Convulsão Política e Social

Sebastião Amaro Viana Fº

“É um tal de prende e solta que está se tornando motivo de chacota popular”

O Congresso Nacional apodreceu, não há mais possibilidade de reversão da situação e, neste imenso deserto das incertezas políticas em meio a esse profundo lamaçal de política fétida, a nação brasileira clama, chora e grita pela implantação de um novo sistema político de governo mais simples, mais justo e menos dispendioso, menos corrupto, mais coerente nas propostas de cortes dos gastos públicos, a começar pelos cortes dos penduricalhos incorporados aos altos salários daqueles que estão no exercício do poder, em quaisquer dos três poderes da República, sem rédeas democráticas, fazendo um governo “do cada um por si”, característica genérica da natureza do “ser político profissional”.

Não basta simplesmente fazer ajuste político mediante implementação de retalhos ou implantação de remendos chamados de “minirreforma política”. Uma adequada reforma política há que ter suas bases iniciadas com extinção do Pluripartidarismo e redução, em número absoluto, de pelo menos metade dos parlamentares membros integrantes do Congresso Nacional, porque para governar o Brasil, cuja maior parte da população é ignorante e pobre (e disso aproveita-se o político profissional), não precisa mais que meia dúzia de políticos, desde que sejam de origem pura, de moral impingida, de ética sem mácula, que possa surgir das entranhas sadias do povo, parte integrante do eleitorado brasileiro.

A sociedade brasileira precisa implementar ações no sentido de atingir o Congresso Nacional, ações que busquem efetivar mudanças políticas mediantes reformas profundas, que devem ser manejadas com garra e prudência na busca do objeto comum, de maneira a provocar grande convulsão social entre a classe política brasileira, lembrando-se que a razão maior dessa premissa comportamental está inserida no contesto de que o povo brasileiro NÃO suporta mais tamanha carga tributária, para alimentar a roubalheira e a corrupção praticada pela grande maioria dos políticos profissionais, que se aflorou em nossa imensa plaga continental, sem fronteiras, em todos os setores econômicos administrativos e entre a classe política que se perpetuou no poder, com seguimentos de parentesco pelas gerações que se sucedem.

Politicamente falando, desd’os tempos do império, o Brasil nunca foi um país sério e, ainda carrega o pesado fardo do simbolismo de ser gigante adormecido em berço esplêndido. Além do mais, a nação brasileira nunca foi suficientemente livre nos estritos limites sociais, porque sempre ficou entregue às mazelas da escravatura que impera ainda nos dias atuais.

Essa premissa medieval está prevalecendo no cotidiano das décadas de 1985 até os dias de hoje em razão dos descaminhos ideológicos fora do compasso razoável seguidos pela classe política, composta por pessoas que se escondem atrás de uma sigla partidária para exercer uma política profissional, sendo notório em todos os meios sociais que fazer política com promessas mentirosas dentro de um pluripartidarismo caótico se tornou um grande negócio segundo a “Lei de Murici”, do “cada um por si” e salve-se quem puder. A corrupção campeia livre, leve e solta, sem controle, sem limites e sem fronteiras na medida em que instituições consideradas das elites sociais, sejam de ordem políticas ou empresariais ou acobertadas por um falso manto democrático, estão corroídas, carcomidas pelo câncer da corrupção e roubalheira, amenizadas pelas famigeradas delações premiadas, que favorece a todos envolvidos nos crimes de natureza ativa e passiva, com beneplácitos para corruptores e corruptos.

A classe dos políticos partidários integrantes do sistema político brasileiro perdeu sua hegemonia natural no momento em que caíram inertes no descrédito popular pela decadência dos princípios éticos e morais que deveriam ser norteadores de uma nação imperativamente democrática. Vivendo dias de uma democracia falida agravada pela prática de uma política caótica, as tendências de melhorias sociais se tornam ainda mais distantes do horizonte e ouve-se gritos silenciosos no deserto da impunidade, na tentativa de impedir a implantação do socialismo, que há algumas décadas encontra eco no mundo político surdo daqueles que se negam ouvir o glamour popular.

O Brasil está vivendo uma convulsão política e social cuja tendência fica mais evidente e pode se agravar, na medida em que não há mais harmonia entre as instituições políticas, tais como os poderes legislativo, executivo e o sistema judiciário, incluindo a Suprema Corte, ditas como democráticas e “puritanas”, mas que têm em seus meios-gestores algumas pessoas ou políticos envolvidos com as organizações criminosas das diversas facções do crime organizado.

