O governo de Arak

Carlo H. Peixoto

Amanheceu. Da sacada do Palácio, Arak o Néscio mirou o feio horizonte, outrora um vale coberto de verde, agora transformado em terra devastada, rasgada por crateras, de onde as mineradoras extraem a hematita, vendida a preço de banana para o estrangeiro. Ao longe, no alto da serra crestada pelo fogo, movia-se o olhar vigilante de Filomeno, o Monstro Tributário de um olho só que enxergava todos os fatos geradores. O governo ia bem, mas a saúde e a educação do povo, aos trancos e barrancos, conquanto a arrecadação do imposto de consumo batesse todos os recordes.

Mesmo adorado pela mídia mercenária, o Governador de Arak não estava contente. Para ele, não bastava pagar as contas. Zerar o déficit é obrigação de todo governante, é só manipular os números. Calcando os pés no parquet, assoalho brilhado e encerado peloEngavetador Geral do Estado, um tal de Jarbas, que também lhe servia como mordomo, o Néscio mandou chamar os Secretários. Mais que depressa, entraram o Conselheiro Acácio, o Professor Naná, Se Me Dão Se Me Deu e o Adido Phu, este último acompanhado de Pierrô e Colombina, ambos brigados pelo amor de Arlequim. Reunida a cúpula, faltavam quinze minutos para as dezesseis horas quando Arak contou-lhes o sonho que tivera naquela profícua manhã, enquanto o povo trabalhava […] Leia a crônica completa

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