Tributo é bem ou mal?

joao.mezzomoJoão Batista Mezzomo

Recentemente, um conhecido empresário defendeu a redução da carga tributária, a qual considera alta, mal aplicada e prejudicial ao desenvolvimento. Segundo ele, “temos uma tributação de primeiro mundo e uma contraprestação de quinto”. Essa parece ser a opinião de muitos, mas os números reais mostram que o brasileiro paga um dos menores valores de impostos per capita do mundo, e a quase totalidade do que paga retorna a ele, na forma de serviços e mesmo em dinheiro.

Arrecadamos um valor de R$ 657,00/mês por cidadão, enquanto na Noruega esse valor é de R$ 3.802,07, nos EUA R$ 1.988,13, na Argentina R$ 841,00, e no Uruguai R$ 697,62, só para citar alguns exemplos. Na aplicação, R$ 280,00 dos R$ 657,00 voltam ao cidadão, na forma de aposentadorias, pensões e bolsas. Hoje, poucas famílias não possuem aposentados, mas há pouco tempo os velhinhos tinham de viver de favor dos filhos, e muitos não tinham dinheiro para o hospital ou os remédios. E esses valores distribuídos acabam voltando às próprias empresas, pois são usados para consumir.

Do restante, o Brasil gasta mensalmente R$ 80,00 por pessoa em saúde e R$ 95,00 em educação. Outros R$ 100,00 são juros e incluem o rendimento da poupança, que vêm de impostos.  Após estas deduções, sobram R$ 102,00 para serem aplicados em ruas, estradas, segurança, parlamentos, Justiça, presídios etc. Há no Brasil uma ideia exagerada a respeito dos recursos públicos e da ineficiência em sua aplicação. Tal ideia decorre do desconhecimento geral e de interesses em obter lucros cada vez maiores, os quais também são pagos por todos. Mas, ao contrário dos impostos, eles não são distribuídos e não são aplicados na economia, a não ser que haja pessoas querendo consumir. E isso se consegue com distribuição de renda, não com concentração.

jmezzomo@hotmail.com

ARTIGOS de JOÃO BATISTA MEZZOMO

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22 Comentários to “Tributo é bem ou mal?”

  1. Belo artigo. Curto e grosso. Direto ao ponto.
    O problema maior do nosso sistema tributário não reside exatamente na carga tributária, talvez nem mesmo na distribuição da carga (embora haja problemas tópicos aqui, sim, especialmente quanto ao IR da classe média), mas a alocação dessa carga tem sido bem discutivel, o dinheiro pago pela sociedade a título de tributo tem sido investido para fins privados, ou investido como enorme incompetência e descaso, os escândalos sobre malversação estão aí, um após outro, para confirmar esta afirmativa.
    E também há o problema da oneração exagerada das etapas de produção, da antecipação tributária de fatos geradores do futuro, tudo isto transforma o sistema tributário brasileiro num manicômio fiscal, com enorme custo de adimplemento da norma tributário. Creio que mais do que o valor da carga fiscal, os empresários se revoltam contra a forma como é cobrada.
    Parabéns ao João Batista Mezzomo pelo artigo e por manter esse tema na ordem do dia.

  2. A diferença entre remédio e veneno usa estar no tamanho da dose. Não dá para querer comparar países com índices de produtividade tão distantes… http://oglobo.globo.com/economia/o-custo-do-trabalho-no-brasil-salario-baixo-produtividade-tambem-8246478

  3. Parabéns ao excelente artigo que mostra a realidade tributária no Brasil, muitas vezes escondida atrás de cortinas de fumaça que apenas confundem as pessoas como muito bem demonstrado pelo colega gaúcho.

  4. A maioria acha que a carga tributária é alta. Então, todo o mundo quer “jogar pra torcida”, agradar o desinformado cidadão brasileiro. É que as pessoas no Brasil adoram se declarar irresponsáveis pelo seu pais. Então, elas dizem “pago muito e não volta nada, a culpa é da corrupção”. No entandto, organismos internacionais que estudam a honestidade das esferas públicas no mundo não classificam mal o pais, mas o apontam como tranparente e fiscalizado. E de fato ele é. Se zerarmos a corrupção, coisa inédita no mundo, ficaríamos longe de resolver o problema da precariedade dos serviços públicos, por absolutra falta de recursos. Mas no Brasil o que interessa não é a realidade, os números, mas aquilo que todo o mundo acha. Aguardemos o dia em que o pais irá acordar. Um abraço.

  5. Eu não adoro declarar-me irresponsável . A desonestidade e o descaso com o dinheiro público e , sua aplicação para uma contraprestação decente ( neste caso indecente ) para o povo que realmente necessita , inexiste neste país . Esta caterva que infelizmente está no poder se perpetuando a décadas , não vale nada , com raríssimas exceções . Porque vocês que acham que a carga tributária no Brasil não é alta , comparada com outros países, e que o dinheiro está sendo bem investido conforme os dados apresentados e que a corrupção não é lá essas coisas , utilizem os serviços oferecidos por esta cambada que ” desgoverna ” nosso país. Corrupção não quer dizer apenas dinheiro roubado , desviado , que é enorme demais e daria para fazer muita, mas muita coisa para melhorar a vida deste povo sofrido. Povo mesmo , não pessoas que ficam analisando números e que não dependem destes maravilhosos serviços oferecidos pelos sem vergonhas, que são os responsáveis por esta também maravilhosa oferta. Trabalhar quase 5 meses para este governo , não é nada razoável e que possa ser taxada de uma política transparente.

    • Ou seja, o Sr., que pelo visto é um santo, não tem responsabilidade nenhuma por essa “bandalheira” (segundo seu raciocínio, eu não acho que é uma bandalheira a esfera pública brasileira). Neste caso, candidate-se a político, certamente muitos votarão no Sr. (eu não, já lhe antecipo, pois não acredito em auto-proclamados santos, nem no Brasil, nem em lugar nenhum do mundo). Mas se o Sr. se eleger, saiba que amanhã haverá um batalhão de mal educados lhe agredindo publicamente, sem lhe conhecer. É fácil fazer acusações, já que todo o mundo joga pra torcida no Brasil. Eu apresentei números que podem ser aferidos. Se o Sr. tem interesse HONESTO de saber a verdade, pode aferir por si mesmo, mas se o Sr. quer se enganar que existem recursos suficientes mas os culpados são os outros, não posso fazer nada. O brasileiro gosta de pagar salário de fome para professores, que são responsá[veis pela educação dos filhos dos brasileiros mais pobres, e de soldados, que defendem o patrimônio dos que tem, depois reclamam da criminalidade, querem resolver o problema com polícia e presídios. A explicação disso é simples: uma postura completamente materialista e egoísta e uma completa falta de solidariedade e espírito de brasilidade. Assim, não se contrói um país, só um bando de indivíduos.

