A herança maldita do aposentado – Parte I

Carlos H. Peixoto

Arcádio acordou cansado naquela manhã. Na noite do dia anterior havia regressado de uma longa viagem: fora tomar posse da herança do pai, que falecera aos noventa e dois anos. O patrimônio que lhe coube se constituía de um sítio de doze alqueires, onde o pai passara os últimos vinte anos. Junto com o sítio, Arcádio recebera também o encargo de criar um franguinho de pescoço pelado, galináceo de estimação do finado e enrugado pai, franguinho do qual deveria cuidar como se cuidasse de um filho.

Depois de trinta e cinco anos de serviços prestados ao Governo do Estado, onde muito se chateara preenchendo relatórios inúteis e obrigado a conviver com toda sorte de maledicências, Arcádio aceitou de bom grado a herança, decidido a se enfurnar na roça. A esposa falecera há oito anos. Os dois filhos, ainda que casados, sugavam-lhe metade dos proventos. No final do mês, pouco lhe sobrava, mas o salário de aposentado, conquanto houvesse diminuído depois da Terceira Reforma da Previdência, ainda dava para alimentar mais um bico […] Leia a primeira parte da crônica

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