inclusive a confiança, perdida há muito tempo. Já vai longe a época em que a população esperava que alguma melhoria de vida pudesse vir da atuação dos partidos políticos.

O cidadão comum não acredita mais que os partidos políticos efetivamente se preocupem com os seus problemas cotidianos, que, na prática, são os problemas de todos nós. É o esgotamento das perspectivas que as pessoas nutriam em relação aos partidos, um fenômeno que vem se espalhando pela Europa, América Latina e que já chegou até nós.

Então, se o debate político não se ocupa mais da velha polarização entre esquerda e direita, ou entre liberais e conservadores, quais seriam os temas de interesse dos cidadãos? Que mensagens o político deve transmitir para conquistar seu espaço de atuação? Obviamente que não há respostas simples para questões tão complexas.

É bem provável que o povo esteja interessado na renovação das formas tradicionais de se fazer política, como passar a falar a verdade para a sociedade. Isso faria parte de uma plataforma mínima para reconquistar a confiança do povo na democracia e, sobretudo, nos políticos, hoje totalmente desacreditados.

Os últimos governos vêm concentrando seus esforços para obter sucesso na aprovação de reformas, tais como a da Previdência, considerada a mais importante, a tributária, a política e a trabalhista, a única que conseguiu ir adiante. As reformas não andam porque, no fundo, o povo simplesmente não confia nos seus representantes políticos.

Diante deste quadro, o que esperar das eleições de 2018? No Brasil, a Constituição Federal não permite candidaturas independentes; somente candidatos filiados aos partidos políticos podem concorrer nas eleições.  Embora pertencendo a um partido, o candidato deverá se apresentar como se fosse um “não-politico”, capaz de oferecer respostas convincentes para as graves questões que afligem a população, como a saúde, a educação, a corrupção, a criminalidade e o desemprego. Não será nada fácil.

E mais, ainda: como o povo não suporta mais ser continuamente ludibriado por discursos políticos que tudo prometem e nada realizam, a verdade terá de ser dita, por mais dura que seja. O caminho da verdade pode ser o mais difícil, porém é o único que pode levar o País a sair deste grave atoleiro. Do contrário, ficaremos para sempre na velha política do clientelismo, dos favorecimentos pessoais, do loteamento de cargos, e de outras práticas similares.

jfrancis@usp.br

* Agente Fiscal de Rendas aposentado,
mestre e doutor em Direito Econômico e Financeiro (FD-USP)

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3 Comentários to “A falência dos partidos”

  1. João, você nos trouxe ótimo texto para reflexão do momento político pelo que passa o Brasil. Destaco, neste simples comentário, excertos de “O Pluripartidarismo e suas conseqüências”, como segue:

    O Brasil é um país próspero fácil de ser governado, desde que haja apenas uma meia dúzia de partidos políticos imbuídos do sentimento da verdadeira cidadania, porque a atual conjuntura política está falida há muito tempo e além do mais, as novas agremiações criadas nos últimos anos já nasceram sem nenhuma expressão política pela falta de credibilidade do eleitor brasileiro.

    Esse panorama político fica ainda pior quando chega à época das eleições porque surgem as mais esdrúxulas e pífias coligações partidárias, demonstrando aparentemente as melhores intenções, mas que na verdade têm como pano de fundo apenas seus próprios interesses em fazer fortuna com o dinheiro público no exercício da política eleitoreira alimentada pelas tetas do povo brasileiro que se curva forçosamente a contragosto dando seu sagrado voto de confiança para aqueles que lhes dão em troca uma enorme e polpuda carga tributária insuportável, sem falar na precariedade dos setores da saúde, educação, habitação e da segurança pública.

    • Prezado Sebastião,

      Mais uma vez, agradeço-lhe pela atenção dedicada ao texto.

      Por aqui, vivemos sob um permanente e crescente deboche dos partidos políticos e seus caciques eleitorais. Basta ver essa pretensa “Reforma Politica”, proposta para conseguir um sistema eleitoral que lhes assegure a reeleição – o chamado “distritão”, além do “Fundo Eleitoral”, para recebimento de mais e mais verbas públicas. Tudo isso num momento em que o País atravessa por uma de suas piores crises fiscais.

      Infelizmente, é o que temos por aqui…

      Abraço,

      João Francisco

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