  6. Caro Sr. João Batista.
    Tenha certeza de uma coisa que não sou Santo , pois Santo só existiu um e jamais, nunca proclamaria me comparar a Ele . Honesto com certeza sim e não duvide disso.Gostaria de ser um político que tentaria mudar para melhor a situação do Brasil, mas o Sr. bem sabe que ser eleito em nosso país não é tão simples assim , pois tem um preço muito alto após a eleição e nunca estaria disposto a pagar por este cargo. Caso o Sr. goste desta classe e acha que os recursos são bem aplicados e distribuídos de maneira satisfatória para o povo , é a sua opinião e respeito . Na política brasileira com certeza é muito fácil fazer juízo de valores diante de tanto descaso com o povo. Política na sua essência que é uma das mais belas ciências deste mundo , mas não no Brasil. Adoro o senador Cristovão Buarque quando diz que a solução para o Brasil é educação , educação e educação , pois é a base de tudo . Não é o brasileiro que gosta de pagar pouco a professores e policiais .Penso ser uma injustiça dizer isto , já que os responsáveis pela situação que vivem os cidadãos brasileiros ,que não conhecem ao menos o significado da palavra cidadania , não pagam salário de fome a ninguém , conforme o Sr. mesmo diz a estes valorosos profissionais e sim o governo. Não duvido dos seus números , visto que não seria sensato divulgar dados duvidosos.
    Mais uma coisa , também acredite que não me encaixo neste grupo de materialistas , egoístas com uma total falta de solidariedade e espírito de brasilidade . Não tenho é uma ampla aceitação e conformismo com este cenário em que vivemos . Também não sou responsável por esta bandalheira , até porque tento mudar isto da maneira que posso , votando corretamente para quem sabe , tirar este bando de indivíduos que não são capazes de ao menos se mostrarem dignos da confiança neles depositadas. Não disse em momento algum que toda esfera pública brasileira tem esta conotação de baixeza e seria muito injusto de minha parte generalizar desta forma.
    Não quero polemizar esta discussão de opiniões com o Sr. , pois as nossas são muito divergentes e não creio que aceitará a minha e muito menos eu a sua . A minha é mais prática e voltada para o dia a dia do povo.
    Desejo sucesso na sua profissão e nos levantamentos feitos a respeito do Brasil e que possam realmente mudar o rumo de nosso país.

  7. Prezado Manoel, quando a gente não quer ver as coisas a gente não vê mesmo. Como lhe disse, percebo há anos que essa desinformação do brasileiro tem um fundo psicológico, ele gosta de ouvir e repetir que não é responsável pelo seu país, mas ele é sim. Se existem crianças com fome e estudando em colégios muito ruins, todos nós somos responsáveis por isso. Se o Sr. quiser encontrar quem lhe aponte um culpado, vai achar, pois faz parte desta construção psicológica achar um culpado que não seja o Sr.. nem quem está apontando. Sempre é o outro. Ver quem está com a razão neste caso, eu o Sr., é simples. Posso ensinar a qualquer pessoas alfabetizada como achar os PIBs per capita do Brasil e dos demais países do mundo, depois multiplicá-los pela carga tributária percentual, depois dividir por 12 meses do ano. Isso vai resultar na arrecadação em dinheiro mensal per capita dos países. Mas se o Sr. não quiser ter este trabalho, olhe em http://goo.gl/Nyufkr,
    Lá aparece esses valores mensais para os 30 países estudados pelo IBPT, que diz que o Brasil é o país de pior retorno dos impostos entre os 30, mas a tabela que elaborei mostra que o Brasil é o pior em impostos per capita e em salários, segundo dados disponíveis e ao alcance de todos. Me diga se podemos ter melhor IDH tendo os menores salários e as menores arrecadações de impostos per capita.
    Não sei qual sua profissão, nem sei seu nome completo, mas entendo que um empresário faça esse discursinho superficial, pois quer justificar sua vontade de pagar menos, para ter mais lucros. Que um cidadão caia nesta lenga lenga é que não entendo. Se não temos clareza sobre isso os empresários crescem sobre os tributos e sobre os salários, aqui e em qualquer lugar do mundo, pois eles querem lucros cada vez maiores, e estão certos, pois são empresários. O cidadão é quem tem de exigir sua parte na produção das riquezas do pais, que é feita por todos. E sua parte vem pelos salários e serviços públicos de qualidade. Foi isso o que ocorreu na Europa, que há pouco mais de 100 anos atrás vivia uma situação semelhante à nossa. Lá a pressão dos sindicatos trouxe distribuição de renda e dessa forma fez a demanda crescer, e o PIB per capita junto. No Brasil achamos bacana a França subsidiar produtores de leite para não irem morar na cidade, mas isso por serem franceses. Se um governo faz o mesmo com brasileiros, achamos que é “dar o peixe e não ensinar a pescar”. Para pescar tem primeiro que comer, ter condições mínimas, as políticas adotadas pelo Brasil de distribuição de renda e aposentadorias mesmo a quem não contribuiu tem esse condão, de dar condições mínimas. Fundamentalmente, o problema é que muitos brasileiros, apesar de possuírem educação formal, muitos vezes obtidas em rede pública de ensino, não se sentem responsáveis pelo público, acham que é “do governo”, que tem de dar a eles o mesmo que pagam, ou mais. Se formos ver, recebem mais do que pagam, mas o que recebem se torna invisível, pois não é cobrado, então eles pensam que não volta nada, mas estão equivocados. Sua relação com “o governo” não é uma relação fraterna, é a de um estranho. Isso eu vejo somente no Brasil, em qualquer país do mundo que conheço, até no Paraguai, as pessoas tem clareza que os serviços públicos são pagos por todos, é o preço de pertencer àquele país. Como numa família, se há desvios, isso não justifica falar mal, depreciar, jogar contra e imediatamente acreditar na pior hipótese, de que todos são desonestos, ou que o dinheiro que vai para os outros é desnecessário, só é necessário o que vem para nós.
    Não conheço tanto outros países, conheço alguns exemplos. Para ó Sr. ter uma ideia, na Irlanda, que é um dos países mais pobres da comunidade europeia, o salário desemprego é de 2.000 euros. Ou seja, todo o cidadão irlandês desempregado ganha 2.000 euros, ou seja, 7 mil reais. E aqui tem gente que não dorme por pagarmos cento e poucos reais para uma família muito pobre poder garantir que seus filhos comam algo antes de irem a uma escola ruim, pois o professor ganha muito mal e a sala está caindo aos pedaços. Mas essa mesmas pessoas muitas vezes estudaram em universidade pública, que tem outro tratamento, pois serve aos que podem estudar e se preparar. Ou seja, gastamos com adultos de famílias que já tem dinheiro, mas com crianças pobres queremos economizar. A maioria que fala que quer “educação, educação e educação”, se apresentada a conta de sua intenção, sai com esse discursinho superficial e vazio, de que paga muito e não volta nada, pois pensam ingenuamente que isso depende da “bondade do rei”. Não, isso depende de aceitarmos arrecadar mais, pois o dinheiro não vem do céu.

