O impeachment e a corrupção

Sebastião Amaro Viana Fº

“Continuamos suportando uma enorme carga tributária para manter grupos de políticos corruptos”

O impeachment pode ser bom para início da moralização, mas, não vai resolver a crise política e econômica instaurada no Brasil, nem vai fazer amenizar os atos da corrupção desenfreada nos meandros do Congresso Nacional, nas repartições públicas e empresas públicas brasileiras.

A implosão do sistema político brasileiro está só começando e ainda vamos assistir muitas outras tantas ironias do destino, sobretudo, depois que o PMDB de Michel Temer e Eduardo Cunha assumir a presidência dessa republiqueta acéfala, pois, essa dupla de políticos juntamente com Renan Calheiros, presidente do Congresso Nacional, pode costurar a implantação do parlamentarismo no Brasil, sistema político de governo que também não é bom, independentemente de quem vier a ser indicado para exercer o cargo de primeiro ministro.

Gravíssima a situação política do Brasil em razão de um governo de formação política duvidosa perante a sociedade brasileira, governo corrupto composto por políticos que têm diretrizes de pensamentos voltados para o socialismo macabro, amparado por um Congresso Nacional, que, em sua maioria, busca, no exercício da política, realizações de seus próprios interesses.

Todos estão convencidos de que o impeachment será bom para o País. Entretanto, a maioria dos brasileiros a favor do impeachment não acredita que a solução para acabar com a crise política instaurada no Brasil esteja simplesmente ancorada no afastamento da presidente Dilma, que sequer deveria ter tomado posse, porque eleita através de um pleito popular recheado de suspeitas de fraudes, mormente nas últimas eleições de 2014, mas também, há quem pense que a crise política comece a ser afastada quando se confirmar o impeachment da presidente e houver a implantação do governo peemedebista, tentando buscar a volta do crescimento econômico do Brasil, o que é pouco provável no atual cenário político brasileiro.

No cenário social, sobram descréditos na política e será muito difícil o Brasil voltar a trilhar os caminhos do crescimento sustentável em razão de que o sistema político brasileiro está alicerçado em ruínas politicamente frágeis e muito difíceis de serem solidificadas, simplesmente porque os três poderes da república perderam sua hegemonia constitucional e desde há muito tempo deixaram de ser harmônicos devidos os diversos escândalos de corrupção envolvendo, inclusive, algumas autoridades da suprema corte, que também está com sua credibilidade popular estremecida.

Esse caos no sistema político brasileiro poderia ter sido evitado se, pelo menos desde a era do FHC até os dias atuais, tivesse existido um Congresso Nacional composto por integrantes políticos compromissados com a verdade, de mãos limpas, de mentes voltadas para pensar no bem estar social, buscando o crescimento do Brasil, ao invés de enveredarem-se pelos caminhos duvidosos dos envolvimentos nos diversos escândalos da corrupção, que envergonham a todos e que fez o Brasil ficar desacreditado, inclusive entre os principais países do mundo democrático economicamente desenvolvido.

Quando observamos o comportamento social da população brasileira podemos ver que a maioria pensa que políticos são todos farinha do mesmo saco e sobram razões para essa convicção própria das pessoas que não mais acreditam na composição do sistema político brasileiro e, além do quê, basta uma simples observação sobre os acontecimentos políticos mais recentes para concluir-se que, por motivos óbvios, a maioria da sociedade civil é radicalmente contra o governo do PT. Não obstante, o povo em geral se deixa levar pelo subconsciente porque é masoquista, porque quer e tem vontade de ser governado sem questionamento por qualquer outro governo seja de qual partido for, inclusive do PSDB no Estado de São Paulo.

