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outubro 4, 2015

A deusa do capitalismo

João Francisco Neto

“Os grandes capitalistas seriam, a seu ver, ‘aqueles que carregam o mundo nas costas'”

A partir da década de 1980, boa parte do mundo ocidental passou por uma grande virada conservadora, liderada pelos governos de Ronald Reagan (EUA) e Margareth Thatcher (Reino Unido). Daí para frente, tanto a política quanto a economia voltaram-se para o chamado neoliberalismo, que, em última instância, tem como meta alcançar o Estado Mínimo. Para uma expressiva parcela da população, a concepção do Estado Mínimo é um argumento sedutor, na medida em que prevê um Estado enxuto, restrito às atividades de segurança, justiça e regulação, sem atuação nas demais áreas – principalmente as assistenciais e as produtivas -, que ficariam por conta da iniciativa privada.  Em meio às fortes turbulências por que o mundo passou, como a queda do Muro de Berlin e o avanço da globalização, a doutrina do neoliberalismo perdeu grande parte do encanto que tinha. Perdeu, mas não morreu.

Nesse ínterim, assistimos a um forte avanço do conservadorismo, modernamente chamado de “neoconservadorismo”.  Trata-se de um fenômeno que tem sido mais notado na Europa, com a ascensão de governos de direita, e nos Estados Unidos, com o fortalecimento do Partido Republicano, inclusive de sua ala ultraconservadora, o “Tea Party”. Um claro sinal disso é a dificuldade com que os países europeus vêm lidando com a questão dos refugiados, que diariamente chegam aos milhares, em busca de segurança e de melhores condições de vida. Os Estados Unidos, que por um longo período, apenas observaram a crise, agora se dizem aptos a receber uma parcela dos migrantes. Da mesma forma, o governo brasileiro, a princípio um tanto quanto reticente, anunciou a disposição de acolher principalmente os refugiados sírios […] Continue lendo

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