  8. Caros João Batista Mezzomo e Manoel:

    Está muito interessante a leitura do faiscante debate. Bons argumentos de parte a parte. Ambos têm razões.
    Os fundamentos numéricos que o nosso prezado João Batista traz são irrefutáveis. Realmente, em termos absolutos, a carga tributária brasileira não é das mais elevadas. Talvez o seja em termos relativos, na relação custo/benefício. E certamente é mal distribuída, há muito regressividade no imposto, e a classe média me parece a mais oprimida pelo tributo, eis que banca os tributos e outros custos sociais que não entraram na conta do João Batista, como o plano de saúde, a escola dos filhos, os seguros todos (de carro e vida e residência, eis que a violência é um dado objetivo). Jà as classes menos abastadas, embora recebam péssimo atendimento hospitalar e educacional, têm recebido ultimamente um pequeno estímulo inclusivo, ainda que mínimo e insuficiente, além do que não são oneradas pelo IR. Já as classes bem mais abastadas, os ricos e muito ricos, têm praticamente os mesmos custos de saúde e educação e seguros que a classe média, e arcam com a mesma alíquota máxima de IR (27,5%), e proporcionalmente com menos tributação relativa sobre consumo (em relação aos seus elevadíssimos rendimentos). De modo que a classe média me parece a mais espremida nessa relação custo (tributário)/ benefício (serviços públicos). Mas em termos absolutos, a carga não é das mais pesadas, o João Batista tem razão. O peso da carga é mais sentido pela classe média, e o peso dos sofríveis benefícios atingem mais diretamente os mais pobres, mas… a carga total não é de fato das mais pesadas, não. E nisto o João Batista põe o dedo na ferida, com números incontestáveis.
    Por outro lado, os nossos problemas sociais apontados pelo Manoel, procedem. As chagas sociais estão aí perambulando pelas ruas dos centros das cidades e por todas as periferias, mormente as das grandes metrópoles. E neste sentido creio que ambos estão pensando na mesma linha, pois se para um a carga é baixa e para o outro os serviços públicos são lamentáveis, e ambos têm razões, então a equação fecha coerentemente — a causa do mau serviço público pode residir na carga tributária baixa.
    Mas pode também — e o Manoel carrega nessa tinta — decorrer, em parte, da malversação do dinheiro público, via corrupção e incompetência. Concordo com o JBM, em boa parte, no tocante à corrupção, pois o brasileiro costuma alimentar o complexo de vira-lata, como se nossa sociedade fosse a pior do mundo no quesito honestidade, e isso não é verdade, pois a corrupção grassa por todas culturas, desde antes de Cristo, numas mais, noutras menos, mas sempre houve e sempre haverá corrupção onde houver interesse econômico e algum ser humano por perto. Isto é uma constatação que os jornais noticiam quase diariamente.
    E creio até que a corrupção do lado do investimento público, dos gastos do governo, seja muito maior do que a patrocinada por empresários sonegadores, eis que escândalos nesta área ocorrem, mas são raros e tópicos. De qualquer forma, seja no lado da receita ou da despesa, a corrupção é sempre uma fuga de recursos públicos e deve ser combatida, e se for bem combatida, pelo Fisco e pelos Tribunais de Contas e pelos cidadãos em geral, certamente compensará parte da escassez tributária.
    Esse debate é extremamente produtivo, pois revela que o Fisco exerce papel fundamental na sociedade e tem plena consciência disso.
    Abraços a ambos e parabéns pelo colorido das faíscas. São das que iluminam.

  9. E perdão pelas vírgulas fora de lugar, pelas repetições, pelos artigos omitidos e pelos que sobram. Foi escrito ao correr da pena.

  10. Discordo plenamente do artigo apresentado, os dados não são coerentes. Dizer que no Brasil se paga menos impostos que nos países que foram apresentados é dizer que o país é pobre. Vejamos os dados retirados do site http://data.worldbank.org, Noruega onde foi 1º pelo IDH de 2012, sendo o seu PIB per capita de US$ 99.558; Estados Unidos onde foi 3º pelo IDH de 2012, sendo o seu PIB per capita de US$ 49.965; Argentina onde foi 45º pelo IDH de 2012, sendo o seu PIB per capita de US$ 11.452.
    Em outras palavras quanto maior a renda mais impostos serão pagos e o governo terá mais recursos, se no Brasil tivesse o PIB per capita da Noruega, pagaríamos igual que a mesma.
    Os dois países Noruega e Estados Unidos tem padrões de vida elevados, desenvolvimento social e econômico equilibrado e sustentável, melhor distribuição de renda. Enquanto no Brasil tem índices humanos alarmantes como violência e o sistema saúde precário, educação não há o que ser dito, economia oscilante e infllacionária, e que os R$ 657,00 arrecadados, podemos ter o padrão de vida da Noruega.
    Não me importaria de pagar o mesmo que é pago na Noruega, desde que ganhe o mesmo que um norueguês.

