5 pontos para um sindicato forte

Cinco temas estratégicos para o fortalecimento do sindicalismo classista:

1) Politização da classe: A experiência nos mostra que não basta o sindicalismo lutar pelas questões imediatas, econômicas e corporativas. Há a necessidade de se forjar um sindicalismo que politize a classe para o reconhecimento e a valorização do servidor. Sem um sindicalismo protagonista de participação política não haverá reavaliações estruturais.

2) Organização na base: Não existe sindicalismo forte sem estruturas regionais. A ditadura militar proibiu os sindicatos, o neoliberalismo procurou quebrar sua espinha dorsal e as novas técnicas gerenciais tentam torná-lo supérfluo. O novo ciclo político possibilita esta visão de reorganização.

3) Formação de classe: A ofensiva neoliberal acuou os sindicatos. Entre outros malefícios, houve um natural envelhecimento das direções sindicais, fruto do defensividade das lutas e do esvaziamento das entidades. Pesquisa realizada no 8º Concut (2003) revelou que 58% das lideranças tinham mais de 40 anos de idade, enquanto no 5º Concut (1994) eram 29%. Essa amostragem, revela a preocupante ausência da renovação das lideranças e a fragilidade do trabalho de formação e de reciclagem político-sindical dos dirigentes e ativistas de base. O investimento em formação é hoje uma prioridade e deve ser tratada como emergencial. Do contrário, os sindicatos não expressarão as novas realidades do trabalho, inclusive com o crescente ingresso de jovens, e não terão como dar respostas ao complexo debate de idéias que permeia a sociedade e os próprios temas fins da atividade da categoria.

4) Ação intersindical: Para interferir nos rumos do país não basta a atuação meramente corporativa, por categoria. A unidade da classe é indispensável. No governo Lula ainda são tímidas as medidas no sentido de fortalecer as centrais como instrumento de horizontalização e de unificação da classe. O sindicato é um instrumento de frente única no qual se expressam diferentes concepções. A sua força reside exatamente na garantia da unidade na diversidade. Qualquer postura hegemonista coloca em risco a indispensável união dos trabalhadores. Hoje, mais do que nunca, é preciso democratizar as Centrais Sindicais, garantir sua autonomia diante do Estado e imprimir-lhe uma marca nitidamente classista. Do contrário, o papel das Centrais corre sérios perigos.

5) Ações sociais: As recentes mutações do mercado capitalista, do amargo remédio neoliberal e da reestruturação produtiva, colocaram em cheque a própria forma-sindicato. É imperioso fazer uma reflexão para a inserção e participação ativa do sindicato nas ações sociais.

Campinas, 08/01/2011

Teo Franco

ARTIGOS de TEO FRANCO

4 Responses to “5 pontos para um sindicato forte”

  1. Quanto ao item 4 – Ação Intersindical, diria que o FENAFISCO é muito fraco, não agrega; se tem lutado é pelo fisco federal e não pelas suas entidades filiadas.

  2. A nossa situação com relação ao nosso sindicato é cronicamente ruim, o que vivi de 1998 para cá foi o uso do sindicato como trampolim político de uns e outros, com a passividade dos associados, que na sua grande maioria, creio, apoiaram este uso da entidade. Um sindicato escritório político e o que conseguimos?
    As tentativas de mudanças em 2002, com uma chapa que quase ganhou as eleiçoes, pelo menos assustou os experientes e agora com a Superação que venceu mais não convenceu, infelizmente. Hoje quase 14 anos depois do ingresso na carreira começo a perceber que o sindicato não atrai o interesse dos seus associados, para uma eleição de representantes, regra geral, falta candidatos, ninguém quer concorrer. O numero de representantes com muitos mandatos não é pequeno, tenho a impressão que o Sistema de Poder não quer renovação alguma, e trabalha pela mesmice. A atual administração do sindicato caiu na armadilha do presidencialismo, e de um presidente a moda antiga CENTRALIZADOR ao extremo, entretanto aparentemente gentil, o chamado gentleman inglês, mas que só faz o que quer, ou melhor não faz, consegue impor uma velocidade de mudança muito baixa, quando a decisão que deveria ter sido tomada lá atrás é tomada agora já não fará efeito na mudança da realidade, e nada mudou.
    O que me espanta é a inércia dos associados que ou se mantém alheios, desinformados do que se passa, ou que se percebem que nada funciona (a favor) desistem e abandonam a preocupação com sindicato. Situação, círculo vicioso grave, e que interessa a quem? Talvez este seja o modelo de sindicato que a maioria em termos de poder quer e consegue manter há anos, tenho pouco tempo na ativa para ver algo mudar de forma visivel, persisto por costume, por inércia? Não tenho clareza.
    Abraços,
    Roberto Puccia Bianchi (RPB)

    • Caro Bianchi, vc tem se empenhado há muito, para que aja uma glasnot (transparência) e uma perestroika (reconstrução) do nosso modelo de representação sindical. No entanto, o desinteresse das lideranças e a apatia da imensa maioria dos interessados são as maiores barreiras para que isso ocorra. O projeto superação tinha essa bandeira, mas o trem tomou outro rumo e eu com outros fomos obrigados a descer do locomotiva que segue sem rumo certo…

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