O Brasil jamais sairá do caos político em que está enterrado, enquanto governado pelos “velhos conhecidos políticos” integrantes dos partidos como PMDB – PSDB – PT (nessa ordem desde 1985). Desde aquela época o Brasil sempre esteve governado por grupos partidários resultantes de coligações criadas por conveniências políticas, formadas em conjunto com partidos de menor expressão que não deveriam existir, mesmo porque o pluripartidarismo sempre foi prejudicial ao Brasil, inclusive, porque seus integrantes fazem do exercício político-partidário um grande balcão de negócios fraudulentos aos olhos de todos os brasileiros, que, amordaçados, estupefatos, moribundos e inertes a tudo assistem sem qualquer iniciativa e sem poder de reação.

Entre tantos desacertos e tantas mediocridades políticas, não resta dúvida de que a única maneira de trazer o Brasil de volta aos trilhos para a retomada do crescimento sustentável da economia nacional, com geração de emprego e renda, seria a volta do regime militar, não sob o escudo de um poder ditatorial, mas, como poder liberal democrático, regime político formado por cidadãos de mãos limpas, incorruptíveis e de ilibada conduta moral e cívica perante a justiça e perante a sociedade brasileira.

Todavia, as mudanças políticas emergentes dependem do comportamento social-político da população brasileira que precisa ter força, conhecimento e vontade para mudar o atual sistema político enraizado no Brasil desde 1984. É preciso dar um basta na política de favorecimento aos banqueiros que fazem fortunas à custa das benesses políticas-governamentais em detrimento do povo pagador de impostos, desde quando teve fim o antigo regime militar, que trás boas recordações para uns e melancolias para outros, dependendo do ponto de vista individual.

Não precisa ser inteligente para perceber que desde o governo do PMDB de Sarney, iniciado em 1985 após a morte de Tancredo Neves, a situação política do Brasil vem oscilando entre bons e maus momentos em razão de continuados escândalos de roubalheiras e corrupção e, pelo visto, vai continuar dessa mesma forma com tendência de piorar a situação do País, enquanto o eleitor brasileiro ficar acomodado escutando promessas entre tantas conversas pra boi dormir.

Entre tantas desordens políticas e administrativas os cães ladram, as caravanas passam e nos’outros brasileiros de boa fé e de boa índole, continuamos suportando uma enorme carga tributária para manter grupos de políticos corruptos, composto por, pelo menos, um terço dos membros do Congresso Nacional, que querem empurrar o Brasil cada vez mais para o abismo social fazendo sucumbir, principalmente, os menos favorecidos integrantes da classe do proletariado brasileiro.

E, em meio a essa situação política caótica está mais que evidente a necessidade de se fazer uma redução nos valores despendidos com as mordomias dos membros do Congresso Nacional, membros do Poder Executivo e, principalmente, redução nos gastos com Ministérios, que nada fazem e nada produzem. Necessário que se faça uma redução dos gastos do governo federal, com objetivo de buscar valores superavitários no orçamento para ser investido na saúde, na educação e na segurança pública, que precisam ser reestruturadas, porque não dá mais pra continuar a mercê do destino incerto neste mar de lama fétida no deserto das incertezas políticas, numa democracia falida com suas bases desmoronadas, podre e sem rumo.

Marília – SP – abril – 2016.

savianafilho@gmail.com

ARTIGOS de SEBASTIÃO AMARO VIANA Fº

* Agente Fiscal de Rendas (SP) aposentado desde 2009. É bacharel em Ciências Contábeis, foi Consultor fiscal e tributário na COAD – Contadores e Advogados – Revista Fiscal. Em 1988, ingressou na carreira, no PFF-Florínea, logo depois atuou em Marília. Foi Corregedor Fiscal na CORCAT.

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One Comment to “O impeachment e a corrupção”

  1. Olá Sebastião, boa tarde!!
    Como sempre os seus textos são excelentes!!!
    Parabéns!!!
    Por favor, você teria alguma informação da PR!??
    Já estamos em julho e até o momento nenhuma resposta!!
    Essa espera é angustiante!!
    Muito obrigada!!
    Abraços

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