O caminho da servidão

jfrancisconewJoão Francisco Neto

Quase no final da 2ª Guerra Mundial, em 1944, foi publicado um livro denominado “O Caminho da Servidão”, cujo autor era o economista austríaco Friedrich Hayek. Àquele tempo, Hayek se encontrava radicado na Inglaterra e, embora já tivesse algum renome, pois era professor na London School of Economics, enfrentou grandes dificuldades para conseguir uma editora para seu livro; todos o recusavam, e um analista chegou até a comentar que a obra teria pouca probabilidade de atingir um mercado amplo. Afinal, acabou sendo editado, e, em pouco tempo, vendou mais 600 mil exemplares. Foi um enorme sucesso. Não era exatamente um livro sobre economia, e sim uma forte reação teórica contra o sistema socialista de economia planejada, e também contra o chamado Estado do Bem-Estar Social, que, naquela época, avançava na Inglaterra.

A obra de Hayek voltava-se contra todas as formas de coletivismo – tanto o comunismo quanto o fascismo e o nazismo -, que, a seu ver, apenas divergiam na natureza do objetivo para o qual desejavam direcionar seus esforços. Em comum, todos discordavam do liberalismo, na medida em que esses regimes totalitários tenderiam a suprimir as liberdades individuais, tomando para si as tarefas de organizar a sociedade e a produção. Ao criticar esses regimes, Hayek dizia que raramente se perde qualquer tipo de liberdade de uma só vez; a perda costuma ser gradual e seguir uma determinada trajetória, que ele chamou de “o caminho da servidão”. Para ele, a perda da liberdade econômica levaria fatalmente à perda das liberdades pessoais e políticas. Hayek conhecia bem as mazelas desses regimes, pois, naquela época, o comunismo estava se consolidando na antiga União Soviética, e o seu país natal, a Áustria, encontrava-se sob o domínio do regime nazista de Hitler […] Continue lendo

7 Comentários to “O caminho da servidão”

  1. A Tese central do “Caminho da Servidão” é que a progressiva intervenção do estado na economia e na sociedade irá anulando a liberdade do indivíduo até o transformar numa espécie de servo, Esta tese não se verifica no Estado Democrático de Direito em primeiro lugar porque a sociedade controla o nível de intervenção, podendo reduzir o nível de intervenção quando excessivo, em segundo lugar a intervenção do estado na economia é vital para que o mercado se consolide porque sem a infraestrutura e a segurança proporcionada por um estado bem estruturado não há confiança dos agentes para realizar os contratos e as trocas, em terceiro lugar a relação entre intervenção do estado na economia e na sociedade e liberdade não é sempre de oposição, mas muitas vezes o estado precisa garantir o mínimo existencial para que o indivíduo tenha a liberdade de escolha. A miséria tira a possibilidade de escolher, A Tese de Hayek não é válida para as democracias que avançaram e se consolidaram.

    • Prezado Flávio,

      Em primeiro lugar, agradeço-lhe pela atenção. E, em segundo, verifico, mais uma vez, que os comentários do colegas neste espaço, na verdade, acabam sempre enriquecendo o texto. Trata de um assunto que comporta uma análise muito mais densa e profunda do que a exposta por mim neste breve artigo. Mas, nos últimos tempos, tenho adotado a seguinte linha de procedimento, ao redigir artigos para publicação: textos curtos e enxutos, em linguagem NÃO acadêmica e com algumas provocações para tentar chamar a atenção dos eventuais leitores. Nos tempos de internet, em que todos têm pressa, ninguém mais tem tempo para nada, procuro não cansar o leitor. Infelizmente, é óbvio que, assim, sempre haverá um prejuízo para o conteúdo, que poderia receber uma argumentação mais rica…..

  2. Concordo inteiramente com as palavras do Flávio, acima. E acrescento que o neoliberalismo tende ao capitalismo selvagem. A aplicação da teoria do Estado Mínimo entrega setores estratégicos das economias nacionais aos oligopólios, que no mundo atual são internacionais. O setor privado ganha participação econômica em relação ao setor público, e leva embora na garupa o interesse público nacional.
    Embora pareça paradoxal, os Estados precisam intervir na economia para balizar a concorrência, para impedir que os oligopólios globalizados implantem a ditadura do capital sem pátria, que consegue ser tão nefasta à humanidade como qualquer ditadura econômica nacional. A rigor ambas são abomináveis, e só um Estado economicamente forte, balizado pelos princípios democráticos, pode impedir os excessos.
    Estado Mínimo é sinônimo de saúde mínima, educação mínima, segurança mínima, etc.
    Em suma, Estado Mínimo é qualidade de vida mínima, é caos social, é república dos bananas.
    Qualquer semelhança com o momento atual que estamos vivendo não é mera coincidência.

    • Prezado Valente !
      Você não é Valente apenas no nome ! Admiro o seu vigor e a sua capacidade de nos brindar com artigos muito ricos e informativos ! E quanto ao pequeno texto que ora publiquei, vejo que você, de novo, e como sempre, sempre acrescenta mais ao artigos, com suas ideias ! Um grande abraço !

  3. João Francisco,
    Parabéns por dar visibilidade ao Hayek, grande economista que ajudou a combater os regimes centralizados. É importante destacar que Thatcher e Reagan levaram Hayek muito além dele próprio. O neoliberalismo, em minha opinião, não foi uma criação de Hayek e de seu grupo, mas de políticos que levaram muito além suas ideias. E mais, é preciso considerar que Hayek lutava contra os regime planejados com forte presença Estatal. É muito provável que alguma de suas ideias seriam atenuadas com o conhecimento que se tem hoje.
    Um abraço,

    • Prezado Gustavo,

      Agradeço-lhe, novamente, por sua atenção ! Sabedor que sou do seu potencial e de tudo que você tem produzido nos diversos blogs e espaços da classe, o seu comentário, ainda que breve, acrescenta ao artigo uma importante possibilidade: a de que Hayek, ao formular suas ideias, não tivesse em mente que elas fossem, mais tarde, servir de plataforma para uma política perversa como o neoliberalismo. Isso comprova que muita gente leva a culpa, digamos, por algo que não fez, e tampouco pensava em fazer ! Um abraço,

  4. Meu, de boa. já somos servos de uma ditadura.! bjos

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