  11. Caro Eduardo:
    Será que o Brasil não está pessimamente colocado no ranking do IDH, enquanto a Noruega e os Estados Unidos, citados por você, estão entre os primeiros, exatamente porque lá o PIB per capita é também elevado?
    Note que há boa correlação entre PIB per capita e IDH, a saber — pior o primeiro, pior o segundo, melhor o primeiro, melhor o segundo.
    Estranho seria se figurássemos na lista dos maiores PIBs per capita e na dos piores IDHs. Mas não é isto que os números indicam.

  12. Prezado Valente, obrigado pela sua manifestação aqui no Blog e também no JC aqui de Porto Alegre. Quem se dispõe como eu a defender a esfera pública acaba atraindo a agressividade de pessoas que estão acostumadas a ouvir e repetir A MAIOR MENTIRA DA HISTÓRIA DO BRASIL, a de que pagamos uma carga tributária insuportável, e não retorna nada, pela imensa ineficiência e corrupção da esfera pública. Nenhuma destas alternativas está nem mesmo próxima de ser verdade. Digo isso com absoluta certeza e absoluta tranquilidade.
    Em primeiro lugar, não pagamos muito nem mesmo em termos de percentual do PIB, muito menos em valores per capita. Os paises mais desenvolvidos do mundo tem arrecadaçoes que se aproximam da metade do PIB, e seu PIB per capita é muito maior que o nosso. Os EUA tem CT menor, mas lá a saude e previdência são privadas (mas são compulsórias, ou seja, quem trabalha deve pagar plano de saude e previdencia, mas a uma empresa privada). Se tirarmos previdencia e saude da CT brasileira sobra 15% PIB, sendo que desses tem os juros líquidos pagos que são 6%, ou seja, o custo da esfera pública brasileira, se tiras saúde e previdência e juros, que remuneram principalmente os poupadores, cai para algo em torno de 10% do PIB.
    Para ver como a CT brasileira não é esse peso todo, veja quantos empresários novos nascem a toda a hora, pessoas que as vezes nem estudo formal tem, abrem uma empresa e em poucos anos compram apartamentos de luxo, carros importados e sempre do ano, viajam ao exterior e fazem discursos contra a carga tributária brasileira. E a maioria cai nesse papinho. Assim eles se sentem autorizados a não pagar os tributos. Existem estados em que a inadimplência do ICMS passa de 15%, ou seja, as empresas usam o imposto como capital de giro. E as autoridades mesmas acham demais processá-los por crime, apesar da legislação prever isso. Se estivessem nos países do primeiro mundo que visitam, pagariam muito mais do que aqui, sua taxa de lucro seria muito menor, e se não pagassem os tributos iriam para a cadeia e seriam declarados antissociais, e são. Mas aqui os culpados de tudo são os “corruptos”. O pessoal passa o dia intero assistindo casos de corrupção na TV e falando disso. Será que tem corrupção no Brasill Valente? É claro que tem. Tem no Brasil, nos EUA, na China, no Japão, na Coreia, na Noruega, até no Vaticano tem. Voce acha que os americanos sabem que lá tem corrupção? É claro que eles sabem, e os alemães e ingleses também, Pois eles não são otários, sabem que dinheiro de bobeira todo o mundo mete a mão. Aqui e em qualquer lugar do mundo. Eles investem em controles e transparência e vão pensar em outra coisa mais importante e mais prazerosa. E um alemão não vai ficar desfiando suas mazelas para ingleses e franceses verem, e vice-versa, mas também metem a mão, e não é muito diferente daqui. E será que a midia bate nesse assunto por que no Brasil? Ora, é por que o brasileiro adora isso, assim ele se sente irresponsável e uma vítima “dos corruptos”. Bela fantasia essa do povo barsilero, parece o conto infantil do bicho papão.
    Não concordo com você quando diz que a classe média paga mais do que recebe, isso é o que ela pensa, pois todo o mundo diz isso e ninguem refuta. Assim tornou-se uma verdade, mas não é. A classe média mora em ruas pavimentadas, com sistema de esgoto, sitema da trafego, coleta de lixo, segurança, iluminação, etc. Tudo isso foi pago e sua manutenção continua sendo feita com impostos. Ela usa as estradas que são feitas e mantidas por impostos. Ela recebe 9% ao ano em suas aplicações financeiras, um dos maiores retornos do mundo, que vem de impostos. Se o Governo baixa os rendimentos, os brasileiros mesmo investem em títulos do tesouro americano, ou seus fundos o fazem, mandando contra a própria moeda e o próprio país. Não se perguntam se isso prejudica o país, pois isso parece não lhes dizer respeito. Se tomares qualquer família de classe média verás que tem muitos aposentados, e eles vão longe recebendo suas aposentadorias, pois quem tem dinheiro vive mais. Se fizeres um estudo verás que os pobres sustentam os medios e ricos no sistema previdenciário brasilero, pois em média vivem menos depois de aposentados do que os médios e ricos. E a previdência é a principal despesa pública, e previlegia os setores médios. Voce pega o estado de SP, de voces, ele gasta o mesmo valor em ensino fundamental e médio do que em ensino superior. Evidentemente, o superior atende menos pessoas, a um custo muito mais alto por aluno. Se entras na USP e comparas a estrutura física, banheiros, salário de professores etc. com a do colégio público do outro lado da rua, vais notar a diferença. Por que essa diferença? É que o colégio serve o pobre, a USP os médios e ricos. Isso que eu chamo de BURRICE (dá licença) pois gastamos com adultos e não gastamos com quem mais precisa, as crinças. Ora, quem tem dinheiro deveria ter prazer em ajudar as crianças filhas de brasileiros, isso sim seria pensar em educação, mas não só pensar, investir de fato. Mas o que as pessoas dizem é que o pobre paga pouco, não se pode dar muito a ele por isso. Belo raciocínio, depois resolvemos nos gradeando em casa, investindo em polícia (diga-se de passagem, mal paga para correr risco de vida) e presídios. Não é uma postura inteligente nem do ponto de vista econômico, muito menos num sentido mais amplo, pois pertencer a um pais que concede status de igualdade a todos os seus cidadãos é um bem inestimável, não há economia de impostos que justifique a sua ausência.
    O problema Valente é que o Brasil não é verdadeiramente um país, pois para isso não basta ter um território, pessoas e leis que definam que ele seja um pais. Falta justamente as pessoas se sentirem iguais enquanto brasileiros. Na França, um frances é um frances, seja rico ou pobre. O frances tem orgulho de dizer que seu país acode ao frances menos favorecido. Na Alemanha também, na Inglaterra também, em qualquer país é assim, mas aqui não. As pessoas parecem lutar diuturnamente para estabelecer uma divisa entre elas e o “povão”. Não sei o que aconteceu com o Brasil, pois não era assim. Enfim, sou otimista, acredito que isso mudará um dia.

