Operação Yellow – vazamento de informações

unhappysmilyOs promotores atribuem aos fiscais “destacado braço da organização que atua integrada no seio do Poder Público”

Interceptações telefônicas revelam que dentro da Secretaria da Fazenda de São Paulo vazou a Operação Yellow, investigação sobre empresas de processamento de soja envolvidas em fraudes fiscais que somaram R$ 2,76 bilhões. “Vão fritar em óleo quente”, avisou o agente fiscal de rendas Nélson Noronha de Ávila Ribeiro, em ligação para um advogado interno do Grupo Sina, dirigido pelo empresário Nemr Abdul Massih, alvo maior da força tarefa que mobilizou técnicos do Fisco estadual e promotores de Justiça.

O contato entre Ávila e o advogado foi no dia 21 de maio, véspera da deflagração da Yellow. O fiscal dá o alerta sobre a operação que estava na iminência de ir às ruas – 27 promotores e 100 policiais, além de efetivos da Fazenda, cumpriram mandados de buscas e prisão – Nemr, avisado, fugiu.

Eles convocaram um mundo de gente, um mundo de fiscais, acabei de conversar com um cara de Jundiaí, até o pessoal do Jair foi convocado”, delatou o fiscal. “A gente vai ter de estar de madrugada, amanhã, lá na sede que vai ter uma operação grande, eu e mais metade dos fiscais.” O interlocutor de Ávila perguntou se ele sabia mais detalhes. “A gente vai fazer maldade com alguém, só não sei quem, tá bom?” […] Leia mais

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One Comment to “Operação Yellow – vazamento de informações”

  1. Fiscal exigiu R$ 750 mil do Grupo Sina, diz MP
    Autor(es): Fausto Macedo
    O Estado de S. Paulo – 13/06/2013

    Escutas flagraram intensa negociação entre Sineval de Castilho, da Secretaria da Fazenda/SP, e executivos que teriam sonegado R$ 2,7 bi

    A Operação Yellow – investigação sobre fraudes fiscais que provocaram rombo de R$ 2,76 bilhões – flagrou executivos do Grupo Sina em intensa negociação sobre o valor de propina para um agente fiscal de rendas. Escuta telefônica, autorizada judicialmente, pegou João Shoiti Kaku, funcionário do Sina – segundo maior conglomerado do setor de processamento de soja no País reclamando com um contador sobre a “irredutibilidade do fiscal, que insiste em valor de 3 dígitos“.

    A investigação aponta para Sineval de Castilho como o fiscal “irredutível”. Ele atuava no Posto Fiscal 10 (Santana/Lapa). Os investigadores concluíram que Castilho exigia R$ 750 mil para não lavrar auto de infração milionário contra o Sina. Ao final, teria recebido R$ 500 mil. O advogado de Castilho, criminalista Adriano Salles Vanni, diz que não há provas contra o fiscal

    Três colegas de Castilho – os fiscais Nélson Noronha de Ávila Ribeiro, José Campizzi Busico e Walter Guedes Júnior – são citados por ligações com a organização que simulava operações intermediárias com soja e derivados para geração de créditos fictícios de ICMS. “Fiscais e inspetor da Secretaria da Fazenda negociaram e receberam propina com membros da organização para a não lavratura de autos de infração ou a sua lavratura em valores muito inferiores”, assinala o Ministério Público.

    As interceptações telefônicas monitoravam os executivos do Sina e foram estendidas aos fiscais da Fazenda. Um grampo pegou João Kaku e o contador. Referindo-se provavelmente ao fiscal Castilho, 0 funcionário do Sina disse; “Ele está louco”.

    O contador disse que o fiscal considerou “baixa” a oferta de R$ 150 mil. “O que é 3 dígitos, é 100 mil ou 1 milhão?”, indagou Kaku. “Tem de ser 3 dígitos, ele (o fiscal) escrevia aquele número maluco, três de…”, disse o contador.

    Em grampo de 23 de abril de 2012, Kaku fala do Tribunal de Impostos e Taxas (TIT) da Secretaria da Fazenda, que julga recursos contra autuações fiscais. “No TIT tudo isso se anula“, afirmou Kaku ao contador.

    Diante do impasse sobre o valor da propina, o empresário Nemr Massih – controlador do Sina – apela ao fiscal Campizzi Busico, amigo de Joseph Tannus Mansour, funcionário do Grupo. Em um diálogo, Kaku marca encontro com o fiscal Walter Guedes no Shopping Villa Lobos e recebe orientação sobre a forma como deveria proceder “na negociação com o cara (Castilho)”. Kaku se diz insatisfeito. “Ele (Castilho) endureceu mais, ficou naquele número.” Guedes sugere: “Chame (Castilho) para conversar de novo, não tem nada a perder, marca em campo neutro e tenta amansar a fera

    Em 4 de julho, 131129, Nemr, irritado, reclama com Joseph Tannus que “aquele sem-vergonha (Castilho) está enchendo o saco do Victor”, referindo-se ao advogado Victor Mauad, do Sina. Às 17h38, Castilho diz a Mauad que “está perdendo tempo e dinheiro” e tem “outros trabalhos promissores”. No dia 5, um advogado liga para Castilho e marcam encontro na sede do Grupo Sina, à Alameda Santos. Os investigadores seguem o fiscal e o flagram saindo do prédio e, depois, dirigindo-se a uma agência bancária “entregando no caixa um pequeno malote“.

    https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/6/13/fiscal-exigiu-r-750-mil-do-grupo-sina-diz-mp

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