Posts tagged ‘substituição tributária’

agosto 24, 2012

A Substituição Tributária no ICMS – problemas e possíveis soluções*

Ângelo de Angelis (AFR-SP)

A substituição tributária do ICMS foi introduzida pelos Estados brasileiros ainda nos anos 1970, quando da vigência do então ICM. Na época as condições da tecnologia da informação e a pulverização dos estabelecimentos de varejo dificultavam a atuação dos Fiscos estaduais na fiscalização das suas operações. Pela sistemática da chamada substituição tributária das operações subsequentes ou para frente, o imposto relativo às operações da indústria para a distribuição, desta para o varejo e deste para o consumidor é arrecadado na indústria, ou em outro elo intermediário da cadeia produtiva que concentra a distribuição. O objetivo é facilitar e racionalizar a ação do Fisco ao concentrar a fiscalização em poucos grandes contribuintes, ao invés de centenas ou milhares de pequenos varejistas.

Este mecanismo foi fartamente explorado pelos Estados e Distrito Federal no Brasil nas décadas que se seguiram para poucos produtos que atendiam determinadas condições: relevância para a arrecadação, produção ou distribuição concentradas, homogeneidade, consumo de varejo pulverizado e preços finais conhecidos ou tabelados. A partir de 2008, os Estados passaram a explorar o instituto da substituição tributária para frente para vários outros produtos, inaugurando uma nova fase, mais conflituosa, da sua exploração. Ao mesmo tempo em que propiciou consideráveis ganhos de arrecadação para os Estados, potencializou vários conflitos em torno da tributação do valor agregado.

O objetivo desse trabalho é demonstrar como isto se deu, mostrar os problemas gerados e, ao final, propor linhas de soluções calcadas em um novo paradigma que leve em conta as modernas tecnologias de informação e as atuais estruturas de varejo, bem mais concentradas do que as dos anos 1970, quando da instituição da substituição tributária para frente no Brasil (ST).

Para isto, parte dos fundamentos e das características essenciais dos impostos sobre o valor agregado (IVA) consubstanciadas em pesquisas realizadas em todo o mundo pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional. Pretende-se confrontar e avaliar as características da ST com os fundamentos do IVA. Posteriormente, avalia o surgimento deste instituto no Direito europeu e no Brasil, na tentativa de apontar seus pressupostos básicos. Na sequência tenta reconstituir sua evolução no Brasil confrontando sua configuração com os seus próprios pressupostos básicos e com as características do IVA.

Ao final, conclui-se que, especialmente a partir de 2008, o espraiamento do uso da ST transformou o ICMS em uma espécie de anti-IVA, que há fortes evidências de que os recentes ganhos de arrecadação decorrentes desta exploração advêm não da captura do imposto sonegado no varejo e sim da sobretaxação dos consumidores finais e que a tecnologia da informação dos dias de hoje bem como as estruturas de varejo, mais concentradas, condenam a ST ao anacronismo. As condições tecnológicas dos dias de hoje permitem a ação do Fisco junto aos milhares de contribuintes varejistas e a reconstrução do ICMS sobre as bases clássicas do IVA [...] Leia a monografia na íntegra

*1º lugar do Concurso de monografias da Federação Nacional dos Fiscos Estaduais – FENAFISCO em Maio de 2012

Leia também:

Primeiro ebook lançado pelo Blog do AFR – ROBIN HOOD ÀS AVESSAS

junho 15, 2012

Lambanças: Cordeiros e Lobos

Antônio Sérgio Valente

O saudoso Sérgio Porto, que durante a ditadura militar adotou o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, criou a sigla FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País) e satirizou com humor refinado as ignorâncias que pontilhavam o mapa do poder no Brasil. Infelizmente, o cronista partiu cedo, mas se vivesse nos dias atuais não lhe faltaria assunto. É que, no último meio século, as coisas mudaram muito, tudo evoluiu, inclusive o repertório do Febeapá.

