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setembro 13, 2015

Poder e corrupção

jfrancisconewJoão Francisco Neto

“Os escândalos pipocam no ar, as pessoas se manifestam e os partidos só lidam com os fogos de artifício”

Nos últimos tempos, a agenda política nacional foi praticamente capturada por seguidas denúncias de corrupção, que brotam de todos os lados, configurando uma situação que, desde o governo Vargas, convencionou-se chamar de “mar de lama”.  Revoltado, o povo a tudo assiste e, embora não concorde com nada, sente-se impotente para promover uma mudança rápida desse estado de coisas; vez por outra, uma parte da população sai às ruas para protestar e demonstrar a sua insatisfação.

O que se nota é que há um claro descompasso – um abismo, na verdade – entre os políticos e o sentimento da população. De um lado, há uma classe política gestada e viciada nas práticas inconfessáveis do “toma lá, dá cá”; de outro, uma sociedade que trabalha duro, paga muitos impostos e tem pressa para ver o país crescer e alcançar padrões mínimos de decência e eficiência em serviços públicos. Infelizmente, ao invés de resultados, o que se vê é somente retrocesso.

Apesar de tudo, é forçoso reconhecer que a corrupção não é um fenômeno exclusivamente brasileiro; o que difere um país de outro é a certeza da impunidade e a concentração de poder. Afinal, o que esperar de uma autoridade que dispõe de um poder não claramente delimitado, sem responsabilidade definida e sem controle eficaz? O historiador inglês Lord Acton (1832-1902), estudioso da política e das questões de governo, cunhou uma frase que já se tornou clássica: “O poder tende a corromper; e o poder absoluto corrompe absolutamente” […] Continue lendo

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