Riscos da Olimpíada

João Francisco Neto

Os atentados atribuídos ao grupo “Estado Islâmico”, além de provocar mortes e destruição, instalaram no mundo todo um clima de permanente insegurança, já que ninguém mais está a salvo de ser alcançado por uma ação terrorista. O recente atentado ocorrido em Nice, na França, elevou em muito esse clima de apreensão. No Brasil, sempre vivemos numa zona de conforto, ao largo de acontecimentos dessa natureza. Entretanto, a proximidade dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro trouxe uma justa preocupação ao povo e às autoridades. Afinal, a Olímpiada será apenas sediada no Rio; na verdade, trata-se de um evento global, que naturalmente atrairá a atenção mundial. Daí a possibilidade, não tão remota, de o país ser escolhido como alvo para ações terroristas de grande visibilidade e repercussão.

Não se pode esquecer do grave precedente ocorrido nos Jogos Olímpicos de Munique (Alemanha), em 1972. Durante os jogos, o grupo terrorista palestino “Setembro Negro” invadiu os alojamentos da vila olímpica e fez reféns onze atletas da delegação de Israel. Apurou-se depois que as forças policiais alemãs não estavam preparadas para lidar com aquele tipo de situação. A mal conduzida tentativa de libertação dos reféns teve um desfecho trágico, que resultou na morte de todos os onze atletas israelenses, além de cinco terroristas e um policial alemão.

Essa tragédia manchou de sangue um evento que deveria justamente comemorar a vida e a harmonia entre os povos. Vale ressaltar que o rastro de sangue não terminaria ali. Nos anos seguintes, o serviço secreto israelense (o Mossad) promoveria a caça e a execução de vários dos terroristas que tinham participado do massacre, numa ação que ficou conhecida como “Operação Cólera de Deus”.simbolo

Voltemos ao Brasil. Se nos longínquos anos 70 um pequeno grupo terrorista foi capaz de desencadear uma situação tão dramática numa Olimpíada, imagine-se o estrago que pode ser feito hoje, por organizações tão poderosas e muito bem estruturadas, como o citado Estado Islâmico e a Al-Qaeda. Ademais, nossas forças policiais, além de não ser um modelo de eficiência, não dão conta nem de combater o crime organizado local. Obviamente que se trata apenas de uma possibilidade; porém tudo tem de ser previsto e, preferencialmente, evitado, por meio de ações bem articuladas, com inteligência, cooperação internacional, compartilhamento de informações, etc.

Diante da situação de calamidade pública em que se encontram as finanças do Estado do Rio de Janeiro, que vem provocando inclusive greve de policiais, há um aumento do nível de preocupação que não estava na agenda do comitê organizador dos jogos. Entretanto, os recentes e violentos atentados terroristas colocaram esse assunto na ordem do dia de praticamente todos os países do mundo ocidental. Às vésperas do início dos Jogos Olímpicos do Rio, há muito pouco tempo para se fazer o que não foi feito até agora. Assim, só nos resta aguardar e torcer para que tudo corra bem.

jfrancis@usp.br

Agente Fiscal de Rendas aposentado, mestre e doutor em Direito Financeiro (Faculdade de Direito da USP)

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