Tudo que a administração toca vira meta

carlospeixotomCarlos H. Peixoto

A tecnologia da informação fascinava a alta gerência. No chão de fábrica, em tempos de amizade virtual, ninguém se interessava pelo outro. Exceto pelos bolões da mega-sena, vivíamos isolados, entrincheirados em nossas células de trabalho.

Algo deveria ser feito. Contrataram um psicólogo japonês para ministrar um curso sobre a importância do contato físico. Treinamos abraços e beijinhos. “Quanto tocamos um no outro, nosso cérebro produz oxitocina, a mesma substância produzida pelas mulheres na hora da amamentação. A oxitocina nos deixa calmos, relaxados e confiantes. É o oposto da adrenalina, que nos prepara para correr e brigar, por exemplo”, ensinava o professor, abraçado a uma aluna.

A coisa funcionava apenas nas oficinas. De volta à rotina do trabalho, as pessoas continuavam as mesmas, distantes, frias.

Metas, para serem atingidas, dependem de incentivos. Grana. O que antes fazíamos de graça, e por prazer (cumprimentar o colega, abraçar um amigo, dar parabéns no dia de aniversário, dois beijinhos nas mulheres), passou a valer pontos. Pontos que interferiam na avaliação anual; pontos que, quando não alcançados, representavam perda salarial […] Continue lendo

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