PEC 287: ainda não há nada a comemorar

Sylvio Micelli*

Na tarde-noite desta terça-feira, dia 21, o “presidente” Michel Temer, com certa pompa e circunstância, anunciou a retirada dos servidores estaduais e municipais da Proposta de Emenda Constitucional nº 287/2016, que trata da Reforma da Previdência e que tem sido combatida de todas as formas pela representação do funcionalismo no País.

A mobilização gigantesca culminou hoje, também, com o protocolo de instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), no Senado Federal, graças ao trabalho do senador gaúcho Paulo Paim que amealhou 50 assinaturas, quase 2/3 daquela Casa para que o mentiroso déficit da previdência seja discutido da forma correta, ou seja, por meio de cálculos atuariais, sem achismos nem camuflagens.

Temer sentiu o golpe, sem dúvida, mas ainda não quedou mortalmente. Resolveu tomar uma medida que visa dividir a categoria e joga para os estados e municípios – grande parte sem dinheiro – o ônus político de reformas que poderão vir a ser feitas.

Por que o divisionismo? Temer sentiu o peso da união do funcionalismo e, certamente, foi cobrado por parlamentares que estão sendo cercados de todos os lados por representantes do funcionalismo em todo o Brasil. Então o que fazer, pensou o “presidente”: dividir. Colocar servidores estaduais e municipais contra os colegas da União e também colocar tais servidores contra a massa trabalhadora em geral.

Michel Temer também optou por dividir a bomba-relógio com estados e municípios, mais ou menos na linha, ‘eu cuido dos meus e vocês que se virem’. O “presidente” quer dar uma arrefecida na panela de pressão que virou o Congresso Nacional.

Por fim, é importante lembrar que há diversas propostas caminhando por aí como terceirizações ilimitadas, desmonte sindical, renegociação de dívidas do estado usando o “couro” do servidor; então todo cuidado é pouco.

Então, meus colegas, não se enganem. Há avanços, sem dúvida, mas a vitória só virá se permanecermos todos unidos contra o desmonte da Previdência.

(*) Sylvio Micelli, 46, é jornalista, escritor e servidor público. É diretor de imprensa da ASSETJ-SP, FESPESP, CNSP e PÚBLICA-SP

One Comment to “PEC 287: ainda não há nada a comemorar”

  1. Dividir para enfraquecer. Li isso em algum desses livros de estratégia de guerra voltada para o trabalho corporativo. Não caiamos nessa armadilha. A união é nosso trunfo.

PARTICIPE, deixando sua opinião sobre o post:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: