Archive for dezembro 28th, 2014

dezembro 28, 2014

Raposas e ouriços

jfrancisconewJoão Francisco Neto

Ouriço, para quem não sabe, é um bicho parecido com o porco-espinho. Feito esse esclarecimento inicial, passemos ao que interessa.  O filósofo inglês, de origem russa, Isaiah Berlin (1909-1997), ao publicar um livro sobre Tolstoi, resgatou um curioso ditado, que vinha da antiguidade grega: “A raposa sabe muitas coisas, mas o ouriço sabe uma grande coisa”.  No sentido literal, isso quer dizer que a raposa, um animal reconhecidamente astucioso, vale-se das mais ardilosas artimanhas e estratégias para tentar pegar um ouriço, que, na hora certa, encolhe-se todo, formando uma bola de espinhos, o que impede de ser capturado pela raposa.

Mas, Isaiah Berlin utilizou-se dessa figura para classificar escritores e pensadores em duas categorias: os ouriços, que são pessoas que têm a vida dedicada a único foco, e as raposas, naturalmente voltadas à diversidade de pensamentos e ações. Com o tempo, essa “classificação” estendeu-se para os mais variados campos da vida humana. Hoje, no mundo corporativo, os profissionais são divididos em ouriços e raposas, conforme, sejam mais “focados” e concentrados num só tema (os ouriços), ou multifacetados e aptos a se adaptar a qualquer situação (as raposas).

Em 2011, um dos maiores pensadores do direito anglo-americano contemporâneo, Ronald Dworkin (1931-2013), ao lançar um livro sob o título de “Justiça para Ouriços” […] Continue lendo

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dezembro 28, 2014

O guarda-sol e o subteto

teo.seminariopTeo Franco

Não sei se foi efeito da caipiroska ou frustração da vida profissional…

Fim de ano, festas natalinas e o tão aguardado momento de curtir o feriadão na praia. Lá fui eu com a família enfrentar o trânsito caótico na descida da serra, como se não fosse o suficiente, amargamos mais dois dias de chuva dentro do apartamento torcendo pelo tão desejado sol de verão. Em tempos de seca, até torcemos muito pela chuva, mas não precisava vir tudo de uma vez justo nos dias de folga.

Enfim, o dia raiou com tempo firme e com ele a turistada compareceu em peso à praia. Com o alívio de não precisar tirar o carro da garagem, atravessamos a rua e já no calçadão fomos recepcionados pelo concierge praiano, Wallace, funcionário da barraca de petiscos à beira mar. Esquadrinhando o escasso espaço nas areias, ele lançou mão da ferramenta e instalou o guarda sol da Associação dos Funcionários Públicos, colocou a mesinha plástica e sacou o menu que carregava debaixo do braço suado: “Qualquer coisa é só chamar doutor” […] Continue lendo

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