Podemos classificar as lambanças modernas de várias maneiras. Há as mais escrachadas, essas que resultam de conluios entre políticos e o crime organizado, os Cachoeiras da vida. Mas há também as sutis e dissimuladas. Podem ser públicas, privadas ou híbridas, embora o terceiro grupo seja o mais denso. Envolvem representantes de todos os poderes da república, razão pela qual se classificam em legislativas, executivas e judiciárias. Conforme o teor, podem ser simplesmente ilegais, ou então travestidas de legais, sendo que este último grupo em geral se esconde sob o manto da tecnocracia. A maior parte decorre de torpeza ou cinismo, embora haja casos não menos nocivos de ignorância e incompetência, podendo ou não haver mescla desses ingredientes.

Algumas são punidas por certos setores da mídia, outras por outros, conforme os interesses de uns e de outros. Só umas poucas são apuradas e punidas pelo devido processo legal, mas em todos os casos, inclusive no último, sempre com lambanças adjacentes de segundo ou terceiro graus, pois o Judiciário não é oásis nesse deserto. A única punição que costuma funcionar é a das urnas [...] Leia o artigo completo

novembro 16, 2011

Artigos publicados no BLOG do AFR viram notícia em Jornal

Série de artigos de Antônio Sérgio Valente é matéria no Diário do Comércio de domingo

A ideia inicial realmente parecia eficiente: ao concentrar o recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) totalmente na indústria, o objetivo do governo era reduzir o universo de empresas a serem fiscalizadas. Mas essa ideia se mostrou “ingênua”, de acordo com Antônio Sérgio Valente, ex-agente fiscal de rendas do Estado. Segundo ele, não há como o governo deixar de fiscalizar varejo e atacado simplesmente porque grande parte dos produtos vendidos por eles não está incluída no regime de ST.

Fiscalização – Para piorar, Valente lembra que a adoção do regime de substituição exigiu que a Fazenda paulista deslocasse equipes de fiscais para estados que possuem convênio com São Paulo. E o mesmo está sendo feito por estes estados conveniados, que passaram a ser obrigados a manter fiscais em São Paulo. “O que o governo começa a perceber é que a Substituição Tributária na realidade está trazendo ônus à fiscalização”, disse o especialista.
Além disso, como é normal acontecer em um sistema tributário complexo como o brasileiro, as empresas começaram a encontrar brechas legais para se defender dos impactos da ST. Elas passaram a verticalizar suas estruturas, diluindo o lucro e, assim, reduzindo a tributação do ICMS a qual estariam sujeitas. “É o que costumo chamar de evasão legal”, define Valente.
O regime de ST começa, agora, a ter a sua eficiência fiscalizatória questionada. Mas desde sua implantação tributaristas apontam que o regime causa fortes distorções no mercado, que impacta negativamente principalmente as empresas de menor porte e os consumidores de menor renda. O vilão dessa história é a sistemática utilizada para definir sobre quais valores serão aplicadas as alíquotas do ICMS. Como pela ST o recolhimento do tributo concentra-se na indústria, é preciso estimar os preços cobrados pelo varejo ao consumidor final.
O problema, segundo Valente, é que essa estimativa – tecnicamente chamada Margem Média Ponderada – distorce a tributação. Assim, produtos de um mesmo segmento acabam tributados de maneiras distintas. Por exemplo: um desodorante vendido por R$ 4 em um mercado pode ter uma margem de lucro embutida de 100%, enquanto uma outra marca de desodorante, vendida em outro local por R$ 20, pode ter embutida margem de lucro de 500%.
Média – Nesse exemplo, se a Margem Média Ponderada estipulada pelo governo for de 180%, o desodorante de menor preço pagará ICMS sobre estes 180%, mesmo que a margem de lucro embutida nele seja de 100%. Já o desodorante de maior preço recolherá o ICMS também sobre os 180%, embora sua margem de lucro seja de 500%.
Menor renda – O ex-agente fiscal lembra que como é mais provável que o consumidor de menor renda compre o desodorante de menor preço, que terá o ICMS da ST superestimado, na realidade o governo estará cobrando mais desse consumidor.
“O governo está cometendo excesso de exação (ato de cobrar mais do que lhe é devido) em relação ao produto mais barato e está escorchando o consumidor desse produto”, disse Valente.
Por esse motivo, entre outros, o especialista define o regime de “Substituição Tributária como um “Robin Hood às avessas”. Sob esse título, Valente tem publicado uma série de textos de simples interpretação a respeito do regime fiscal. Os textos são encontrados em www.blogdoafr.com.
Outro problema da ST é o fato de o regime anular os benefícios fiscais garantidos às empresas do Simples Nacional. Recentemente, o Secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Andrea Calabi, recebeu um estudo sobre o impacto da Substituição Tributária para as micro e pequenas empresas, apresentado pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescon).
O estudo tem o objetivo de reivindicar a redução do ICMS garantido às empresas inscritas no Simples Nacional. Na prática, essa redução foi neutralizada com a implantação do regime de Substituição Tributária.

