Exílio fiscal. Depardieu troca de nacionalidade e de alíquota

Concluído o processo, o ator pagará apenas 13 por cento de impostos, muito menos do que pagaria em França

O debate sobre a política econômica do governo Hollande tomou um lado burlesco com a decisão do ator Gerard Depardieu de sair do país para escapar das altas alíquotas do imposto de renda francês. Primeiro houve o anúncio de sua mudança para a Bélgica e de sua intenção de devolver seu passaporte francês às autoridades. Depois, ele fez gestões junto à Rússia, foi recebido pelo presidente Putin e ganhou um passaporte russo. No embalo do noticiário, a atriz Brigitte Bardot disse que também pensava em se mudar para a Rússia. Embora a bronca de Bardot – célebre defensora dos animais – tenha a ver com a decisão da Justiça de sacrificar duas elefantas doentes de um circo, a informação se adicionou ao noticiário sobre a mudança de celebridades e empresários irritados com o governo Hollande.

A foto de seu encontro com Putin e sua declaração de que a Rússia era ‘uma grande democracia’ tornou a atitude de Depardieu antipática a todos os que denunciam o autoritarismo do presidente russo

Para além das peripécias de Gerard Depardieu, há uma medida recente do governo Hollande que polariza as críticas: a alíquota de 75% de imposto de renda sobre os contribuintes detentores de altos rendimentos. Instaurado por Hollande depois de ter sido anunciado durante a campanha eleitoral, o imposto foi julgado ilegal pela Corte Constitucional francesa. Agora, está sendo reestudado pelo governo […] Leia mais

7 Comentários to “Exílio fiscal. Depardieu troca de nacionalidade e de alíquota”

  1. Pegam o feioso do Gerard Depardieu como pretexto para bombardear a grande medida do governo Hollande em taxar com mais rigor os contribuintes com altos rendimentos, mas como desejariam que fosse? Taxar mais os que vivem de seus salários apenas? Lógico que Hollande está mais que certo e na dúvida que se faça um plebiscito e será a grande maioria que decide!

  2. Qual o estímulo que um empresário teria para investir em sua empresa se, no caso de fazê-la crescer, tivesse que pagar uma extorsiva alíquota de 75% de Imposto de Renda? Ao invés de trabalhar e correr riscos, o empreendedor vai preferir ficar em casa sendo sustentado por algum programa social, que, por sua vez, é sustentado por uma política fiscal deficitária que invariavelmente não durará muito tempo. Vide o exemplo da Grécia…

  3. Toda tributação escorchante gera algum tipo de evasão. O exílio voluntário é uma forma legal de driblar o escalpelo. O governo francês está dando um tiro no próprio pé. Se não for mera burrice, então é comunismo para valer; alíquota de 75% de IR sequer de socialismo se trata. Fez bem o Depardieu. Ele até pode ser feio, mas é um grande carismático ator.
    A questão não é se o governo deve taxar mais esta ou aquela classe social. O que não é inteligente é a escorcha. A solução mais recomendável, por mais ufanista que pareça esta assertiva, é a brasileira, que aliás nem é original, é imitação chinesa: chama-se inclusão social.
    A inclusão social, ainda que à base de bolsas-família, aumenta o consumo, que eleva o patamar da demanda agregada da economia (mais pedidos do comércio à indústria), que gera a necessidade de mais produção, e esta mais emprego, e este mais renda, e esta mais consumo, e tudo isso mais impostos (sem elevação de alíquotas ou bases de cálculo) — e eis o ciclo virtuoso da economia implantado, eis o fim do abismo fiscal. É essa a receita que os governos europeus e americano deveriam copiar. Foi por causa dessa receita que o Obama chamou o Lula de “o cara”, muito antes de o Roberto Carlos pegar o gancho.
    Mas por aqui, no país dos tamoios, tupiniquins e guaranis, santo de casa não faz milagre, parece que todos já nos esquecemos das ondas que as crises internacionais geravam — até há cerca de uma década, inclusive no governo FHC — em nossa economia. Se hoje estamos sofrendo menos esses efeitos, não é pelos nossos belos olhos, nem pela nossa ginga, mas porque aqui tem havido, sim, inclusão social, e o governo federal tem abaixado algumas alíquotas estimulantes (IPI de automóveis, móveis, eletrodomésticos, tarifas de energia, etc), embora certos governos estaduais forcem a barra em sentido contrário, impedem que o crescimento deslanche para valer, praticam escorcha através das Substituições Tributárias da vida, até mesmo contra contribuintes do Simples Nacional….
    Infelizmente, o governo francês está mais para certos governos estaduais do Brasil do que para o nosso governo federal. E o pior é que determinada imprensa marrom-tietê, pseudo neoliberal, ainda tem a cara de pau de transformar copos d’água em tempestades…
    E podem dizer à vontade que sou petista (embora eu não seja, só entendo um pouquinho de Economia, não me considero burro, não cultivo preconceitos sociais). É que para quem já foi ‘acusado’ de malufista é até um elogio agora ser chamado de petista. Talvez os que me criticam prefiram um governo à moda da França… Ou quem sabe da Grécia…
    Da minha parte, prefiro um governo que pense bem a economia e o social, seja de que partido for.

