O salário do servidor público e a ideologia oculta

Um país que remunera mal seus servidores esta condenando a população mais pobre, aquela que mais usa os serviços do Estado, a ser tratada como cidadã de segunda classe. Nenhum analista sério pode esperar que um professor se dedique a ensinar seus alunos com salários miseráveis. O debate sobre os salários dos servidores públicos tem grande utilidade para se conhecer a visão de mundo de cada um.

Tempos atrás, criou-se um estigma sobre os funcionários públicos. Por este motivo até a nomenclatura foi mudada para servidores públicos, numa tentativa de aliviar essa campanha negativa. A verdade é que existe uma ideologia oculta por trás, uma visão de mundo enganosa. Agora, como vivemos na era do marketing, ou de um tipo de mundo da fantasia, outra tática que os marqueteiros de plantão (estes sim com altíssimos contratos) inventaram, foi a tal meritocracia. Onde os eficientes gestores impõem metas ou objetivos a serem atingidos por sua ‘animada equipe’ de subalternos. Dizem que foram os neoliberais que trouxeram esse famigerado conceito. Algo que é utilizado na iniciativa privada como um chicote ou uma guilhotina de demissão, foi pescado pela maioria dos políticos que ganharam um novo fôlego com um discurso sedutor para explorar nos palanques de seus comícios.

Resolveram mostrar a eficiência da gestão do seu governo, implantando na atividade pública um sistema, que já é manco na iniciativa privada, para fazer um pagamento de bônus salarial. Matando dois coelhos com uma cajadada só, não se faz o reajuste dos salários na sua parte fixa, mas se oferece uma perspectiva de um bônus, no entanto não o incorpora no holerite do servidor para a, agora mais, longínqua aposentadoria. Ora, num atendimento de Pronto Socorro serão contadas quantas injeções são aplicadas por plantão? E no Corpo de Bombeiros quanto tempo levou para apagar um incêndio? E na polícia, quantos meliantes presos naquele mês?

No filme Tropa de Elite I, um comandante manda retirar o cadáver da jurisdição para não ‘estragar’ a estatística de homicídios do mês. O que ocorre é que os servidores sempre vão encontrar um meio de driblar as regras ou mecanismos estúpidos, uma vez que não são sequer ouvidos para opinar sobre o funcionamento do fluxograma do seu departamento. Os iluminados dos gabinetes climatizados fazem isso por eles.

O brasileiro vive com R$ 15 por dia, numa família com quatro pessoas tendo em vista que o salário médio no Brasil é de R$ 1,8 mil. Será que é merecido? Será que a razão é porque não vêm cumprindo bem as metas? Sem falar que um terço das empresas brasileiras se recusa até a cumprir a legislação trabalhista e opera na ilegalidade. Os seus empregados não tem nem carteira de trabalho porque “não merecem”? A verdade é que existe uma ideologia oculta por trás, uma visão de mundo enganosa.

Enquanto isso, grupos de empresários se unem para prestar graciosos serviços ao Estado de norte ao sul do Brasil, difundindo conceitos ‘modernos’ de gestão aos mais diversos órgãos de governos de todos os partidos, sem exceção. Por sua vez, as entidades de classe tentam mostrar o outro lado, a essência do papel do serviço público, e a dedicação e capacidade daquele que enfrentou um disputado concurso: O digníssimo Servidor Público.

TeoFranco

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4 Comentários to “O salário do servidor público e a ideologia oculta”

  1. Concordo inteiramente com esse artigo.
    A meritocracia, sobretudo nos moldes em que vem sendo praticada — coletiva e genericamente, com base em resultados nem sempre de interesse social, como no caso da mencionada “estatística de homícidios”, ou dos índices de aprovação escolar, ou, no nosso caso, dos resultados da arrecadação, que dependem muito mais de como as metas são fixadas e de como os dados são processados do que do propriamente da eficiência efetiva dos servidores — não serve para nada, em alguns casos até prejudica a sociedade.
    Parabéns, Teo.

  2. Aprendi com um português:português nasce em Portugal mas burro nasce em qualquer lugar do mundo. Não pretendo ofender os animais!!! Por favor não vá acionar a UIPA por causa dessa afirmação!! E o que não falta na política brasileira: espertalhões por que esses contratos só servem para agraciar amigos. E se os resultados não são bons a razão é fácil de adivinhar: os servidores públicos são incompetentes, indolentes, etc e só fazem do emprego um bico e para criar dificuldades e vender facilidades!!! Burro então é o que não falta no meio político. Mas apenas e tão somente no que diz respeito à capacidade gerencial!!! No quesito esperteza dão de 10 a zero em qualquer empresário. Também aprendi com um português; quem sabe fazer não sabe ensinar e quem sabe ensinar não sabe fazer!!! O PROFESSOR Nakano que o diga!!! PARTIDO DOS SERVIDORES PÚBLICOS JÁ!!!!

  3. Parabéns Teo Franco. Acrescento que, a com tal meritocracia, um colega que não agrada ao “stablishment”, como nosso colega Francisco de Rondônia, além de perder a função, sofreria redução dos vencimentos ou por passar a ter a “avaliação negativa” ou por ser transferido para situação com “pior avaliação”.

  4. Isso é o neoliberalismo que os paulistas tanto gostam. O servidor é uma mercadoria cujo custo tem que ser reduzido. Estado eficiente é o mínimo. Assim, oito pessoas no Brasil, que têm mais 50% da riqueza nacional enche o butim acumulado em detrimento da massa de assalariada luta diariamente para sobreviver! Parabéns pra SP pelos 30 anos de PSDB!

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