Voz crítica x fascismo social

Não há combate possível ao fascismo social, presente na sociedade brasileira, sem o fomento do debate honesto e democrático. 

Na área sindical não poderia ser diferente, sendo um microcosmo da sociedade, o diálogo também deixa a desejar. O papel da voz crítica dentro do campo do livre pensar é essencial para que fatos e posições sejam analisados sob ângulos diferentes do “oficial”. Traz subsídio ao leitor mais desatento e distante dos debates. As tentativas de desclassificar esse serviço demonstra a falta de intimidade com um ambiente plural de ideias, além de baixo compromisso com a vontade do filiado sindical. Muito apropriado e lúcido o texto do jornalista e historiador, Tulio Muniz publicado no Observatório da Imprensa sobre o “Fascismo Social”:

Nos meios de comunicação convencionais, as abordagens críticas ao “fascismo social”, permanecem restritas aos espaços já consolidados (revista Carta Capital, Rede Record), com raras e bravas exceções, como a do jornalista Ricardo Boechat em seus comentários na Rádio Bandeirantes. 

O “fascismo social” é “um tipo de regime no qual predomina a lógica dos mercados financeiros em detrimento de grandes setores das populações, gradativamente distanciados e excluídos do campo de direitos sociais adquiridos nas últimas décadas. O risco, alerta Santos, é o da ingovernabilidade”. Presente no Forum Social de Porto Alegre quando da expulsão dos moradores do Pinheirinho, Santos, ainda que não referisse diretamente ao seu próprio conceito, demonstrou como o “fascismo social” é presente na sociedade brasileira, e reafirmou a necessidade de se contrapor a ações como aquela, que, com o aval do Estado, beneficiam setores dominantes e opressores em detrimento do bem público e social (ver aqui).

O caso do Pinheirinho é grave e preocupante, e alinha-se a outros acontecimentos recentes de violência estatal. Entre outros, estão a carga da polícia militar contra estudantes em São Paulo (USP) e contra professores cearenses, ambos em 2011. Vale lembrar que, já neste ano, a polícia militar foi autorizada pelos governos do Espírito Santo, do Piauí e de Pernambuco a carregar contra estudantes, em protestos contra reajustes do transporte coletivo. Aqui há perigo. SP está nas mãos dos debilitados tucanos, do PSDB que há quase duas décadas se aliou à direita financista, mas CE, PI, PE e ES são estados governador pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), o que demonstra que as cessões ao “fascismo social” não são exclusivos da direita, extravasaram também para a centro-esquerda, e às vezes com o silêncio conivente de partidos de esquerda.

No mesmo nível de importância no combate ao DPC, estão os sites e blogues no estilo do Observatório, e tantos outros (Viomundo, ConversaAfiada, Escrevinhador, LuizNassif, CartaMaior, etc). Estes, mais do que a mídia convencional, primam pela proximidade entre jornalismo e pensamento. Portanto, parece urgente e preciso, cada vez mais, reforçar e manter a aliança entre opinião e reflexão, esta arma poderosa que causa horror aos jornalões, às TVs e ao poder institucionalizado.

Pinheirinho, polícia contra estudantes e professores, magistrados nababos, prédios desabando, mídia sem regulação. O Brasil, definitivamente, não precisa de inimigos externos […] Leia mais

TeoFranco

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One Comment to “Voz crítica x fascismo social”

  1. Muito oportuno o artigo. Nesse campo, o passado é desolador e o futuro é animador.

    Está ocorrendo no mundo da mídia, o fenômeno das notícias instatâneas e interativas, através dos sites. A boa notícia é que os meios de comunicação tradicionais como a Rede Globo, que monopolizaram a notícia e o entretenimento, por vezes agindo como “emissários do poder” estão perdendo terreno para as redes sociais e os pequenos sites e blogs espalhados aos milhares.

    A maior força desse novo fenômeno, que não é passageiro, tem origem nos blogs e pequenos sites de notícias locais, entretanto, como antenas de alta frequencia social, as redes sociais de maior amplitude disseminam as informações numa teia de interatividade, onde todos falam e são ouvidos.

    Daqui a alguns anos, os maus políticos, os maus sindicalistas, os ratos sociais não mais poderão usar as suas “tocas do poder”. Serão tão vigiados, criticados e comentados que não suportarão a força da exposição.

    O próprio blog do AFR, embora esteja no início, pelo que se propõe, é um exemplo disso tudo. Um site corajoso e independente.

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