Nau sem rumo

João Francisco Neto

“Vê-se claramente que há tempos não há projetos políticos para a Nação e o povo”

Não é de hoje que o Brasil vem se comportando como um barco sem destino certo, num oceano de imensas possibilidades. Há alguns anos, os sucessivos governos pouco ou nada de positivo têm tido para oferecer à população, que, angustiada, assiste à passagem de bonde da História, sem que o Brasil dele participe.

Parece um contrassenso que esses governos sofram do mal da falta de projetos nacionais. Afinal, onde estão aqueles maravilhosos planos de governo traçados pelos marqueteiros, sempre pagos a peso de ouro? Logicamente que toda aquela propaganda nada mais era do que mero artifício apenas para do captura do poder político.

Voltamos (e ficamos), então, na estaca zero. Desde sempre se sabia muito bem que nada do que fora prometido seria realizado. Ainda assim, gastou-se o que tinha e o que não tinha para a realização de campanhas políticas mirabolantes, tudo pago com dinheiro de origem obscura, O que se sabe é que nunca o dinheiro sai do bolso dos próprios candidatos, e muito menos dos cofres dos partidos políticos.

No ano de 2016, o jornal “O Estado de São Paulo” (03/7/16) fez um levantamento, demonstrando que no país havia pelo menos 5 mil obras públicas paralisadas, num total de investimentos de mais de R$ 15 bilhões. Eram projetos que incluíam restauração e pavimentação de rodovias, expansão de ferrovias, construção de escolas e demais prédios públicos, obras saneamento básico. Com o agravamento da crise política e econômica, nada indica que essa situação tenha se revertido. Ao contrário, deve ter piorado.

Boa parte da gravidade dessa situação pode ser atribuída a questões crônicas, a falta de planejamento, ou a projetos malfeitos ou inadequados, além de entraves como o excesso de burocracia, que acabam dando margem à corrupção.

Enquanto isso, o principal projeto de governo se resume a arregimentar apoio unicamente para se manter no poder, ou para reeleger. Há anos isso vem ocorrendo, mas se agravou a partir do final do 1º mandato do governo Dilma, que tudo fez para alcançar uma reeleição, afinal conseguida às duras penas. Para o país, é claro.

Já instalado no segundo mandato, o governo Dilma sangrava publicamente para evitar o impeachment, que, apesar de tudo, acabou se confirmando. Durante todo aquele período, o que menos havia por aqui era projeto de governo; tudo se resumia numa busca incansável pela manutenção do poder.

Agora, ainda que sob outras perspectivas, esse mesmo filme volta a ser reencenado. O governo Temer, que desde seu início sofre do mal da falta de legitimidade politica, se debate por todos os lados para manter-se na poder e atravessar o seu breve mandato.

Por essa breve exposição, vê-se claramente que há tempos não há projetos políticos para a Nação e o povo; o que vemos por aqui são governos, cuja meta é simplesmente se manter no governo. Para isso, não vale aquele ditado “vão-se os anéis, mas ficam os dedos”.  A sanha pelo poder é tamanha que podem ir o anéis e os dedos, também. Desde que sejam do povo, é claro.

jfrancis@usp.br

*Agente Fiscal de Rendas aposentado,
mestre e doutor em Direito Econômico e Financeiro (FD-USP)

ARTIGOS de JOÃO FRANCISCO NETO

NOTA: O BLOG do AFR é um foro de debates. Não tem opinião oficial ou oficiosa sobre qualquer tema em foco.
Artigos e comentários aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores

 

Tags:

PARTICIPE, deixando sua opinião sobre o post:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: