Direitos Humanos e Crime Organizado

viana-sebastiaoSebastião Viana

A vaca já foi pro brejo com bezerrinho e tudo

A Comissão dos Direitos Humanos e a Comissão Nacional da Verdade, instaladas no Congresso Nacional, não estão produzindo frutos sadios de conformidade com os propósitos para os quais foram constituídas e o que se vê diante de tanta desarmonia são somente reuniões vazias de sabedoria, meros discursos com palavras evasivas, sem ações concretas distante de atingir suas próprias metas e desinteressadas na busca dos resultados positivos que a sociedade tanto almeja.

Coincidentemente, as instituições não governamentais e os movimentos apenas rotulados dos interesses na defesa dos direitos humanos e aqueles que se dizem defensores da verdade, na busca de uma verdade absoluta dos tempos remotos ao período em que o Brasil foi governado por militares de cinco estrelas, estão cada vez mais desnorteados entre tantas mentiras e controvérsias nos seus discursos incongruentes e sem eco no deserto das incertezas relativamente à aplicação dos direitos constitucionais garantidos a todos os brasileiros.

Na realidade, nada tem sido feito politicamente para melhorar a vida das pessoas […] Continue lendo

2 Comentários to “Direitos Humanos e Crime Organizado”

  1. Pois é, Sebastião, há muita gente por aí de olho no passado, na busca da verdade verdadeira, como se a verdade não fosse um prisma de muitos lados. Só para exemplificar o que estou dizendo, há um ano ou mais assisti a uma entrevista do grande poeta e compositor Geraldo Vandré, creio que foi no Arquivo Confidencial (GNT, salvo engano), e ele desmistificou um monte de coisas que diziam a seu respeito, sobre ter sido torturado e mandado para o Chile, sobre ter sido contrário à ditadura, sobre ter combatido os militares em suas canções… Não foi nada disso. Ele jamais foi torturado. Ele tinha amigos na Aeronáutica e o sonho de infância dele era ser piloto da Aeronáutica. Ele era, creio que a maioria dos nossos colegas não sabe, ele era fiscal do IBC – Instituto Brasileiro do Café. Em suas canções ele conclamava os militares à luta, o problema é que ele queria uma ditadura de esquerda, e não de direita, uma ditadura semelhante à cubana, e com isto os militares brasileiros obviamente não concordavam. Mas ele garantiu que foi muito bem tratado, que jamais foi torturado. Quando um amigo da Aeronáutico lhe avisou que ele seria preso, mais que depressa ele se refugiou na Bahia, e depois foi levado, gentilmente, por um avião da Aeronáutica ao exílio. Não houve tortura, não houve choques, ele não enlouqueceu, nenhum dos mitos. Ele se disse inclusive desiludido com a interpretação que os brasileiros fizemos de suas canções, desiludido de continuar a compor em português, estaria trabalhando em musicar versos em castelhano. Segundo ele, o público brasileiro entendeu que as canções dele eram como que libelos contra a ditadura, mas não eram, eram libelos a favor do militarismo, mas de outra ditadura, um ditadura de esquerda. Ele é muito querido ainda hoje na Aeronáutica. Aliás, a entrevista foi gravada num prédio da Aeronáutica…! A entrevista mostrou inclusive a presença dele num show da Aeronáutica, ele foi aplaudido de pé. Ele já está meio avançado em décadas, o raciocínio meio demorado, mas muito lúcido. É daqueles entrevistados que demoram antes de começar a resposta, do tipo que pensa antes de falar, mas fala coisa com coisa. A propósito das reivindicações da nossa classe: ele ganhou, muitos anos depois, a ação que moveu contra a sua demissão do IBC, e embora o IBC e o cargo tenham sido extintos, ele conseguiu recuperar os seus direitos, ou pelo menos parte deles — ele declara mais ou menos isso na entrevista.
    Portanto, Sebastião, sou a favor da apuração da verdade, de todos os lados do prisma da verdade, mas por historiadores, e não dessa forma que estão fazendo, com rancor, mesmo porque houve a anistia geral e irrestrita, e no tempo da revolução houve excessos dos dois lados, mas a comissão tem dado ênfase só aos lados antimilitares do prisma. Não gosto disso. Deixemos a apuração dos inúmeros lados do prisma da verdade para os historiadores, respeitemos a anistia. Preocupemo-nos com o presente e com o futuro. Será que esse pessoal não percebe que há uma outra revolução “armada” nas ruas de hoje? Os ônibus, as quebradeiras de fachadas, as invasões de lojas e bancos, os pneus queimados nas estradas e avenidas, as sabotagens a trens… ora, isso é revolução armada. E essa revolução está ligada, não tenho dúvida a respeito, à questão carcerária. Há excesso de facilidades para os presos mandarem de dentro das cadeias, há desumanidade em algumas cadeias, há falta de vagas, há frouxidão do Código Penal, há tratamentos equivocados a menores que de menores mesmo só têm o cérebro e o bom senso, mas na força física e na maldade são enormes e monstruosos…
    É preciso disciplinar o sistema prisional, acabar com visitas íntimas, acabar até mesmo com o tato nas visitas, fazer como nos países mais civilizados: contato só visual, com separação por vidro ou tela, sem direito (ou fechar de olhos) para a passagem presentes, bolos, drogas, nada disso. E ao mesmo tempo, tratar com humanidade o preso, separando por periculosidade, dois presos por xadrez. E remunerando bem quem trabalha nos presídios, mas também exigindo observância total às regras, com penas rigorosas a quem fizer mau uso da função. Ou seja, humanizar e ao mesmo tempo endurecer as regras prisionais. Investir na carceragem. E é preciso alterar o Código Penal, concordo inteiramente com você, Sebastião.
    Abraço.

    • Caro colega e amigo Sérgio.
      Obrigado pelo seu comentário. Pode ter certeza de que sua opinião enriquece minhas singelas reflexões. Você trouxe o outro lado da história de vida do Vandré que eu desconhecia. Concordo, também, que os últimos acontecimentos nos levam a acreditar que está para eclodir uma nova revolta do povo, e possivelmente deve ter alguns adeptos da política no comando das ações devastadoras da paz social. Parece até que os movimentos ocasionados pelo descontentamento social estão sendo provocados por alguns militantes da política partidária, pois o Congresso Nacional ainda não fez nada de concreto que pudesse atender realmente os propósitos dos protestos ocorridos em junho de 2013.”Há muita fumaça no ar” e a fogueira pode ser vista em todos os meios sociais.Recordo de quando tinha quatorze anos,época da revolução de 31 de março de 1964, que começou mais ou menos assim.
      Naquela época, praticamente não existia menor infrator porque aos doze anos de idade os menores eram empregados nas fábricas, como menor aprendiz. Trabalhavam durante o dia e estudavam à noite em escolas municipais ou estaduais e os bandidos sentenciados cumpriam penas em regime fechado sem mordomias e regalias e com restrições das visitas até de familiares. Vigorava a lei da vadiagem e não se falava em direitos humanos desvirtuados como é hoje. O Congresso Nacional precisa ser conclamado a fazer boas reformas estruturais e penais, para restaurar a paz social. Mais uma vez, obrigado, Sérgio. Grande abraço.

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