  13. Caro Sr. João Batista , meu nome completo é Manoel Marques Neto, moro em Ponta Grossa/Pr e pode acreditar , não sou empresário e não tenho o hábito de proferir discursinhos superficiais por aí e muito menos julgar as pessoas, pois estaria abrindo um precedente extremamente maléfico de poder ser julgado , por pessoas injustas e vazias , que não o seu caso. Não defendo empresariado , pois suas reclamações corriqueiras do sistema tributário, não condiz muito com nossa realidade , pois impostos altos condenados por eles, são cobrados em tudo que consumimos . No entanto tenha certeza de um cenário incontestável , nós da classe média é que pagamos a maior parcela da dívida e do dinheiro proveniente de tributos e infelizmente grande parte desse recurso vai para o ralo que parece não ter fim.
    Tenha total convicção de que contribuo socialmente para o país , e para a sociedade onde moro , enxergando nossas mazelas sociais , ajudando os mais necessitados e contribuindo para que suas vidas sejam melhores . Igualmente tenho crianças no semiárido nordestino das quais sou padrinho e proporciono uma vida mais digna para elas.Participo da vida política de minha cidade , meu Estado e também na esfera federal , interferindo no que seja possível e acompanhando o que de melhor existe nesta área , que não é muito, mas como disse , não podemos generalizar. Não sou o tipo de pessoa que acredita em lenga lenga, expressão usada pelo Sr. ,um Auditor Fiscal.
    Penso que o Sr. primeiramente deveria ler as opiniões aqui colocadas , de uma maneira mais calma , com sentimento de aceitação , com mansidão , humildade e respeito com as opiniões alheias . Assim como eu fiz com o seu ponto de vista , afirmando que o respeito , pois devemos ser respeitosos com as pessoas que conhecemos e mais ainda neste caso especificamente , pois o Sr. não me conhece . Não me conhecendo , está incorrendo em um enorme equívoco de juízo de valores a meu respeito , do meu trabalho, do meu nível de instrução , julgando meus conhecimentos e pontos de vista que merecem ter consideração e apreço. Enxergo muito bem o que acontece em seu país. Agradeço também a gratificante oferta de ensinar pessoas ” alfabetizadas ” a calcular PIB per capita , carga tributária percentual , arrecadação de dinheiro mensal per capita e outros muitos números inerentes a sua profissão e conhecimentos . Minha formação é na área de exatas , sou engenheiro com conhecimentos nas áreas de Mecânica Industrial e Engenharia Civil . Ficaria surpreso com o nível de meus conhecimentos e também a função que desempenho hoje no estado do Paraná . O Sr. também exerce uma bela função no Estado do Rio Grande do Sul e como eu , não pode fugir do desconto em seu contra cheque de quase um terço do merecido ganho que recebe. Todo esse dinheiro que o Sr. paga no decorrer do ano, que não é pouco, com certeza está sendo bem empregado e retornando em contraprestações do Estado para que sua vida seja melhor. Sua posição de querer arrecadar sempre mais para não “depender ingenuamente da bondade do rei ( suas palavras )”, se mostra muito simplista para um sistema tão complexo , ineficiente e que maltrata aqueles que o sustenta. Arrecadar sempre mais , não significa como temos visto ao longo de anos , melhorar muito a vida do povo, proporcionalmente ao crescimento dessa política, política não, isto não é política ,mas sim um propósito de arrecadar mais e mais , sempre arrecadar. Há anos a União vem batendo recorde em cima de recorde de arrecadação de tributos . O dinheiro nunca dá , nunca é suficiente para o Estado cumprir com sua função social. Incompetência, recursos bilionários empregados indiscriminadamente e que passam muito longe do anseio dos cidadãos, que desejam ter um sistema educacional realmente que ensine o sentido de cidadania. Igualmente a saúde que tem a obrigação de ser asseada , honesta e saudável para quem realmente necessita, mas que ingenuamente sempre acredita neste sistema ineficaz e ardiloso. Tenho certeza de que o Sr. não utiliza os serviços do SUS , caso eu esteja errado e fazendo juízo de valores de sua pessoa , por favor me desculpe.Com uma distribuição de renda mais conveniente para os mais necessitados , tenho certeza absoluta de que o dia a dia desses cidadãos teria realmente mais vida, alegria e e dignidade. Jamais aceitarei e , como sempre acontece , desvios de dinheiro recorrentes e já habituais para sustentar, financiar partidos políticos , altos cargos em estatais para companheiros, não apenas do governo que aí está , mas sempre com a mesma finalidade e canalhice. Chegam ao ponto de assassinar companheiros, amigos , para que não atrapalhe e perturbem estes esquemas inescrupulosos . Poderia discorrer a respeito de muitos outros acontecimentos, mas não vou incomodá-lo com isto . Admiro seus números que vão contra estes dados e defende que o governo tem que arrecadar sempre mais sempre aumentando esta fabulosa quantia de recursos de todos os anos e muito pouco coisa acontece. Penso que a educação é a base de tudo , como já foi demonstrado em muitos países extremamente desenvolvidos socialmente, que investem muito em pesquisa , tecnologia , ciências e também no seu cidadão. Concordo e defendo o ponto de vista de que, estudantes mais abastados que estudam em instituições de ensino públicas ,tem a obrigação de oferecer ao estado depois de formados , uma contribuição com seus conhecimentos voltados para a sociedade que os sustentou no decorrer de sua formação. Direi sempre que educação, educação e educação é a solução básica para os problemas de seu país .Infelizmente não é a maioria que pensa assim , pois se tivessem este brilhante rumo para suas vidas , alcançariam o principal que, como já disse anteriormente, conheceriam o verdadeiro sentido de cidadania e não necessitariam de discursinhos superficiais e vazios, como o Sr. indelicadamente menciona em sua opinião , parecendo que tem muita razão no que diz e mais uma vez incorre no erro de fazer juízo de valores de pessoas. Pessoas que desconhecem seus direitos , pois são deixadas de lado e proibidas de adquirirem conhecimentos e cultura por este famigerado sistema , para este muito conveniente . Porque não dizer oportuno, mas isto não é impossível porque o seu abarroado e incivilizado “Rei” não dá a mínima para isto. Meu discurso , tenha certeza ,nunca será discursinho superficial e vazio e não tenho a pretensão de ser o dono da verdade. Peça para aumentar o desconto em seu contracheque, pois estaria dando um primeiro passo para a vontade de arrecadar sempre mais. Abraço ao Sérgio Valente e digo elegantemente a ele que , minhas faíscas são de coerência , liberdade e de uma vida feliz , e de cores verdes e brancas que significam paz e esperança. Fico por aqui esperando ter acrescentado algo a opinião do Sr. João Batista , como este acrescentou a minha. Os números são importantes, mas não resolvem todos os problemas. E porque não enviar um abraço Ao Sr. João Batista. Sinta-se recebendo um abraço. Até mais.

