Vampiros de energia

João Francisco Neto

“Estão sempre lamentando a própria situação; para eles, nunca nada dá certo”

Todos nós já tivemos a amarga experiência de, após uma conversa com uma pessoa, nos sentirmos esgotados psicologicamente. A sensação é de que aquela pessoa tenha sugado nossas energias vitais. Vulgarmente, costuma-se dizer que são pessoas que nos cansam. Esse tipo de gente existe, e não são poucos. São os chamados “vampiros da alma” ou “vampiros de energia”. Ao contrário daqueles que habitam as histórias do conde Drácula, esses vampiros de energia existem, sim, e estão espalhados por todos os cantos, muitas vezes bem próximos a nós. Imagine o efeito negativo quando uma pessoa desse tipo trabalha ao nosso lado, o que é comum em grandes ambientes corporativos.

Como identificar esses “vampiros”? Em geral, são pessoas que só pensam nelas mesmas e sempre se aproximam das outras por conveniência, em busca de algum interesse, e para descarregar seus problemas. Outras vezes, são pessoas muito críticas (com os outros, é claro!), que sempre terão uma palavra de censura ou desaprovação para todos os atos ou opiniões das demais pessoas. Esse tipo de “vampiro” adota um ar superior, rebaixando todos os que estão à sua volta.

Há outros que, fazendo-se de coitadinhos, procuram extrair o máximo de atenção e energia das pessoas. Em geral estão sempre lamentando a própria situação; para eles, nunca nada dá certo. Por isso, reclamam sempre, e ficam à espera de alguém que possa vir em seu socorro (esse “alguém” pode ser um de nós!). Esses “vampiros de energia”, que se passam por vítimas da sociedade, na verdade, acabam por vitimar as pessoas com quem convivem.

Todavia, há casos em que esses “vampiros” agem de forma inconsciente, ou seja, sua ação não tem o propósito deliberado de prejudicar, embora o efeito nocivo seja o mesmo. De fato, há muito mais “vampiros” desse tipo do que os que agem de forma consciente. Todos nós, mesmo sem saber, poderemos agir assim em determinada situação de nossa vida. Daí a razão pela qual existem tantos “vampiros”, sempre prontos para se aproveitar da energia dos outros.

Em junho de 1996, um estudioso do assunto, o jornalista e escritor Luís Pellegrini, publicou na revista “Planeta”, um interessante artigo sobre esse assunto (“O decálogo dos vampiros”). Posteriormente, o artigo foi republicado, agora com o acréscimo dos tipos mais comuns de “vampiros da alma”.

Para Luís Pellegrini, são estes alguns dos tipos mais prováveis de serem encontrados: o vampiro lamentoso, que ataca pelo lado emocional e afetivo, colocando-se sempre na posição de vítima sofredora; o vampiro cobrador, que cobra sempre aquilo que não lhe é devido, achando que tem direito a tudo, e que não precisa dar nada em troca; o vampiro hipocondríaco, que a cada dia aparece com uma doença nova, pois esse é o seu jeito de chamar a atenção dos outros; o vampiro pegajoso, que se aproxima das pessoas como se quisesse lambê-las com os olhos e com as mãos, sugando-lhes a energia e provocando repulsa e nojo; e o vampiro crítico, cujo lema de vida é maldizer sempre, e nunca elogiar sinceramente, criticando negativamente a tudo e a todos.

Ao que consta, não há uma técnica definitiva para identificar esses “vampiros”, e assim poder se livrar deles. O que se recomenda é, sempre que possível, manter uma boa distância dessas pessoas, além de fazermos uma reflexão sincera para verificar se nós mesmos, em determinada situação, não estaríamos também agindo como um desses “vampiros de energia”. Por fim, convém que ninguém se engane, pois os vampiros de energia não são seres de outro mundo; na maioria das vezes podem ser algum familiar, amigo, um colega de trabalho, um cliente, um vizinho, etc.

jfrancis@usp.br

*Agente Fiscal de Rendas aposentado,
mestre e doutor em Direito Econômico e Financeiro (FD-USP)

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