O Estado a mercê dos consultores privados

A Revista Exame desta semana (edição 998) traz a notícia elogiosa de que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul vem seguindo um programa de melhoria de gestão (desde 2009) com o objetivo de eliminar desperdícios e tomar mais ágil o atendimento. A assessoria é feita pelo INDG (Instituto de Desenvolvimento Gerencial), comandado pelo ‘guru’ de gestão Vicente Falconi. Os resultados colhidos vão da economia nos gastos de custeio ao aumento da rapidez na distribuição e no julgamento de processos. A racionalização de tarefas teria resultado num ganho de 120 milhões de reais (sic).

Das duas uma: Ou a consultoria é extremamente capaz ou os dirigentes do TJ gaúcho eram muito limitados. 

Presidente do STF elogia. Segundo a reportagem, tal desempenho já repercute em Brasília “As soluções criadas pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul são tão positivas que devem servir de modelo aos demais estados”, diz Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal e também do Conselho Nacional de Justiça, órgão criado para aprimorar os serviços judiciários. Boa parte da morosidade se concentra nos 93 tribunais estaduais, como os TJs e as cortes trabalhistas, que acumulam 80% do volume de processos do país.

São Paulo e Rondônia copiam modelo. O exemplo gaúcho está se repetindo em estados como São Paulo e Rondônia. O Tribunal de Justiça paulista contratou em janeiro a consultoria do MBC (Movimento Brasil Competitivo), fundada pelo empresário Jorge Gerdau Johannpeter. “Já detectamos oportunidades de ganhos de R$ 82 milhões”, diz Erik Camarano, presidente do MBC. Também em fase inicial, em Rondônia o programa se concentra em diagnóstico e treinamento de pessoal Mas, de acordo com o CNJ, a Justiça dos estados cumpriu menos de 50% da meta de desempenho de 2010. Além da morosidade, o Poder Judiciário peca pela gastança. Recentemente, os ministros do STF aprovaram uma proposta de orçamento que prevê aumentos de seus salários de R$ 26.700 para R$ 30.600, além da construção de um prédio de R$ 4 milhões para a TV Justiça. “Ainda falta muito para a iniciativa do TJ gaúcho se tornar a regra, e não a exceção, na Justiça do país” conclui a reportagem.

Enquanto isso no STF Marco Aurélio Mello ‘atrapalhou’ os planos dos colegas ao pedir vista e adiar o enterro definitivo do pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes. 

TeoFranco

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One Comment to “O Estado a mercê dos consultores privados”

  1. TENHO PARA MIM QUE OS DIRIGENTES, NÃO SÓ DE TRIBUNAIS COMO DE OUTROS ÓRGÃOS PÚBLICOS, DEIXAM MUITO A DESEJAR QUANTO AOS ITENS CAPACIDADE GERENCIAL E CONHECIMENTOS TÉCNICOS SOBRE OS ÓRGÃOS QUE DIRIGEM!!!!

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