  14. Que belo exemplo de cidadania e democracia nos dão aqui o João Batista e o Manoel (que além de esperançoso, deve ser palmeirense…). As opiniões divergem quanto à carga, mas convergem plenamente quanto às mazelas sociais e à necessidade de mudar esse estado de coisas.
    O problema é que há no Brasil, infelizmente, uma elite refratária à inclusão social. Confesso que quando lançaram o programa Bolsa-Família, por exemplo, eu era contra, achava que aquilo viciaria o cidadão, que os beneficiários iriam gastar tudo em pinga, etc. Hoje penso diferente, pois tenho um filho que trabalha em Maceió e de vez em quando vou para lá, e temos notado uma certa mudança no interior do Estado de Alagoas: as cidadezinhas pequenas estão mais agitadas, há mais comércio, e isso gera empregos não só na cidadezinha, mas também nos grandes centros, pois as mercadorias vendidas ali são produzidas em algum lugar… Vale dizer, o programa gera demanda, que ativa o comércio, que exige produção, e ambos (comércio e indústria) geram empregos, renda, e mais demanda, etc. — é o círculo virtuoso. Não é à toa que o Brasil no momento é um dos poucos pontos fora da curva da economia mundial. E isso está ocorrendo no Brasil inteiro, graças em granjde parte a esse programa de inclusão. Claro que ele pode ter distorções tópicas aqui e acolá, até mesmo uso indevido por políticos, corrupção, etc., e pode até estar, em algumas famílias mais desestruturadas, estimulando o consumo de cachaça, mas essas anomalias são próprias do ser humano, que é imperfeito desde Adão e Eva…
    De modo que mudei minha opinião de dez anos atrás sobre o Bolsa-Família. Mas tenho muitos e muitos amigos que continuam refratários ao programa, apesar dos benefícios sociais que ele gera. E não nos iludamos, os recursos públicos devem ser alocados na área social (escolas, hospitais, segurança, asfalto, etc), mas passam pela atividade econômica. Se a economia não estiver bombando, se não houver empregos e renda, tudo piora, da saúde física e psicológica das pessoas, à arrecadação de impostos, e, por consequência, aos gastos do governo com o social… É o tal círculo, que pode ser virtuoso ou vicioso.
    E também entendo, como já afirmei em outra postagem, que a carga tributária é mal distribuída, que o sistema tributário nosso está um manicômio, e que precisamos de duas reformas lúcidas: uma tributária, que distribua melhor a carga, e outra na gestão orçamentária, pois tenho visto certos descalabros por parte de alguns governantes que são de doer… a tal ponto que às vezes a gente desanima.
    Mas a esperança é verde e a paz é branca.
    Abraços e que continuem as faíscas, que é com verdade nos argumentos que as coisas mudam.

  15. Não vou me estender, vou ficar só no SUS. Todo o brasilerio usa o SUS, o IPE que uso é conveniado com o SUS, as planos de saúde particulares, nos caos graves, encaminham para o SUS. A vigillancia sanitária, que garante a sanidade dos alimentso, é paga pelo SUS. As ambulâncias que atendem a todos, e giram sem parar nas capitais e mesmo no interior transportando doentes e acidentados, são pagas pelo SUS. Meus pais velhinhos recebem medico em casa e remedios pelo SUS. Minha empregada foi operada recentemente pelo SUS, e muitos da familia dela usam o SUS. Pode não ser o sistema de saúde ideal, mas é apontado fora do Brasil como uma boa iniciativa em saúde pública, algo muito caro no mundo todo. Até o Obama está se espelhando nele para fazer algo parecido nos EUA. Com R$ 80,00 por mês per capita queria ver um plano privado o que faria.
    Ok meus amigos Manoel e Sergio Valente, uso este modo meio agressivo de falar mas é uma estratégia. Acredito que todos vamos pensar sobre o asunto, e assim a roda do mundo segue adiante. Abraços.

  16. Com certeza João.
    Quando vou contra o sistema de governo e nele vem de arrasto outros sistemas aninhados em nosso país , é porque tudo isto coadunado , coloca a todos nós numa situação que nem de longe merecemos e devemos aceitar. Condição de desconforto para os que tem mais, e coloco-me nesta posição , de limitação para os que possuem menos e, uma excepção e quase exclusão para os pobres. Desconforto para mim é uma classificação muito pequena, já que o sentimento que que trago comigo é muito maior diante do que vejo e vivencio . Há trinta e dois anos quando comecei minha vida política , depositei muita esperança de mudança e melhorias para o povo. Não posso negar que elas aconteceram ao longo desse tempo, mas a meu ver muito aquém do que os cidadãos deste país merecem. Também por isso João , é que às vezes fico meio agressivo, mas até hoje não pensei nisto isto como uma estratégia, mas vou pensar no caso. O SUS existe e ajuda , mas muito aquém de sua verdadeira função. Também não sou contra bolsa família e outros programas de distribuição mínima de renda, pois os que vivem numa situação de miséria , devem ao menos comer e ser inclusos mesmo que seja minimamente na sociedade. Sociedade esta, analisando os mais abastados, que na sua maioria não tem o mínimo sentimento de humanidade e civismo . Como nosso amigo Valente disse, verdadeiros indivíduos refratários , “amiantos vivos” que não podem nunca se auto denominarem cidadãos deste país. O governo tem vendido para o resto do mundo muita propaganda , muita fachada e sempre para quem está em seu interesse. Também não vou mais estender-me muito em todo este assunto.
    Penso que precisamos de profissionais como você , que trazem números verdadeiros para nortear as ações do governinho que esta alojado , hospedado em nosso país. Dados que com certeza seriam extremamente mais importantes e realmente aproveitados , por pessoas íntegras e dignas como todos nós gostaríamos .
    Com certeza todos vamos pensar no assunto, ou melhor, diante de tudo que discutimos por aqui, aprendermos mais e analisarmos os números e situações de indiferença aqui colocadas.
    Grande abraço de seu colega e Auditor Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná,
    Manoel.