Vejam que, segundo informações registradas nos últimos três anos na grande mídia eletrônica, há relatos noticiando que um deputado estadual (SP) – (omitiu-se o nome e a sigla partidária) – foi cassado por envolvimento com o PCC-SP, porque até participava de reuniões do tipo “leve e trás”, e tendo sido acusado, entre outros, de crime de lavagem de dinheiro, foi também expulso do partido. Outro fato noticiado que demonstrou a fraqueza tendenciosa do poder judiciário exercido pela Suprema Corte, foi o evento do flagrante em que se constatou o envolvimento de um Senador da República e de um Deputado Federal, transportando toneladas de cocaína em helicóptero, flagrante filmado, mas, no julgamento a autoridade simplesmente firmou sua tese de absolvição no sentido restrito da palavra de que “não houve provas suficiente para sustentação processual” – (omitiram-se propositalmente os nomes das pessoas e as siglas partidárias). E, também, nesses últimos dias foi noticiado que o Ministro da Agricultura estaria envolvido em tráfico de drogas.

Hiiihhh mais será o Benedito? Como se não bastasse os envolvimentos nos crimes de corrupção dentre outros “modus operandi” das práticas de ações criminosas, políticos profissionais descambam também para a prática do crime de tráfico de drogas, porque sabem que jamais serão punidos, ante as fragilidades do judiciário em razão do obsoleto e ultrapassado Código Penal, que atualmente não tem mais eficácia sadia e respeitável, nem mesmo quando aplicado no julgamento de quem seja parte integrante do mais alto escalão da elite política ou social ou membro de qualquer classe nobre ou da pujante ralé ou casta social trabalhadora, porque até mesmo o aplicador da lei, deixou de acreditar na solidez prudencial das instituições coadjuvantes do sistema judiciário e penal brasileiro. Valha-nos Deus dos santos incautos e inocentes!

No Brasil não se faz mais justiça salutar com aquela credibilidade sustentável de antigamente, porquanto o judiciário está subjugado no pesado manto das inconveniências políticas ancoradas nas leis penais arcaicas e ultrapassadas, enraizadas nos pensamentos distorcidos das realidades dos fatos nos julgamentos exarados nas decisões, em que julgadores quase sempre se encontram afastados das práticas dos princípios ético e moral, porque desprovidos do pensamento sensato e imparcial, qualidade mínima que deveria prevalecer na canetada expressa pelas mãos daqueles que exercem o poder de julgar.

Mas, essa tendência é o caminho mais fácil encontrado pelos julgadores dos crimes praticados por parlamentares em geral, mormente porque alguns juízes ministros do STF, que tem o poder de julgar, tomam suas devidas precauções temáticas, porque muitos deles envolvidos nas mesmas ou em outras falcatruas políticas, ficam, por ação de conveniência própria, delimitados em suas decisões, comportamentos que estão trazendo certo alvoroço social, quando se vê na mídia em geral, que juiz manda prender e STF manda soltar… é um tal de prende e solta que está se tornando motivo de chacota popular.

O Brasil está acéfalo, sem rumo e fora dos trilhos e por isso urge que seja feito uma mudança radical do regime político de um modo geral, pois, a população não quer mais acreditar no atual regime político antidemocrático, que nada tem de soberania e está cegamente submisso às organizações criminosas que imperam neste imenso Torrão Nacional, sem fronteiras e sem horizonte definido.

As mudanças que a população brasileira deseja e quer, deve ser iniciada por uma Assembleia Nacional Constituinte popular, nascida das entranhas do povo comum, vinda da classe dos intelectuais, sem qualquer envolvimento político, porque “chega dos mesmos” e o Brasil precisa mudar para ser um país  melhor para vivência e convivência dos nossos filhos e netos.

savianafilho@gmail.com

ARTIGOS de SEBASTIÃO AMARO VIANA Fº

* Agente Fiscal de Rendas (SP) aposentado – Marília (SP)

NOTA: O BLOG do AFR é um foro de debates. Não tem opinião oficial ou oficiosa sobre qualquer tema em foco.
Artigos e comentários aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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3 Comentários to “Convulsão Política e Social”

  1. Pois é, meu amigo. Tudo está dito aí.
    Complemento que nunca será viabilizada uma Assembleia Constituinte Autônoma sem uma revolução radical que garanta que não haja qualquer possibilidade dos atuais quadros que empalmaram os 3 poderes e todas as Instituições se transmutem com novas fantasias para ludibriar o povo.
    Infelizmente, meu preclaro colega, não acredito em solução sem uma revolução radical e cruenta.

    • Caro amigo e colega, compartilho-me da sua posição e do seu pensamento. Grato pelo seu comentário que, sem dúvida, enriquece as reflexões trazidas à baila. Obrigado e grande abraço.

  2. Infelizmente uma minoria (parlamentares) impõe sua vontade sobre a maioria (população). Vejo que esse panorama será muito difícil de ser alterado, pois a corrupção está arraigada em nossa sociedade, poucos não se rendem pelo
    famoso “jeitinho brasileiro” para conseguir uma vantagem. O Congresso, na realidade, é somente um reflexo de nossa sociedade corrupta e egoísta.

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