O Estoicismo

João Francisco Neto

“O estoicismo reinou absoluto no mundo antigo, mas, sucumbiu ao advento do cristianismo”

Há séculos, o homem vem se ocupando de questões filosóficas, para tentar obter respostas para as mais diversas indagações da vida. Como viver uma vida feliz e virtuosa? Como se preparar espiritualmente para o futuro? Como alcançar a salvação? Até o advento do cristianismo, todas essas questões eram objeto de estudo e reflexões feitas pela filosofia, que, no mundo ocidental, teve seu início na Grécia antiga, e, de lá, foi difundida pelo mundo todo, por obra dos romanos e do imperador Alexandre, o Grande. Dentre os mais diversos ramos da filosofia que floresceu no mundo grego, um deles tem características que fizeram com que o seu interesse perdurasse até nossos dias: o estoicismo.

Essa curiosa vertente da filosofia antiga tem como objeto a observação sobre a arte de bem viver, além das questões éticas e morais da condição humana.

Parece complicado, mas não é. Epicteto, um dos mais famosos filósofos estoicos, dizia que, para se viver uma vida boa, é preciso aceitar o mundo tal como ele é, e expulsar do nosso espírito o medo, a inveja, a alegria pelos males dos outros, a avareza, a preguiça e a incontinência. Simples, não ? Interessante observar que o filósofo grego Epicteto (55 dC-135 dC) , embora tenha passado a maior parte de sua vida como escravo em Roma, sentia-se um homem plenamente livre, porque podia dar asas a seus pensamentos.  Já naquela época, Epicteto aconselhava as pessoas a adotar uma atitude de não-apego aos bens materiais – à maneira do budismo -, preparando-se para o fato de que nada é para sempre neste mundo, pois tudo muda e tudo passa, inclusive nós mesmos […] Continue lendo 

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2 Comentários to “O Estoicismo”

  1. É bom voltarmos um pouquinho antes disso tudo (uns 2.000 anos mais ou menos) e darmos uma lida na Vedanta, que significa a filosofia não-dualista exposta nos Vedas, a mais antiga das escrituras hindús. A Vedanta é um sistema filosófico com características específicas. Em primeiro lugar, é perfeitamente impessoal; não deve sua origem a nenhuma pessoa ou profeta; não foi instituída em torno de um homem. Contudo, nada tem a dizer contra filosofias fundamentadas em determinadas pessoas. Surgiram posteriormente na Índia outras tradições e sistemas – tais como o budismo e muitas seitas atuais – estabelecidas em torno de seus fundadores. Cada uma segue um líder a quem presta fidelidade, como acontece, por exemplo, com cristãos e muçulmanos. A Vedanta, porém, é a base comum a todas essas seitas. Não há conflito nem antagonismo entre a Vedanta e qualquer outra tradição religiosa do mundo. A Vedanta estabelece o princípio, subjacente a todas as religiões, de que o homem é divino, e tudo o que vemos ao redor de nós é o efeito dessa consciência do Divino. Tudo que há de forte, bom e poderosa na natureza humana provém dessa divindade. Ainda que em muitos essa divindade esteja latente, não há, em essência, diferença entre um homem e outro, pois todos são igualmente divinos. A diferença entre nós é causada pelo poder, maior ou menor, de manifestar essa divindade. Ensina também a Vedanta, que toda a vasta massa de energia que percebemos na sociedade, e que está presente em todo plano de ação, realmente vem de dentro para fora: portanto, o que outras seitas chamam de “inspiração”, o vedantista pede licença para chamar de “expiração” do homem! Ao mesmo tempo, a Vedanta não entra em polêmica com outras seitas, nem contesta aqueles que não compreendem a divindade do ser humano. Consciente ou inconscientemente, todos os homens estão tentando manifestar essa divindade. O Deus do céu torna-se o Deus na natureza. O Deus que é a natureza torna-se então o Deus do interior do templo do corpo e o Deus que reside no templo do corpo, por fim, converte-se no próprio templo e se torna a alma e o homem – então, a Vedanta chega às supremas palavras que pode ensinar. Ele, a quem os sábios procuram por toda parte, está em nossos próprios corações. A voz que você ouviu estava certa, diz a Vedanta, só que você a estava buscando no lugar errado. O ideal de liberdade que você percebeu estava certo, só que o projetou para fora e este foi seu erro. Traga-o para perto, cada vez mais, até descobrir que ele estava o tempo todo dentro de você, que era o Self do seu próprio Self. Sua verdadeira essência era a liberdade e esta maia (ilusão) jamais o prendeu em seus laços. Na Vedanta, a ideia de privilégios é a maldição da vida humana, e o pior de todos os privilégios, por ser o mais tirânico, é o da espiritualidade. Ninguém pode seguir a Vedanta e ao mesmo tempo admitir que qualquer tipo de privilégio físico, mental ou espiritual seja exercido: de maneira categórica, não se admite privilégio para ninguém. O mesmo poder está dentro de cada pessoa: alguns o expressam mais, outros menos. Temos o mesmo potencial. Quem pode exigir privilégios? O conhecimento, em toda a sua extensão, está presente em cada alma, inclusive na alma da pessoa mais ignorante. Talvez não se tenha manifestado por falta de oportunidade ou de condições favoráveis. Assim que tiver a oportunidade, irá manifestar-se. A ideia de que um homem nasce superior a outro não faz sentido na Vedanta, como não tem cabimento supor que entre duas nações uma seja superior à outra.. Dê-lhes as mesmas condições e observe se o desempenho intelectual será o mesmo ou não. Antes disso, você não tem o direito de afirmar a primazia de uma nação sobre a outra. A tarefa da Advaita é extinguir privilégios. A igualdade para todos é a essência da moralidade da Vedanta. Apesar dessa matéria ser filosofia, encontra-se no livro de Vivekananda – O que é religião, 2ª edição, 2007, da Editora Lotus do Saber.

    • Prezado Antonio Mariano,

      O seu texto é muito esclarecedor, de forma que só posso agradecer-lhe pela imensa colaboração que você nos traz. Na verdade, o artigo original acabou nos proporcionando essa bela oportunidade para tomar conhecimento de tantas coisas.

      Um grande abraço,,

      João Francisco

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