  17. João Batista Mezzomo,

    Discordarei plenamente do senhor, em dizer que o que o SUS atende a todos. O senhor se lembra
    do caso recente, aqui em Porto Alegre, neste ano, do senhor que acabou falecendo porque O SAMU
    “NEGLIGENCIOU” o atendimento deste senhor, assim assassinado-o, e que repercutiu em todo o país,
    muitas vezes minha mãe passou pela mesma dificuldade de conseguir uma ambulância, e isso não deve
    ser novidade para muitos brasileiros. O SUS é um sistema que está falindo, por má gestão pública, corrupção, corte nos rapasses.
    Outra questão é o IPE-SAÚDE e lhe pergunto como um sistema de saúde falido pode
    manter o IPE-SAÚDE? O IPE-SAÚDE é mantido pelas receitas das contribuições para o fundo
    assistência à saúde (FAS), que todo o servidor do estado é obrigado a contribuir,exceto alguns previsto em lei.
    Se não fosse pela má gestão, corrupção e também a retirada desses recursos que o Estado faz, seria um sistema
    bom, e não teria médicos, que atendem pelo IPE-SAÚDE, reclamando que não recebem o valor devido e os mesmos
    estão desistindo de atender pelo IPE.
    Há pouco tempo atrás, saiu na Zero Hora uma reportagem sobre a “Judicialização de Medicamentos”. Se formos ver
    o balanço do Estado RS, notaremos que o Estado teve um valor considerável com despesas de medicamentos e
    internações em hospitais. Então o SUS é bom? Não, há projetos no Congresso que tentam privatizar o SUS, e por enquanto, o governo tapa o buraco trazendo médicos do exterior, principalmente de Cuba, pois os médicos do Brasil se negam a trabalhar por causa da baixa remuneração e péssimas condições de trabalho. O mesmo SUS que Obama tenta implantar nos EUA e que sofre grande pressão do Congresso Americano.
    Meu senhor pare de falar asneiras e falácias, é muito bom falar ,coisa que não se deve, quando se ganha R$
    aproximadamente R$ 25.000,00 por mês e duvido muito que seus pais dependam do SUS.

    Att.

  18. Sr. Eduardo não sei do que,
    Eu não disse que o SUS evita a morte das pessoas, eu disse que ele atende mal TODOS OS BRASILEIROS, por falta de recursos. O caso de Porto Alegre mostra isso, não havia ambulâncias próximas ao Sr. que precisou de atendimento. O atendimento demorou e ele morreu. Segundo médicos, mesmo que houvesse uma ambulância ao lado não se pode afirmar que ele viveria, pois já estava muito doente e há a hora de todos, o SUS não consegue mudar essa leis naturais que governam a vida e a morte, nem nenhum sistema de saúde no mundo real. Para você ter uma ideia, na Noruega é investido R$ 1.000,00 por mês por pessoa em saúde, mais que toda a arrecadação de impostos per capita do Brasil, e as pessoas continuam morrendo. Gostaria de ajuda-lo a resolver este problema mas confesso que aqui vou ficar lhe devendo.
    Sobre o IPE, se você consegue somar dois mais dois, e achar o quatro, posso lhe mostrar que o Governo não tira dinheiro dele, mas põe. Vou pegar meu exemplo, que é bem típico dos funcionários públicos. Ao longo de minha vida funcional vou pagar menos e 15% de IPE, e aí está incluído os serviços de saúde usados por mim e minha família, que não são baratos. Para o Sr. ter uma ideia, um filho meu teve de fazer cirurgia de apendicite às pressas e foi muito bem atendido no hospital da PUC. E não pago nenhum adicional, como o PAS que o Sr. citou mas pelo visto nem sabe do que se trata. Pois bem, vou trabalhar em torno de 30 anos (pois tenho tempo anterior na esfera privada) e depois, em torno dos 60 anos de idade, me aposentarei com a remuneração final. Imagine que eu viva até os 80 anos, uma idade esperada para um funcionário público. Então, ficarei 30 anos pagando 15% e depois receberei por 33 anos o salário integral. Imagino que o Sr. consiga calcular que é deficitário esse sistema. Mas se estiver muito difícil, nã se estresse, solicite que eu lhe remeto mais “mastigadinho” para o Sr. entender. A sua estranheza é que nunca ninguém lhe disse isso. No Brasil as pessoas “jogam pra a torcida”, então, os abobados passam o dia dizendo asneiras e ninguém lhes acude. Um abraço.

  19. Digo, pagarei 30 anos 15% e receberei 20 anos 100%….Isso se viver só até os 80 anos, a maioria dos funcionários do estado passam desta idade, nos dias de hoje, e muitos trabalham menos de 30 anos no estado….A conta na prática é bem pior que essa…..

  20. Sr. João Batista Mezzomo,

    Agora o senhor concorda que o sistema de saúde é péssimo. O caso do senhor que comentei foi totalmente desumano
    e se fosse em um país civilizado(muitos com IDH elevado) isso não seria tolerado de quem faz ou/e pensa assim. Daqui a pouco pode ser com senhor, com sua família, comigo ou qualquer outro que possa depender do SAMU ou SUS. Outra, não falei do PAS que é o plano de saúde suplementar, e sim do FAS(Fundo Assistência à Saúde) que todo o servidor.ativo ou inativo, contribui, assim como o senhor, 3,1% da remuneração bruta, excluídas as parcelas indenizatórias(transporte, alimentação e outras). Não entrarei mais no mérito deste assunto.