PARABÉNS ao colega Valente!

outubro 26, 2011

Reflexões sobre a Carreira Fiscal — Parte VII

A receita tributária já apresenta sinais de esmorecimento. Se nos três últimos anos cresceu em percentuais espetaculares, em 2011 há uma visível contração. Se comparada a arrecadação mensal de 08/2010 com a de 08/2008, por exemplo, houve um crescimento nominal da ordem de 57,78%, e real de 44,76 (levando-se em conta o IPC-FIPE). Mas comparando a de 08/2011 com a de 08/2010, o crescimento nominal foi de apenas 10,62%, enquanto o real foi de 3,77%. Note-se que a diferença é um abismo. O problema é que, por um lado, a economia já não é a mesma, há uma forte crise internacional que vem afetando o emprego e a produção, até mesmo no Brasil, embora ainda palidamente; e por outro lado, no caso específico de São Paulo, a política de antecipação de receitas através da Substituição Tributária (ST), intensificada fortemente a partir de 2008, agora é que está produzindo os efeitos contrários, vale dizer, agora é que a conta está sendo paga. Em outras palavras, a ST deixou de influir positivamente na arrecadação e pode ter passado a produzir vários efeitos contrários [...] Leia o novo artigo da série de Antônio Sérgio Valente

outubro 4, 2011

Primeiro ebook lançado pelo Blog do AFR

ROBIN HOOD ÀS AVESSAS – A SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PAULISTA

A exemplo de blogs de analistas, sites especializados e entidades de classe, o BLOG do AFR lança o primeiro livro eletrônico com a série inédita de artigos sobre a substituição tributária paulista de autoria do colega e articulista ANTÔNIO SÉRGIO VALENTE já se encontra disponível para download. O tema é polêmico e tem sido alvo de dissertações no meio acadêmico. Neste trabalho, o autor com larga experiência na atividade fiscal e premiado no campo literário traduz com simplicidade e bom humor um assunto que afeta diretamente a todos os consumidores.

A publicação CARTAS DO FISCAL tem o caráter de enriquecer o debate demonstrando diferentes ângulos de questões relacionadas à carreira fiscal. Com este objetivo, será feita ampla divulgação para as entidades do fisco e Blogs dos servidores públicos em todo o território nacional.

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outubro 2, 2011

Governo quer aprovar novo teto do Simples Nacional

Governadores e secretários estaduais da Fazenda se movimentam contra a aprovação

De acordo com o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), a rápida tramitação da matéria, já aprovada na Câmara dos Deputados, impediu que os estados calculassem as perdas de receita.

Ou seja, hoje, das empresas do Estado de São Paulo que estão enquadradas no Simples Nacional, 48% recolhem pela tabela do Simples e 52% são alcançadas pela substituição tributária e são objeto de um grande debate no Estado de São Paulo”, disse e concluiu: “O Estado de São Paulo já teria a devolver, porque ele implantou o sistema de substituição tributária…”