  4. Caro Valente, depois da aliança entre o partido do Maluf (PP) e o petismo (ou Lulismo) demonstra que, no seu caso, as acusações tem coerência. Falando sério, dias atrás se deu manifestação de trabalhadores contra o indicado, por parte do aliado Maluf, para a Secretaria de Habitação paulistana. Saiu Kassab entrou Haddad, tudo brimo.

  5. Petismo, lulismo, malufismo… são rótulos que abrigam muitas e muitas ideologias. Não podemos ser maniqueístas e tachar tudo que procede deste ou daquele “ismo” de nefasto ou de maravilhoso, conforme a nossa posição ideológica. A vida real não é assim. Todos, sem exceção, cometem equívocos e acertos, de uma forma ou de outra. Mas certos setores da sociedade, sobretudo de certa mídia marrom-tietê, carregam nas tintas da crítica pesada contra os opositores que ocupam o governo federal, e sequer mencionam, pouco registram ou simplesmente nada repercutem as críticas FUNDAMENTADAS contra decisões e práticas do neoliberalismo peesedebista, que draga rios de dinheiro do BID, literalmente, no lodo do Tietê (mais de R$ 20 bilhões!!!!, que dariam para transformar o Tietê num Sena…!!!! com direito a tratamento de esgoto e piscinões laterais sob as marginais Pinheiros e Tietê), e que joga fora, nos bolsos da elite e da classe média alta, R$ 7 bilhões no inútil programa da NFPaulista, e que escorcha a população menos afortunada com a Substituição Tributária — dentre muitos e muitos outros desmandos, mas NADA DISSO aparece nas páginas e programas dessa ala cega da mídia, que teima em ossificar as inteligências dos leitores, ouvintes e espectadores.
    Porém, ai do PT se gastar — de forma pouco ortodoxa, é verdade — R$ 153 ‘míseros’ milhões (tudo na vida é relativo) para comprar consciências de parlamentares e aprovar a Reforma da Previdência e Administrativa, a fim de ajustar as contas públicas nacionais e pôr a economia nos eixos (baixar juros, angariar recursos para inclusão social, etc), em prejuízo EXCLUSIVAMENTE do servidor público, mas quem dessa mídia podre se digna a fazer esta análise teleológica que estou fazendo aqui dos fatos…?
    E ai de quem do PT indicar algum correligionário para alguma função, logo virão transformar esse copo d’água no maior tsunami do planeta…!
    E mais ainda: ai do PT se anunciar que pretende abaixar em 20% as contas de energia elétrica… caem de pau em cima, logo surgem os profetas do apocalipse para secar virtualmente os reservatórios, logo vêm as fileiras de crônicas imprecisas sobre um possível e eventual caos no futuro próximo, o caos do caos, atribuindo o futuro e incerto apagão, muito mais escuro do que o do FHC, desde já, à imcompetência magistral do petismo…!!!
    Perdoem-me as hipérboles e ironias, mas é exatamente disso que se trata. Era nisso que eu estava pensando quando escrevi a postagem anterior, caro Teo.
    E que eu saiba o Kassab esteve aliado ao Serra nas três últimas eleições municipais (só perdeu a última)… Embora, é verdade, ele, Kassab, seja cria do Maluf… que de fato, a bem da verdade, não pode ser perdoado por algumas de suas crias (Pitta, Kassab, Afif, atual vice-governador, outrora defensor das PMEs e agora, com a ST, algoz delas). É por isso que os “ismos” não podem ser levados ao pé da letra e a política não pode ser levada tão a sério.

  6. Tens razão Valente, é por isso mesmo que a falta de confiança na política dos “ismos” é que o cidadão Depardieu esta agindo de modo a se proteger dos 75% que o “hollandismo” insiste em impor.

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