    Quem disse que o senhor deixará de contribuir para previdência? Não, o senhor continuará a pagar.

    Na CF88, art.40, §18, diz:

    “§ 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo regime de que trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)”

    Lei Complementar RS nº 13.758/2011 – “Dispõe sobre o Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Rio Grande do Sul, institui o Fundo Previdenciário – FUNDOPREV”, art. 17, inciso II, diz:

    “II – quando inativo, o total bruto dos proventos que excederem ao limite máximo fixado para os benefícios do Regime Geral da Previdência Social de que trata o art. 201 da Constituição Federal;”

    Atualmente, a alíquota está 13,25%. Daqui alguns não se sabe quanto será a alíquota, mas o certo é que todos pagarão igualmente, assim como é pago hoje. E para que tem as menores remunerações no Estado fará diferença.
    Pelas projeções atuariais, em 2080 teremos um deficit previdenciário do tamanho do PIB Gaúcho atual, mas qual a previsão do PIB em 2080? Será que teremos o atual PIB ou será que o PIB maior em 2080 que o atual conseguirá arrecadar mais receita para cobrir esse deficit?

    Se vamos só questionar este ponto, estaremos errados, pois o atual Governo está endividado e se endividando a longo prazo como várias operações de crédito que tem realizado com a Caixa, o BNDES, o BIRD e outros, e que atualmente aprovou vários aumentos, para algumas categorias. Esse mesmo Governo que deixa de pagar o Piso do Magistério, e que em governos passados deixaram de pagar leis que deveriam ter sido pagas e que agora tumultuam, com precatórios e RPVs, o Judiciário, tornando-o assim mais lento quase que ineficaz.

    Peço desculpas, foi equivocado e impróprio a palavra “asneiras”. Não concordo com o artigo, pois é parcial demais e não leva em consideração o PIB per capita e como é calculado os tributos nesses países. No Brasil se paga muito, ICMS da energia elétrica a alíquota de 12% a 25%, das telecomunicações 25%, alíquotas de artigos em geral17% e de 12% no caso dos produtos da cesta básica. Para uma empresa assinar a carteira de um empregado, terá que pagar quase duas vezes(remuneração + impostos), ou seja, os recursos que poderiam gerar mais riquezas, são retidos.

    Att.

  21. Prezado Eduardo,
    Aceito suas desculpas, acho que um debate sobre algo tão importante como os serviços públicos e seus financiamentos merecem mais respeito entre os debatedores. Uma boa inciativa de quem quer entrar nele é se identificar. Mas tudo bem, já que você reconheceu que foi mal educado, vamos lá.
    Você pode discordar do artigo, mas então me diga como fazer um SUS de qualidade, com remédios caros,médicos que querem e merecem ganhar bem, hospitais de qualidade e atendendo a todos, com R$ 80,00 per capita. Os preços hoje são dolarizados, a industria de medicamentos quer ganhar dinheiro, e está certa. Se você fosse acionista de uma industria de medicamentos, ía querer ganhar liucros e dividendos. Só a Petrobrás, que é estatal, é que está sendo prejudicada pois é usada para segurar a inflação, mas as empresas privadas quem comanda não é o Governo. Por causa dessa visão de que pagamos muito e o Governo é responsável pela saúde, pessoas que tem dinheiro entram na Justiça e o estado é condenado a comprar medicamentos caríssimos, e tudo sai dos R$ 657,00 por mes por cidadão. A saúde é cara em qualquer lugar do mundo, na hora da doença a pessoa não quer saber se é caro ou barato, ela quer continuar vivendo. Um pais que tenha cultura real, não necessariamente formal, discute isso com transparência, respeito e racionalidade, não com fantasias de que “já pagamos, o Governo tem de nos dar”. O Governo é uma continuação de nós mesmos, ninguém pode fazer milagres. Por isso que as pessoas jogam toneladas de lixo no chão das cidades, como se não fossem elas mesmas que vão pagar a coleta depois. E essa coleta também sai do R$ 657,00 por mês. As pessoas passam o dia discutindo a imensa corrupção, que existe em todos os paises do mundo, mas a despesa que elas mesmas dão por jogar o lixo no lugar errado parece não ser importante, mas essa despesa sim poderia facilmente ser diminuída, pois existem países em que ela é bem menor que aqui.
    Meu calculo do IPE está errado, mas ele é deficitário para o Governo, não é verdade que o Governo tira dinheiro dele.Os inativos no RS hoje são mais da metade da folha total. Muitos se aposentam aos 55 e vão até os 90 anos. Quem bom que isso acontece, mas seria melhor se agradecessem às pessoas que pagam impostos que possibilitam este FATOR CIVILZATÓRIO. Mas ao invés disso, só sabem falar mal de impostos. Querem mais salário na aposentadoria e menos impostos. Gostaria de saber como fazer esta mágica.
    Você disse “Não concordo com o artigo, pois é parcial demais e não leva em consideração o PIB per capita e como é calculado os tributos nesses países. ” Você tem direito a discordar, mas por favor, pode me explicar melhor sua discordância. O cálculo é simples, posso lhe ensinar a obter estes dados comparativos em sites confiáveis da internet como o indexmundi e o da Heritage Houndation. Se voce já foi à Europa deve ter percebido que lá os preços são muito maiores que aqui. O motivo é que os salários gerais são maiores e os impostos também, muito maiores do que aqui. Mas claro, se voce procurar uma exceção, ainda mais no meio de uma colcha de retalhos como são os sistemas tribiutários, vai achar. Os serviços públicos no primeiro mundo são muito melhores e o motivo é que tem MUITO MAIS DINHEIRO. Meu trabalho mostra isso, não tem como fugir desta realidade. A única objeção que poderia ser levantada é que os preços aqui são mais baratos, ou seja, como menos dinheiro aqui é possível fazer mais. Numa linguagem dos economistas, os valores deveriam ser convertidos pela PPC (paridade do poder de compra). Isso não mudaria muito os números, e mascararia o fato de que pagamos salário de fome para soldados correrem risco de vida para defender o patrimônio dos ricos, e para professores ensinarem crinaças pobres, em salas de aula caindo aos pedaços.

    Um abraço.

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