Os ralos do dinheiro público no campo tributário

Clair Maria Hickmann*

“É necessário melhorar o controle e a gestão e a qualidade da alocação dos recursos,
além de combater os buracos negros no campo tributário”

A demanda por recursos públicos é cada vez maior. A briga pela apropriação do “bolo” é quase uma guerra. Nas recentes manifestações públicas brasileiras, surgiram novas e diversas demandas, desde o “passe livre”, saúde, educação, até melhorias do serviço público em geral. A resposta dos governantes é sempre a mesma: “Não há recurso público”. Mas será que realmente não existem recursos suficientes para atender às demandas da sociedade?

Inicialmente, cabe dizer que a aplicação e a origem dos recursos públicos são sempre uma decisão política. Ao governo cabe dizer onde os recursos serão investidos, e isso também significa dizer onde não serão aplicados. Cabe igualmente ao governo dizer de onde e de quem os recursos serão retirados, e de quem não serão cobrados, ou seja, quem vai e quem não vai pagar a conta. E governo aqui deve ser lido em sua acepção mais ampla, envolvendo todo seu conjunto de instituições. Trata-se, enfim, de uma opção política.

Uma alternativa para aumentar os recursos públicos disponíveis é fechar seus diversos ralos. No lado dos gastos e despesas, é necessário melhorar o controle e a gestão da coisa pública para evitar desvios com corrupção, além de melhorar a qualidade da alocação dos recursos. Já no lado dos ingressos, é urgente combater os buracos negros no campo tributário, que fazem que muitos recursos públicos deixem de ingressar nos cofres estatais […] Leia mais

*Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil e membro do Instituto Justiça Fiscal

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One Comment to “Os ralos do dinheiro público no campo tributário”

  1. Excelente matéria!.Com referência ao imposto sobre a renda, a grande realidade é que o governo prefere manter uma carga tributária exorbitante sobre rendimentos do trabalho assalariado ao invés de tributar os lucros e dividendos distribuídos, por pessoas jurídicas, aos seus sócios e acionistas. Mas, o governo adota esse procedimento tributário com objetivo de “engordar” os caixas dos bancos e as disponibilidades financeiras das médias e grandes empresas, principalmente as multinacionais que têm suas filiais sediadas no Brasil. O sistema de tributação no Brasil precisa mudar de forma a amenizar um pouco a carga tributária das pessoas físicas assalariadas..

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