O relator do projeto que aumenta em 50% o teto do Simples Nacional, senador José Pimentel (PT-CE), propôs ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que a proposta seja apreciada em sessão extraordinária na próxima semana para engrossar as comemorações do Dia da Micro e Pequena Empresa, dia 5. Tudo porque a pauta está trancada por três medidas provisórias. Pimentel argumentou que, desde a implantação do SuperSimples, em julho de 2007, com a unificação de oito impostos, tem havido aumento de receitas. No caso de São Paulo, ele citou que, em 2010, 52% das micro e pequenas empresas pagaram o ICMS na forma de substituição tributária (antecipação do imposto na indústria). Procurado pelo DCI, o secretário da Fazenda de São Paulo, Andrea Calabi, não retornou os contatos [...] Leia mais

outubro 1, 2011

Robin Hood às Avessas – Final

 ” [...] ao finalizar esta sequência de artigos, pretendemos abordar a questão do chamado CUSTO BRASIL [...] não se diga que a ST reduz a sonegação na etapa final. Muito pelo contrário [...] porque a oportunidade de sonegar, quanto à parte não premiada pela evasão legal, continua na praça, apenas mudou das mãos dos varejistas para as dos atacadistas e industriais, alguns até situados muito longe de São Paulo. Basta um lançamento omitido ou um recolhimento a menor lá longe [...] uma reutilização de Nota Fiscal, uma devolução fictícia, uns cancelamentos à moda da casa, uns errinhos nas planilhas de ressarcimento ou nos mapas-resumos da vida, umas falcatruas aqui e acolá — e eis a festa. Enfim, o governo abriu, com a nova ST, além das citadas brechas de evasão legal, também várias opções sonegatórias de difícil e trabalhosa detecção. Haja dedicação e competência para apurá-las [...] Leia a última parte da série de Antonio Sérgio Valente

setembro 13, 2011

Robin Hood às Avessas – Parte III

E o pior é que esse tipo de distorção beneficia os varejistas que operam com margens maiores, que atendem a públicos mais abastados, os clientes de alta classe. É profundamente injusto, pois não podemos esquecer que os custos tributários entram na composição dos preços. Se a Fazenda tributa um lojista de shopping center sobre uma margem, por exemplo, de 100%, quando deveria tributar pela de 200%, o custo tributário desse lojista abaixa e quem se beneficia, em parte, é o consumidor que compra no shopping, e em outra parte, o próprio lojista. Ou seja, a classe mais abastada, que deveria pagar, por justiça fiscal, mais do que a classe mais carente, acaba pagando menos. A Substituição Tributária, neste caso, faz exatamente o oposto do que devia fazer: cobra mais do mais pobre, e menos do mais endinheirado. É o retrato mais escrachado do Robin Hood às Avessas desta série [...] Leia mais

agosto 28, 2011

Robin Hood às Avessas — Parte I

Em artigo anterior, intitulado Postura Crítica, publicado aqui neste mesmo espaço, sugerimos que as entidades do Fisco apontassem publicamente os equívocos do governo, posicionando-se com firmeza e independência em relação a temas tributários, econômico-sociais, orçamentários e de gestão pública, sempre tendo em vista o interesse da sociedade à qual servimos e o da própria classe. Enquanto as entidades refletem sobre o assunto, vai aqui a nossa contribuição. A partir deste artigo esmiuçaremos algumas distorções que o governo anterior implantou e que o atual, pelo menos até o momento, não manifestou interesse de reformular. Comecemos pela Substituição Tributária [...] Leia o novo artigo na Coluna do Valente

abril 2, 2011

SP joga duro para manter investimento

Andrea Calabi é entrevistado pelo Valor Econômico

O governo de São Paulo pretende sustentar seu plano de investir R$ 80 bilhões nos próximos quatros anos com aumento de arrecadação, privatização e ampliação da capacidade de endividamento. O secretário de Fazenda, Andrea Calabi, disse ao Valor que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) deverá manter a polêmica política de substituição tributária, além de aumentar a fiscalização e adotar “tolerância zero” com benefícios ilegais.

A única privatização possível, da Cesp, tentada sem sucesso no governo José Serra, entrará novamente nos planos do governo para a obtenção de receitas extraordinárias. Além disso, está em estudos a proposta de cobrança de contribuição de melhoria – um tributo previsto na Constituição Federal, mas praticamente inexplorado por Estados e municípios. A ideia é instituir a cobrança nas obras de infraestrutura previstas para a Copa de 2014.

Íntegra da entrevista

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